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	<title>Algodão Hidrófilo &#187; blogagem</title>
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		<title>Blogos-Fera Critica</title>
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		<comments>http://algodao.algumlugar.net/2009/07/blogos-fera-critica/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 23:42:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ideologia]]></category>
		<category><![CDATA[blogagem]]></category>
		<category><![CDATA[confecom]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Este texto surgiu no espaço de comentários do post &#8220;Respostas a Algumas Perguntas Frequentes&#8221;, do Biscoito Fino e a Massa, em resposta a Alexandre Nodari,  que comentou eu.
Alexandre,
&#8220;Essa história de &#8220;formar uma rede&#8221; é totalmente equivocada, mesmo se for caso de ativismo. Formar uma rede é o que as empresas e instituições tentam fazer.&#8221;


Então me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este texto surgiu no espaço de comentários do post <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/respostas_a_algumas_perguntas_frequentes.php">&#8220;Respostas a Algumas Perguntas Frequentes&#8221;</a>, do Biscoito Fino e a Massa, em resposta a <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/respostas_a_algumas_perguntas_frequentes.php#c88676">Alexandre Nodari</a>,  que comentou <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/respostas_a_algumas_perguntas_frequentes.php#c88632">eu</a>.</p>
<p><strong>Alexandre,</strong></p>
<blockquote><p><em>&#8220;Essa história de &#8220;formar uma rede&#8221; é totalmente equivocada, mesmo se for caso de ativismo. Formar uma rede é o que as empresas e instituições tentam fazer.&#8221;</em></p></blockquote>
<p><em><br />
</em></p>
<p>Então me diga como ficam os &#8220;cidadãos&#8221; atomizados frente a um poder que ele desconhece, de entranhas burocráticas e de conchavos, um sistema muito acima e para além dele. O &#8220;cidadão&#8221; (coloco o cidadão entre aspas e explico depois) &#8230; o &#8220;cidadão&#8221; moderno me lembra o ser humano pintado por Benjamim na modernidade da guerra: seu frágil corpo nada pode frente à imensidão de uma máquina de guerra.</p>
<p>Assim também é a política. Ao &#8220;cidadão&#8221; se dá o poder de apertar os botõezinhos de quatro em quatro anos. Sujeito a uma máquina de propaganda, uma máquina de CPIs e de criação de discursos, uma máquina cujos entremeios Kafkanianos ele desconhece, ele vai com fé (?) de quem por fim, sabe das coisas, apertar botões a cada 4 anos.</p>
<p>Quando se pega um assunto de interesse cidadão (sem aspas) &#8211; pois<br />
não se está a tentar a fama por meio de uma discussão qualquer acerca da vida de Michael Jackson, mas de um processo que envolve um sem-número de brasileiros e que vai retornar -<br />
na forma de leis à todos os brasileiros como norma, à qual<br />
todos, mesmo que não rousseanamente envolvidos na feitura da lei que obedecemos, mas num momento posterior, no momento de sua<br />
aprovação, atinge a todos como suditos desta república, e é,<br />
portanto de <strong>qualidade</strong> diversa de qualquer outra discussão de blog, ou post.</p>
<p>Quando se deixa de ver que um post é <strong>qualitativamente</strong> diverso de outro, estamos num mercado de posts.</p>
<blockquote><p>&#8220;toda manhã, para ganhar meu pão<br />
vou ao mercado, onde se compram mentiras.<br />
cheio de esperança</p></blockquote>
<blockquote><p>alinho-me entre os vendedores.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>(Hollywood, Bertold Brecht, tradução de Aroldo de Campos)</p></blockquote>
<p>E como todo post, e assim, todo blog, é equivalente geral, passa-se a aplicar a ele as regras da troca como se fora um equivalente, uma<br />
mercadoria qualquer. &#8220;Michael Jackson&#8221;, &#8220;Madona&#8221; e &#8220;disputa entre movimentos sociais e empresariado pela democratização ou manutenção das coisas como estão&#8221; passam, no universo de blogs, que me parece um mercado, a estarem sujeitas às mesmas regras de troca, de propaganda indireta (já viu que a propaganda hodierna não é direta? ela não diz: compre isto para fazer X, ao contrario, ela diz &#8220;o produto Y é tããããão legaaaalll, e nem diz o porquê).</p>
<p>Por isso se aplica a mesma regra a tudo, assim como no mercado a mesa (primeiro capítulo de O Capital) feita com arte, que leve ao artesão a sua vida para compor, tem um preço e entra na mesma régua monetária que a mesa feita em dois segundos pela indústria. São mercadorias, e isso lhes rouba a qualidade, ou o espírito &#8211; têm cada qual apenas um valor de troca, que as torna comparáveis.</p>
<p>Portanto, o pedido de linkagem é todo &#8211; cada qual &#8211; todo comparavel por que denota cada um, sem diferenças, uma e só uma<br />
coisa, ou (será que?) a cabeça do blogueiro só pensa por meio de uma regra que reduz tudo ao mesmo mercado de trocas? E, dentre as moedas de troca estão as linkagens e dentre os prêmios a fama e os pêmios de melhor blog. A estas regras são submetidos todo e qualquer assunto (?), a partir da chamada &#8220;boa maneira blogueira&#8221;, como se os assuntos não fossem de qualidades e esferas distintas (tanto Michael Jackson quanto Confecom tem o mesmo valor de<br />
troca, como se do ponto de vista politico eles fossem a mesma coisa?)</p>
<p>Assim, toda a proposta de formação de rede aparece no mercado de posts como se fosse a formação de quadrilha visando a fama, ou o prêmio, pois o &#8220;blogueiro&#8221; já não vê diferença entre isto e um ativismo &#8220;saudável&#8221;, uma alternativa do &#8220;cidadão&#8221; atomizado frente à máquina politica, uma tentativa de invenção de um mecanismo político não tão novo, mas modernizado (todo sujeito político torna-se político não pelo isolamento, mas pela associação. que esta se faça por blogs é só usar o recém-existente para re-criar em novos termos o previamente existente).</p>
<p>Deixa-se escapar as brechas que existem como se fossem coisas &#8220;que só empresas e instituições fazem&#8221; (?). (a respeito de instituições, me lembro como se fosse ontem o momento em que deixei a minha infância conceitual e passei a entendê-las de outro ponto de vista: foi quando, num banho de água fria, uma professora de sociologia disse que não é porque as instituições tenham um mesmo nome &#8211; como &#8220;escola&#8221;, por exemplo &#8211; que elas representam a mesma coisa: passei a tentar enxergar para além do nome, cada instituição em particular &#8211; por ex, sabemos que PT e PSDB estão sujeitos às mesmas regras do jogo polítco, mas ao mesmo tempo são instituições diferentes, para além das regras que as moldam grosso-modo).</p>
<p>Mas voltando à essa ideia de que &#8220;redes&#8221; é o que empresas e instituições fazem: isso quer dizer que o recurso é eficiente, e por isso as esquerdas perdem campo em deixar de fazê-lo, pois abrem um vacuo ocupado pela direita e com isso abrem seu flanco, ou que é um recurso do mal? Não seria ingenuidade pensar dessa segunda<br />
maneira?</p>
<p><span id="more-611"></span></p>
<p>Partidos também caberiam nisso &#8211; é coisa de direita. Vamos abandonar os partidos então. Formação de opinião, através de textos tambem. Não é o que a Folha faz? Vamos também abandonar isto, pois deste ponto de vista, os blogs e a imprensa escrita não passam da mesma coisa. É coisa de direita. Vamos voluntariamente nos atomizar e vamos ver o que acontece. Pensar assim é um acerto ou um erro? Você me responde.</p>
<p>Entre os n projetos de estudo que faço, elaboro um método topologico para a análise da internet. É discurso comum que redes &#8220;brotam&#8221; &#8220;espontâneamente&#8221;. Do ponto de vista da análise dos discursos, essa ideologia se aparenta tanto à ideologia de mercado, onde a mão invisível trabalha para que a bonança se estabeleça, e segundo o qual os grandes oligopólios não são se não o fruto de um mérito &#8211; da capacidade de produção de produtos bons que são reconhecidos pelo mercado, que nesse segundo momento é o composto de consumidores atomizados que gostam da qualidade do produto, compram e assim &#8220;brota&#8221; &#8220;espontâneamente&#8221; uma marca forte. É também um discurso que bebe nas fontes de discurso biologico. &#8220;Brotar&#8221; e &#8220;espontâneo&#8221; são coisas que remetem ao crescimento vegetal.</p>
<p>Mas, invertamos a analise. Quais os limitadores de acesso de textos pela internet? O primeiro é o mais obvio: a linguagem. Para além disso, há mecanismos que enquadram a busca: O Google, por exemplo, tem um procurador. Quais os parâmetros deste procurador? São vegetativos e &#8220;espontâneos&#8221;, ocorrem ao sabor do acaso, ou eles têm, por um acaso um formato que impõe uma<br />
hierarquia aos textos? Agora, digamos que, finalmente, você achou<br />
um site. A partir deste site você tem links: eles abrem &#8220;espontâneamente&#8221; seu acesso para tudo o que existe, ou limitam seu acesso a links escolhidos por outros? Vamos pensar nos blogs, e<br />
tomemos como parâmetro as ferramentas comuns, o blogroll, por<br />
exemplo. Como é que você inicia as suas leituras? Por procuras por<br />
palavras-chaves diretamente no Google, ou por seu blogroll, onde<br />
você se utiliza de um mecanismo de restrição para abrir outras páginas, onde os links remetem a outros escolhidos por outrem? É espontâneo isso?</p>
<p>Ser sociologo é desconfiar de tudo: inclusive do mais &#8220;óbvio&#8221;, pois o<br />
óbvio é na maior das vezes, discurso ideológico. A pergunta acima é<br />
apenas isto: uma pergunta. Não é uma afirmação, não é uma conclusão. Se trata de uma pergunta de alteridade (pela qual o pesquisador assume uma postura antropológica de perguntar<br />
sobre as coisas mais óbvias para poder encontrar o que há de não-tão-óbvio, o que no caso tem cor e cheiro de uma super-estrutura condicionante). O mesmo ocorre com os Feeds: eles abrem ou limitam a leitura ao que sai nos Feeds assinados? Por conta disso eu dou precedência à procura pelo google, não assino Feeds, abro blogs de comentaristas, dou precedência ao espaço de comentário e não ao post, mas mesmo assim, retorno aos blogs que gosto, como este. Na verdade, nenhum procedimento é antítese<br />
completa às ferramentas de procura, pois o google tem suas regras e os comentaristas estão também seguindo links específicos.</p>
<p>Do ponto de vista da análise sociológica que procura como um objeto &#8220;grupos humanos&#8221;, esta restrição por mecanismos assumidamente &#8220;neutros&#8221; seria capaz de formar grupos? Como definir isto sociológicamente? A hipótese é que sim, há a formação de grupos, e por mais frouxos que eles sejam, pois admitem mais e mais leitores e assinantes, as ferramentas às quais cada um que entra no grupo (seja por meio de uma procura por interesses, seja por outras vias) se submetem não são &#8220;neutras&#8221; nem &#8220;espontâneas&#8221;. Aliás, Alexandre, me dê uma definição de &#8220;espontaneidade&#8221; que poderemos discutir isto melhor.</p>
<p>Estamos, por exemplo, em um blog (refiro-me ao Biscoito Fino), um<br />
dos muitos, que tem uma percepção de si como membro de um grupo: &#8220;blogosfera crítica&#8221;, por exemplo, é uma das auto-denominações espontâneas deste grupo humano que se comunica e se forma a partir das linkagens de seus blogs. Espontâneo quer dizer, aqui, a <strong>percepção</strong> (não informada metodologicamente, mas por se fazer parte de uma dada cultura) de que se faça parte de um grupo social. Por menos que se possa medi-lo e por menos que esse grupo seja fechado, a percepção espontânea pode estar informando algo ao sociólogo: que este suposto grupo tenha suas fronteiras (eu sou diferente dele, eu sou mais parecido com estes, sim, uma coisa tribal).</p>
<p>Como passar da percepção social do indivíduo em seu grupo à ferramentas sociológicas de analise? É por isso que uma das minhas<br />
inspirações neste projeto sai da geografia pós-moderna: a análise do<br />
espaço &#8211; que tento subverter para a análise do espaço virtual &#8211; segundo a qual, pela análise das vias de circulação no espaço se chega a um desenho do espaço distinto do mapa produzido a partir de uma medida métrica. Por meio desta geografia é possível evidenciar que, por exemplo, apesar de Paraisópolis estar metricamente muito perto aqui de casa (moro no Butantã), o Butantã está, na verdade, estudando-se a circulação dos grupos sociais, muito mais próximo da Avenida Paulista do que de Paraisópolis, e ambos, Butantã e Av. Paulista, estão muito mais próximos de Campinas, por exemplo, do que de Paraisópolis,<br />
apesar de que pelo mapa métrico possamos ter uma idéia distinta<br />
disto. Há mais distinções no espaço &#8211; e também no espaço virtual &#8211; do que supõe a nossa percepção métrica rudimentar.</p>
<p><em>&#8220;as redes se formam&#8221;</em>. Tá ai um bom mandamento de Deus, o novo deus que devemos inscrever na nova tábua dos mandamentos da &#8220;ética blogueira&#8221;, ou do &#8220;manual de bom-tom da internet&#8221;.</p>
<p>Não sou contra manuais de etiqueta. Eles normalmente explicitam regras de convivência que impõem uma ordem, e se o mundo não tivesse uma ordem, eu nem saberia o que fazer quando me levanto de manhã: andar de bike, trabalhar, tomar banho, comer macarronada, tudo isto ao mesmo tempo, ou numa ordem especifica? Meu senso informado culturalmente põe estas atividades em uma ordem compatível com a ordem do mundo, o<br />
que é, de certa forma, bom para mim.</p>
<p>No entanto, é preciso notar que o fato de comermos cereais e não feijão (bom, ele também é um cereal, do ponto de vista botânico) no café da manhã não é uma escolha meramente informada pela nossa vontade, ou pela &#8220;razão pura&#8221;, mas culturalmente ordenada.</p>
<p>Segundo, regras são produtos histórico-sociais que tendem a simplificar as coisas, e uma de suas benesses é tornar a vida mais simples (imagina, se a cada manhã, eu me pusesse a considerar todas as fontes possíveis de nutrição, o seu balanceamento, o que é ecologicamente correto consumir,etc). No entanto, é preciso lembrar que não é porque as regras tornem o mundo mais simples de lidar, que o mundo corresponda a estas regras e seja, por isso simples. Não é. O mundo é complicado.</p>
<p>Terceiro, é preciso lembrar (se quiser uma citação eu indico Norbert Elias, mas não é o único) que regras sociais &#8211; como a etiqueta &#8211; surgem em manuais escritos (como acima, mas existem<br />
outros) não só para elucidar aos que pertencem ou adentram um grupo social o que é de bom tom, e por isso torna-se a convivência harmoniosa dentro do grupo, mas em geral as regras de costumes viram obras escritas quando é preciso diferenciar os pertencentes ao grupo dos não-pertencentes ao grupo, e demandar que se alguém passe a pertencer a um grupo, deve agir segundo as regras<br />
prescritas. Nos séculos por volta de XVI, XVII, começam a surgir manuais de comportamento à mesa, de comportamento em ambiente público, não só por que as esferas público-privado começam a se diferenciar (em Elias lemos que não se deve dirigir<br />
a palavra a alguém, caso no momento ele esteja defecando), mas também por que começa a surgir uma classe de &#8220;novo nobre&#8221; (os burgueses que compram títulos de nobresa) de quem o nobre de sangue quer se diferenciar. Nestes tempos é possível vislumbrar o mesmo ocorrendo nos blogs. As regras de pertencimento ao grupo precisam ser explicitadas (e apesar de socióloga acreditei que uma racionalidade politica pudesse suplantá-las) para manter um padrão de convivência, mas também para ditar o que é de bom-tom e o que não é, e assim impor a diferenciação entre blogueiros (cujo ethos está ligado a um tipo de regras blogológicas) e o ativista (para dizer que este não é espaço de ativismo: o ativismo pertinente é so aquele que sai &#8220;espontaneamente&#8221; de blogs, e que diz respeito apenas ao que os blogs tenham em comum entre si &#8211; para dentro do grupo &#8211; e não com outros loci da sociedade &#8211; ou o que os blogs tenham em comum com os de fora. esta me parece ser uma das razões porque os blogs se movimentam em torno da Azeredo, mas não em torno das liberdades de expressão em geral).</p>
<p>Os movimentos em torno da Azeredo foram a inauguração da forma de ethos político que sai dos blogs. Foi legal, mas este modelo que saiu do não-à-ditabranda inaugurou também um modelo que vira um mito (é recorrentemente citado por blogueiros quando questiono suas formas de participação política) e constitui, atualmente o padrão, a norma de como deve ser a movimentação política partida de blogs. Mas por mais que um modelo seja legal, é sempre interessante questioná-lo e colocar novas perguntas a ele. Se é fato que há regras que delimitam, impelem e também limitam este jogo, por que não ser ciente delas, ao invés de ficar repetindo as palavras de ordem &#8220;espontâneo&#8221; e &#8220;brotamento&#8221;? Não seria legal, para além da ciência sobre as regras explícitas e não explícitas, passar a pensá-las, modificá-las, armar estratégias a partir dessa crítica e reformulá-las de maneira politicamente coerente? Se você deixa de fazêlo, serão, como você mesmo disse, as instituições e as empresas que o farão.</p>
<p>A denominada (auto-denominada ou denominada por outros) &#8220;blogosfera crítica&#8221; nasceu de um impulso muito consistente: usar uma nova tecnologia a partir da qual todos podem se tornar formadores de opinião para, exatamente, fazê-lo. Mas, mais do que isso, nasceu de um impulso re-ativo às besteiras ditas pelos Jornais. Outro detalhe, é que ela remete prioritariamente ao discurso escrito e tende a enxergar quase que necessariamente apenas ele (isso se deve, creio, ao fato de que a blogosfera se apoia no escrito, não na formação imagética das opiniões e nem à formação oitiva das opiniões, universo estranho a ela). Dessa forma, a blogosfera critica elegeu, numa ação reativa, a imprensa escrita como seu inimigo. Como cada grupo humano tende a acreditar que o seu grupo é o centro do mundo (nenhum ser humano jamais deixou sua tribalidade pra trás), e portanto, o seu inimigo também é o inimigo da humanidade, então a blogosfera crítica tende a se ver como o salvador do mundo por meio do texto escrito, numa batalha de Titãs, contra o inimigo público número um, que seria a imprensa escrita, denominada &#8220;grande midia&#8221;. Mas os números mostram que se de fato a mídia for o inimigo público número um (há, talvez outros inimigos a se adicionar a esta lista), a &#8220;grande mídia&#8221; não é a mídia impressa, pois TV e rádio atingem num fluxo muito mais ininterrupto e com poder de penetração muito maior, o conjunto de uma população.</p>
<p>Um exemplo foi <strong>o uso de imagens pela TV do que ocorreu em <span style="text-decoration: line-through;">8 de maio </span>9 de junho na USP</strong>. A questão do editoramento das imagens, a forma como elas são recortadas, colando-se a elas um discurso falado remete às técnicas de cinema e lembra um filme de Rambo: apareceram imagens colossais, tomadas por câmaras aereas, do poder do estado em forma de helicópteros. Talvez eles fossem 2 ou 3 (não contando o helicóptero de onde as imagens eram captadas, mas eles se transformaram, no nível da percepção num esquadrão de uns vinte. Isto devido não só à editoração, mas ao poder do campo-contra-campo, e lembravam-me a análise de Rovai (Livro chamado &#8220;Imagem, Tempo e Movimento: Afetos &#8220;Alegres&#8221; no Filme o Triunfo da Vontade&#8221;) de como o acontecimento (o Congresso Nazista de 30 e pouco) foi montado não para ser ele mesmo grandioso, mas para que a imagem deste fosse grandiosa (e assim deixar para a posteridade o que a cultura nazista denominava de ruína, o monumento ao qual a cultura remete como fundador de sua tradição). Voltando aos helicópteros sobrevoando os frágeis corpos de estudantes (estou traumatizada, hoje em dia basta ver um helicóptero para me sentir pequena e revoltada, isso é o poder destas imagens &#8211; elas dizem: cidadão, você não passa de um frágil corpo sob o poder de um estado moto-serra), o écrã os multiplica, pela coreografia de helicópteros que passavam sob o espaço aéreo da tomada da câmera, em 20 helicópteros, utilizando-se do fato de que a manobra de retorno do helicóptero está fora do campo (do écrã).</p>
<p><span style="color: #ab2bd3;">(o vídeo que vi não foi bem <a href="http://www.youtube.com/watch?v=F1TCuQTsvBk&amp;feature=related">este</a>, mas era parecido. do ponto  de vista da montagem era muito mais &#8220;artístico&#8221;. é possível que eu  ache que era Globo por tê-lo visto da Editora Globo?)</span></p>
<p>Nas tomadas próximas, apareciam explosões, talvez mais fumaça que fogo, mas ainda assim muito eficientes imageticamente, e corpos de estudantes saltando para longe da explosão )o que parecia, ou lembrava, da imagem cinematográfica da explosão como algo que produz um movimento de ar tão forte que lança os corpos centrifugamente. Mas, para além da própria forma como foram confabuladas as imagens do real, está o próprio fato de que tais imagens apareçam na mídia, e há ai um fenômeno muito mais perverso, de longa datação.</p>
<p>Quando as vi, além do meu estômago virar, passei a me perguntar: <strong>Que deu na Globo?</strong> Agora, será que a mídia passou de construtora de um discurso (imagem, fala e escrito) acerca do real, e passou a ser <strong>delatora</strong> de um estado perverso, ou será que há mais coisas entre a imagem e o real do que supõe nossa percepção socialmente emoldurada? Há algumas décadas os estudantes diziam que a mídia não mostra o que acontece: os movimentos estudantis somente apareciam em imagens como &#8220;impedimento de tráfego&#8221; (o que constitui um dos níveis deste discurso &#8211; perverte-se os ideais datados da revolução francesa num discurso de &#8220;liberdade do ir e vir&#8221;). Neste momento aparecem imagens do real desnorteadoras para mim, que não sou parte do grande público de Rambo, mas será que as mesmas desnortearam o grande público de Rambo? Ou será que por um (não tão longo) processo de educação dos sentidos este público está habituado a assistir as imagens (que me impactam como horror) como espetáculo, como entretenimento (a forma de transformação do tempo de não-trabalho em mercadoria a ser consumida), como lazer.</p>
<p>Para além disso, não está este público do Rambo acostumado a torcer por Rambo (que de um outro ponto-de-vista não seria mais que um covarde, detentor de todo o poder de fogo que um estado bélico e imperialista possa oferecer, e agindo em nome deste) como se ele fosse o mocinho, o &#8220;prince charm&#8221; que deve ganhar a batalha? Quem era o Rambo do filme da Globo sobre os ocorridos de <span style="text-decoration: line-through;">8 de maio</span> 9 de junho na USP? Os estudantes? Não. A polícia? Dias depois desmarquei aula para ir à manifestação que não saiu (dia 10) devido à chuva, e mais uns dias depois, meus estudantes disseram &#8220;esse povo da FFLCH gosta de apanhar, eles têm mesmo é que apanhar&#8221;. Vi este tipo de opinião em muitos outros que assistiram comento pipoca, às imagens na TV.</p>
<p>Retornando deste longo percurso, eu me pergunto: será mesmo que a Folha de São Paulo é o inimigo publico número um? Ou será que o inimigo público número um tem seus vários ramos, imersos nas mídias, nos institutos de pesquisa, nos discursos científicos, no cinema, atacando-nos na nossa hora de recreio, de lazer, e de leitura informativa, na forma de educação, de informação, de entretenimento, e como diz Clara Crocodilo, escondidos nos nossos cérebros, esperando o momento oportuno para nos atacar e aos nossos entes queridos?</p>
<p>A desconfiança com relação à quebra de uma regra: será ela apenas a manutenção de um ambiente em termos aceitáveis para todos os que façam parte dele, ou terá ela características mais perversas, mantenedoras de uma realidade social tal qual ela está?</p>
<p><strong>&#8220;A massa ainda comerá o Biscoito Fino que fabrico&#8221; </strong>(Oswald Andrade)</p>
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		<title>Saídas contra um novo Culto da Especialização</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 14:08:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Flavia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Para Mudar os rumos da Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[blogagem]]></category>
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		<category><![CDATA[ethos]]></category>
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		<description><![CDATA[Doni,
Me pergunto o quanto realmente temos de senso do real e do imaginário. Agora a tal frase de efeito para chocar (não sei ser de outro jeito, tendo a dar porrada pra tudo quanto é lado e conto com poucos amigos que são aqueles que recebem a porrada e me devolvem o safanão que cada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Doni,<br />
Me pergunto o quanto realmente temos de senso do real e do imaginário. Agora a tal frase de efeito para chocar (não sei ser de outro jeito, tendo a dar porrada pra tudo quanto é lado e conto com poucos amigos que são aqueles que recebem a porrada e me devolvem o safanão que cada um de nós precisa, inclusive eu, principalmente eu, que vivo de safanões).</p>
<p>A blogosfera é crítica, mas o seu ethos (maneira de agir no mundo) é puramente este: crítico. Não almejo com isto nenhuma tautologia. Apenas uma observação do que isso significa. Muitos de nós não escrevem as histórias que vemos. O que não foi publicado pela mídia criticada, jamais ocorreu. Dado isto a maioria de nós permanece ligado a um sentido de realidade (entendido freudianamente por esta streetdog) que critica, renega o que a mídia cria como acontecimento, mas não somos capazes de criar nossos próprios acontecimentos.</p>
<p>Há raras excessões e conto você entre elas. Esse nosso senso de realidade nos mantém ligados de certa forma à grande mídia. Não somos <a href="http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/" target="_blank">independentes</a>. Não somos capazes de olhar em volta e perceber outras realidades e dar voz ao que não tem voz na grande mídia. Permanecemos inclausurados na nossa relação de amor apache.<br />
Foi a partir de <a href="http://www.verbeat.org/blogs/donizetti/2009/04/o-culto-do-especialista.html">textos como este</a> que iniciei a me questionar sobre o meu próprio senso de realidade, a começar a tentativa de radicalizá-lo (você não pode reclamar, pois é o culpado, ou então reclame), e de torná-lo independente desta relação perversa que constitui numa certa forma de propaganda. Ao falarmos mal da mídia (deve-se fazê-lo com certeza) permanecemos presos a ela, e realizamos o &#8220;falem mal mas falem de mim&#8221; uma forma de propaganda desta.<br />
Talvez o autor<img class="alignleft" src="http://lh6.ggpht.com/_N1h2IykwdBg/SdQRLfosgMI/AAAAAAAAAuE/9cl7glg57jU/s288/c1262.jpg" alt="" width="195" height="288" /> dessa maravilha de cachorro-morto pronto para ser chutado a vontade que é esse livro do Culto ao Amador esteja sem querer tocando, através um ponto de vista imbecilmente mal-colocado e enviezado, um ponto de ferida. Também a teoria de que o sol e os planetas circulavam a terra no centro do universo estava furada, mas funcionava para que os astrônomos da corte pudessem ter capacidade de prever eclipses e conseguir assim um poder como oráculos reais. Não se pode descartar sem mais a eficácia e o poder de simbologias que funcionem, mesmo que seus pressupostos estejam furados. Assim demonstram historiadores da Ciência, como <a href="http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/ep2/kuhn/kuhn.html">Tomas Kuhn</a>, ou <a href="http://books.google.com.br/books?id=8CsdfSH_X3wC&amp;pg=PA280&amp;lpg=PA280&amp;dq=Fleck+denkstil&amp;source=bl&amp;ots=c1mUT9Fzgy&amp;sig=8y20S9SCAMY2gqls-eM9Epz9juE&amp;hl=pt-BR&amp;ei=E2UuSozBMNSLtgeF-8CLDA&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=6">Fleck</a>, que as novas teorias tem que dar conta do que as teorias antigas conseguiam prever, mesmo que se adote o ponto de vista de que suas bases eram errôneas, para serem capazes de propor um novo campo de ação científica (chamada por Kuhn  de paradígma).</p>
<p>Por isso eu me pergunto: para além da desconstrução deste livro, será que ele nos aponta, identifica, um fenômeno verdadeiro, mesmo que a interpretação deste seja furada? Em que medida este fenômeno trabalha contra nós? Por mais que sem mesmo ter este propósito, o autor tenha jogado pedras enquanto nos observa lutar contra a gravidade estupidamente ao tentarmos o caminho das águas ao invés do das pedras, por mais que ele se divirta com o fato (pois suas reais causas não são problema seu) e continue a nos jogar pedras enquanto tentamos em vão nos apoiarmos em algo que não vai nos dar apoio, que é a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tens%C3%A3o_superficial">tensão superficial</a> dessa àgua, capaz de suportar alguns insetos mas jamais o corpo humano, não estaria ele a nos indicar um problema ao qual devemos dar certa <img class="alignright" src="http://www.vestibulandoweb.com.br/biologia/teoria/tensao-superficial.jpg" alt="" width="263" height="167" />atenção? A ele não interessam as causas, portanto se ele culpa o fenômeno e deixa as causas intocadas, devemos nós também deixar as causas intocadas?<br />
Enquanto enxergamos as ações da igreja sobre a AIDS, permanece invisível <a href="http://www.ucpress.edu/books/pages/10382.php">que o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, vem destinando os recursos de estado para o financiamento de pesquisas que renegam que a AIDS seja causada por vírus</a>. Além de vendermos o sofá, deixamos de ver que nós mesmos estamos abrindo as portas de casa e convidando os amantes pra entrarem.<br />
Não estaríamos nós mesmos reproduzindo o culto da especialização? Nossos blogues se tornam especializados, com um público próprio que permanece vinculado aos mesmos assuntos e criamos um círculo vicioso ao não propormos outras discussões, ao não alertarmos a outras questões. Como os próprios jornais nos dobramos a<a href="http://www.db.com.br/noticias/?56617">o fato de que ninguém quer ler sobre o novo</a>, e por isso não o escrevemos?</p>
<p>Permanecemos confortáveis no nosso ethos crítico. Deixamos que outros acontecimentos nos escorreguem como areia por entre os dedos enquanto nos agarramos à muito mais palpável realidade dos acontecimentos gerados pela grande mídia.Concordo: é grave mesmo a cultura da especialização.<br />
Sou uma observadora privilegiada disso pela posição em que me encontro neste momento. Entre os mundos destas realidades. Falo da <a href="http://liberdadedeexpressao.net.br/glossario/#gloss5">Confecom</a>. A posição privilegiada de observação não constitui num privilégio real em termos de poder. Vem ao contrário de uma posição em que observo os acontecimentos enquanto eu mesma sou impotente para fazer algo a respeito. A única dimensão de participação democrática jamais antes criada na nossa história &#8211; observo-a ocorrer sem o menor conhecimento da população. Os blogues, que seriam um dos meios mais independentes de divulgá-la e discutir sobre ela, pois pela via do seu ethos crítico eles seriam capazes de fazer com que seus muitos leitores tomassem conhecimento da coisa, de criar um efeito multiplicador dos esforços na sociedade, de evidenciar os meios da modificação de seu próprio ethos (de crítico à pragmático, pois se trata de um assunto pragmático &#8211; para além da negação de uma lei, a criação de novas leis das comunicações), de criar uma rede cidadã entre eles &#8211; assim como criaram uma rede crítica, de ampliarem a discussão e amarrar as pontas entre a lei Azeredo e o nosso grupo (onde me incluo na categoria de blog que é visitado por 3 caras &#8211; ou seja, uma ninguém) e os demais grupos na sociedade que estão tentando com toda a força que eles têm não só defender-nos, como alternativa a uma mídia poderosa, mas também defender as outras alternativas &#8211; as rádios comunitárias, as TVs comunitárias, os mecanismos de resposta das pluralidades presentes na sociedade às grandes mídias que nos padronizam.</p>
<p>Vejo com horror essa areia formada por <a href="http://liberdadedeexpressao.net.br/glossario/#gloss4">pequenas células combativas na nossa sociedade</a> nos esvair entre os dedos enquanto continuamos a dar o primeiro grau de importância ao que diz a grande mídia. E dessa forma a primeira oportunidade pragmática em nosso grupo se esvai, a primeira oportunidade pragmática de dialogarmos com outros ramos na nossa sociedade se esvai. A primeira experiência de democracia participativa em nível nacional se esvai sem mesmo uma nota de obtuário, pois desta forma será também a última e aguardaremos que as gerações vindouras sejam capazes de re-criá-la num futuro incerto. E eu terei em dezembro a oportunidade sem igual de fazer um único obituário benjaminiano sobre as oportunidades perdidas, sobre a história dos vencidos, o que, sinceramente, não me agrada. Meus 3 leitores dirão: você tem razão, mas será que fico feliz ao tê-la? Nem sempre quando temos a razão temos a verdade. E me apoiarei em Hannah Arend, A Condição Humana, para nesse glorioso post vindouro que será lido por 3 leitores, dizer que a verdade nos escapa. E tristemente terei que remeter ás suas palavras, e pervertê-las ao observar que a informação torna-se livre e a democracia (real, não representativa) sai desse processo enfraquecida.<br />
O achismo é neste aspecto, algo que não está sendo confrontado. Observo isto com estranheza nos blogs que leio. Não entendo o porquê, pois foram os próprios blogs os formadores de um ethos que vai atrás da informação, e a oferece em lincagens. A blogosfera foi capaz de criar um exército de pesquisadores, de formar um ethos &#8220;não aceite simplesmente uma opinião, vá atrás dos dados&#8221;. Ao que se deve então o fato novo? Esse fato bizarro de que os blogues andam falando de Confecom an-passant, sem problematizá-la, sem oferecer links, sem formar uma rede? Faça uma procura nos blogs mais combativos e você verá com seus próprios olhos o fenômeno. Sinceramente, não o compreendo. Justo os blogs que estão a criar fatos novos – a petrobrás abre um blog e os jornalistas a acusam de romper sigilo de informação enquanto nós blogueiros nos deliciamos com esse novo ethos que criamos, de botar tudo – toda a informação à disposição &#8211; ser copiado brilhantemente pela petrobrás (uhú!!!). Ao mesmo tempo, muitos dos blogs que admiro de paixão remetendo o leitor para longe dos acontecimentos, com seus comentários an-passant que por mais que não seja por mal (pois vem de seu próprio vício com o que seja ou não “acontecimento”), estão dizendo aos leitores algo como “não precisam se preocupar, pois temos representantes e eles vão dar conta de nos defender, de defender nosso rincão, que é a blogosfera crítica” (e que diz também que o resto do mundo &#8211; rádios e TVs alternativas, que se exploda).</p>
<p>Como disse acima estou entre os mundos: sou um blog sem consequências, mas também sou uma cidadã desvinculada de ONGs e partidos. Do ponto de vista de cada um desses grupos observo um certo conforto que vem do fato de cada um dos partidos, ONGs e grandes blogs estarem a conversar com centenas de pessoas. E há uma grande margem de intersecção entre os grupos, pois os mesmos blogueiros são de partidos, ou amigos de outros em partidos, e esses outros são ao mesmo tempo de partidos e de ONGs, e observo que a percepção dessas pessoas, vinda dessa conversa com centenas que não se multiplicam nem expandem, mas que é no seu conjunto talvez um milhar que se repete nestas centenas com a qual cada qual tem contato. A percepção de cada um parece ser de estar falando com o Brasil <img class="alignright" src="http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/interseccao1.jpg" alt="" width="244" height="191" />inteiro, mas acho que podemos crer que não: estamos falando com os mesmos grupos fechados. Talvez dai venha o conforto do comentário an-passant. Ele não é de forma nenhuma malicioso, é apenas mal-informado.</p>
<p>Nos meus passeios entre esses mundos fui visitar uma reunião Pró-Confecom na Câmara em São Paulo e creio que eles são os mais cientes, as ONGs, de que é preciso divulgar a coisa, mas ao mesmo tempo em que estão envolvidos num processo que já está em curso e lutando com unhas e dentes contra as perdas, e o corte dos recursos, observo que eles não tem muito mais material humano para agarrar esta areia da divulgação que nos escapa a todos &#8211; eles tem duas mãos e o mundo, e no momento mais que duas de cada uma destas mãos estão envolvidas nas negociações com o governo e os representantes das empresas de comunicação e correndo o perigo que tudo vá por água abaixo, portanto é de se compreender que é difícil realizar além disso a tarefa da divulgação, por mais que eles já estejam tentando há tempos e com empenho.ver, <a href="http://liberdadedeexpressao.net.br/2009/06/07/repressao-em-seminario-que-discutia-liberdade-de-expressao/">este</a>, <a href="http://liberdadedeexpressao.net.br/2009/06/03/conhecer-e-poder/">este</a>, <a href="http://liberdadedeexpressao.net.br/2009/06/01/os-videos-dos-pro-conferencias-na-internet/">este</a>, e <a href="http://liberdadedeexpressao.net.br/2009/05/28/82/">este post</a> como exemplos bem singelos da coisa. Impossível ter uma figura ampla desses diversos trabalhos de formiguinha.</p>
<p>Que mais é preciso para que os blogs dêem uma mão? Que essas entidades que estão lutando contra o tempo os procurem em total desespero pedindo sua ajuda? É justo pedir isto delas? Há algo na nossa ética que remeta a isso como nossa obrigação?</p>
<p>Mais um passeio por entre os mundos. Já não sou mais, há tempos, participante do movimento estudantil (fui, há dez mil anos atrás uma independente engajada, representante de um CA e me metia em todas, hoje sou de fora). Fui visitar estes jovens, que além de engajados, são bem informados, leitores de blogs e jornais, alguns destes blogueiros também (<a href="http://www.arlesophia.com.br/?p=634">veja este</a>, por exemplo). A pauta da reunião continha o pedido de propostas para debates culturais, filmes, para preencher os espaços entre atividades de greve. Me inscrevi, e comecei minha fala perguntando se algum dos presentes tinha conhecimento da Confecom, olhei em volta, uma reunião de umas quarenta pessoas, estudantes de sociologia e filosofia, história, geografia talvez alguns (pois era a reunião do prédio do meio): ninguém. Falei rapidamente sobre o assunto, posso dizer que se interessaram, mas a reunião tinha que decidir ações de greve também, então não me alonguei. Claro que o ausentamento dos blogs não explica que uma amostra razoavelmente engajada e bem informada da população esteja por fora, completamente, de um assunto como esses. Nem devem ser os blogs culpados por tal fato, mas até quando vamos nos ausentar e culpar a grande mídia? Está muito mais que claro que ela não teria o menor interesse em divulgar o assunto. Eu só pergunto: por que nós blogueiros não temos interesse em divulgá-lo.</p>
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