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Dia Internacional Contra a Homofobia

Taí um dia com nome batuta. Não creio que haja razões para ficar puto com um nome desses, como eu fico puta com “dia da mulher”, com suas rosas pra cá, rosas pra lá… Será que ia ter rosas se fosse chamado de “Dia Contra o Chauvinismo”?
Ah, tudo bem.
O dia de hoje é uma data que nos recorda que o fato da homofobia é algo vergonhoso e deve ser desconstruído. A posição é boa.
Então vamos desconstruir.
Comecemos com a sexualidade.

É fato conhecido pelo mundo inteiro que a humanidade se divide em homossexuais e heterosexuais, certo? Será? Estou farta do fato de que entre o binômio homo-hetero é sempre o homo que é analisado (1). Isto por que o “heterossexualismo” é tomado como o normal, e na história das ciências é sempre o patológico que deve ser estudado, sem que jamais se questione este ponto de partida, que são as idéias acerca do normal (2).
O que vem a ser o heterossexualismo? Menino com menina. Olhamos o casal nos espaços públicos e a nossa mente se ampara na idéia: normal. Okay. Não se pensa mais sobre o assunto. Mas o que é que esses dois fazem entre quatro paredes? Impossível saber? Ora, se você tem mais que 18 anos, pode entrar honestamente numa pletora de sites e descobrir uma porrada de coisas: vamos mencionar algumas.
(atenção, o texto abaixo contém linguagem chula e pode causar incômodos aos mais pudicos)
Além das diversas posições em que menino e menina se colocam, algumas capazes de te mandar pro médico se você for tentar em casa, e as diversas fantasias de dominar e ser dominado, há outros truques psicológicos: os meninos que gostam de ser mal tratados por dominatrises, tratados como crianças, tratados como cachorros, que gostam de receber ordens do tipo “me lamba” após a menina ir ao banheiro. Escatologias, golden showers, meninos que gostam que meninas usando Luis 15, pisem com o salto no seu saco, e entramos no amplo terreno SM, onde ambos os sexos gostam de maltratar ou ser maltratados, os bondage, que vão da deformação do corpo com a corda e roxos pra todos os lados, até uma forma de bondage japonesa, com corda especial e dita artística que não deve deixar marcas. Adeptos dos sufocamentos, e demais fantasias de violação em que “não” quer dizer “sim” (e uma outra palavra quer dizer “pare”), o tal do “fio terra”, além de sexos um pouco mais públicos, praticados entre homens heteros nos cinemas pornôs, e meninos héteros que curtem de vez em quando serem “ativos” com outros homens. Os chamados “fetiches”, vão desde caras que tem tesão pelos pés da menina, até caras que se ligam em suas roupas, e mesmo gostam de usá-las.

Ah, dava uma tese de uma vida toda, as variações do heterossexualismo só tomadas do ponto de vista masculino. Mas vou parar por aqui, pois acho que já deixei claro que há muito mais coisas entre a idéia de normalidade – menino e menina – e a terra do que supõe nossa vã filosofia. Então, não fica meio ridículo separarmos a humanidade entre heteros e homos?

A questão é na verdade o que nos incomoda. O incômodo com outro ser humano – pela forma como age (menino segurando a mão de menino em público, menino beijando menino em público 3) e mesmo pela forma como se veste. Vamos então desconstruir o incômodo. A questão é: por que uma outra pessoa que não está fazendo nada a você te incomoda. São várias as formas de incômodo. Há quem se incomode com a forma como os outros se vestem. Vem daí as várias denoninações redutoras do outro que me lembram a forma como os primitivos (4) chamavam as outras tribos de “macacos”. Menino-shopping-center, mauricinho, perua, bixo-grilo, etc, são alguns dos estereótipos capazes de nos tornar avessos de primeira olhada ao outro. Que dizer então dos estereótipos ligados às idéias de marginalidade? Negro, rastafári, puchador-de-fumo, são estereótipos capazes de nos fazer fechar nossos ouvidos a outros pontos de vista.
Certa feita respondi a uma asserção de que mulheres que se vestem com muito aprumo  são superficiais com uma pergunta: “a superficialidade está em quem tem a superfície ou em quem enxerga apenas a superfície?”

Qual a natureza do incômodo? Impossível saber. Mas uma hipótese que sempre me ocorre é que o incômodo se constrói sobre um conflito entre o id e o super-ego. Traduzindo, é algo que queremos ser ou ter, mas que não nos permitimos.

(hmmm... que gostoso)

(hmmm... que gostoso)

(1) (da mesma forma, no binômio macho-fêmea, é o segundo o mais estudado)
(2) leitura sugerida: O Normal e o Patológico de Georges Canguilhem (médico e filósofo, e influência sobre Foucault) ver mais em inglês na Wikipédia.
(3) tempos atrás dois garotos foram expulsos de uma festa de CA na USP. Quando os presentes viram os dois meninos se beijando pararam a música, o grupo (que não era pequeno) de héteros teve um imenso peti e tal. Veja esta página http://www.deuslovult.org/2008/10/29/os-gays-estragaram-a-festa/
(4) me matem, antropólogos! Brincadeira, foi só pra provocar.

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