Gutemberg está morto?

Copio abaixo meu comentário no site da Carta Maior, que não foi recebido por que “ORA-01001: invalid cursor”, seja o que for que isto signifique.

“é preciso assegurar o fim da proibição à leitura de jornal. Também devemos elaborar políticas públicas – já que o mercado exibe sua incapacidade – para que os brasileiros assim como recebem do estado merenda escolar, remédios, camisinhas, dentaduras, bolsa família, também recebam jornais e revistas para a sua informação”

Parece piada, pois o Governo Serra esta dando conta disso. Não é dessa forma que o governo de São Paulo anda gastando verba pública para ajudar a Abril? Enviando Revistas Veja não só para escolas como para professores? Conhece a maldição do Gênio? Quando fazemos um pedido ele nos dá o que queremos de forma a nos fazer um mal maior que se não tivèssemos o que queríamos. A moral da história é sempre: tenha cuidado com o que você deseja.

Será que o público não lê jornal por ser iletrado, ou não lê jornal porque os jornais estão cada vez menos informativos, cada vez mais truculentos e sem-sentido?

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Mais alguns dados sobre a gripe suína

  • 36.000 pessoas morrem de gripe comum por ano nos EU (aqui)

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Audio-books e outras tecnologias

audio-livros, audio-libros… eles existem em muitas línguas, são bons para melhorar a sua atenção auditiva, neste mundo dominado pelo visual.

Onde você pode conseguir os audio-livros de domínio público:

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Agradecimentos pelo Conto

Nestes ultimos dias escrevi um e-mail a amigos pedindo ajuda:

demanda esquisita: seguinte: bateu cansaço do semestre inteiro, cansaço de Confecom, desdo começo do mês em stresse por causa das bombas nos alunos e tudo o que aconteceu na USP, semana passada mal do estômago, fumando feito cão sarnento, esta semana a gripe me derrubou 4 dias, e pra completar tô de TPM, inchada, dói tudo, até câinbra no pé eu tive…

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Conto

Suas moléculas começaram a perder coesão, assim como as da planta, do ar que seu peito cortava, se misturavam ao pavimento e o solo debaixo deste, começaram a se dissolver num gostoso movimento ondular que se prolongava na batida do seu pé contra a geléia do asfalto. Misturavam-se átomos de Juan ar, asfalto. O prazer que o invadia não era só seu: era do nitrogênio, clorofila, e cimento. O solo, com uma textura de teia de aranha, tocava-lhe as coxas, e continuava a penetrar-lhe em direção à braguilha. Todo ele, solo, planta, ventavam rumo à porta de entrada: o gerente o recebia como de costume, já não era gerente, continha uma difusão de ar e máquina registradora com notas verdes macias. Seu sabor se misturava ao das pastilhas de menta e chocolates, e aos números das notas e partículas soltas das fotografias de mulheres gostosas vindas de dentro das revistas. Anita, aquela delícia cujos seios vinham com moléculas de suor e leite aos seus lábios, partículas de gozo em dar ordens, o gosto salgado e metálico das bancadas de salgadinhos próximos ao caixa, carregados por marés de fótons vindos das estantes de cerveja.

O som do alarme. Ah, só mais um pouco… Suas pernas o empurram para fora da cama quente num movimento lento e deixa sua vontade sobre o travesseiro tão bom. Alarme de novo. Aperta o botão do relógio e olha o número que pisca: lembra o que significa aos trancos.

Já de café na mão, Juan sente o calor penetrar seus dedos e o aroma a lhe inundar o cérebro. Sorve, enquanto seus olhos se dirigem ao jornal que Carmen empurra em sua direção. Carmen. Raios úmidos de sol gelado refletiam sobre sua face inchada de sono. Ela é tão bonita.

“Muñequita…” ele mia. Ela volta seus olhos que se achinezam num início de espreguiçar.

Seus olhos lambem as notícias e sua língua se inunda de café quente. Subway collapses in Brazil. A las personas se las tragó la tierra… autorities discuss responsabilities… Metro company, técnicos del gobierno y de las constructoras. The major declares…

Seu pensamento se transporta no tempo e no espaço: Lembra-se de algo que ouvira na sua infância em Peñuelas, o padre dizia do pó viestes, e ao pó…

Olha a hora. Preciso acordar.

Sentia-se estranho. A voz de Carmensita lhe acariciava as orelhas, mas ele não compreendia. Era preciso fazer um esforço. O gato ondulava por suas pernas. Sua mão vai mecanicamente acariciá-lo. A hora.  Café. Vai como autômato e gira a água quente. As roupas com cheiro de sono viajam por sua superfície, sua cabeça passa pelo buraco da blusa. Sua pele nua sente o ar gelado da manhã.

Chega pela porta e o gerente de cara amarrada. Ele sabe o que fazer: vai cumprimentando os amigos: Diego está colocando o cartaz de preços de ofertas do dia. Peter, um dos poucos nascidos naquela cidade de merda, é um pé no saco e ele faz que não o vê dando ordens à Anita, quando ela é funcionaria assim como ele. Imbecil. Pablo, Buenos dias, Hagalo bien hecho! Ele responde a brincadeira dizendo: Si, mi general! Entra pelo estoque e pega as caixas de leite. Meia hora para abrirem as portas. A multidão se acumula à porta. Seus braços treinados colocam as caixas. Pronto. Vinte e cinco minutos. Carlos lhe dá buenos dias, mientras lhe passa shampoos que ele leva à estante certa. Arrumado. Quinze minutos. Coloca as tarjetas de preço no balcão dos chocolates, junto com o representante da Nestlé que arranja o produto na prateleira mais aos olhos das crianças enquanto o gerente lhe ralha que falta alguém pra receber as frutas que chegam. Cinco minutos.

Uma bomba de adrenalina lhe invade as veias, enquanto Juan ao chão vê em câmera lenta solados de sapato e pacotes refletindo muitas cores enquanto caem em direção ao seu corpo. Sua cabeça de encontro ao piso vê e sente muitas coisas: relembra um sonho esquecido enquanto sente o cheiro de shampoo dos banhos tomados cedo, a marca de desodorantes que Pablo arrumara à pouco nas prateleiras lhe chega à garganta que se aperta sob o peso. Vê o rosto de Carmen, e sente o gato como teias de aranha a roçar suas pernas. Por fim, transporta-se no tempo e no espaço e por um breve instante é um menino sentado ao banco da igrejinha de Peñuelas. Do pó vieste e ao pó voltarás são palavras que lhe acariciam as orelhas. Palavras que ele apenas sente e não ouve mais.

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A gripe suína, o pânico e o terror como instrumentos de crescimento de um novo Leviatã da saúde

Por que eu não escrevo sobre a gripe suína:

Muita gente (a classe médica em especial) fica falando por ai que a internet não é fonte confiável, e que os pacientes não tem o nível necessário para separar o joio do trigo. Sugiro a leitura desta página em que a classe médica dá asas ao seu imenso preconceito contra pacientes que tentam ser mais informados do que eles e uma olhada neste texto para contrabalancear.

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O Amuleto de Ogum

Eu ainda não vi, mas o Maurício (blog Cinema e Outras Artes) já me convenceu que vale a pena passar na sua vídeo locadora (ou talvez aqui), assistir e entrar na profundidade da discussão dele. Convido a todos: marque na sua agenda, veja e volte ao post do Maurício.

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Billie Jean, a Nega Maluca

Aqui estão os culpados por este post

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Simpatia para curar Tosse:

“Se uma criança tosse, traga uma vizinha nascida em Janeiro e em estado interessante para acudir o doente depois da meia-noite. Ela deve repetir várias vezes: “Tosse violenta, tosse sem fim, vai-te arrebenta, lá nos confins”

Deixa eu ver… Acho o Amapá um estado bem interessante, então é só achar uma nascida lá, que tenha se mudado pro Butantã, que seja de Janeiro, que não ache estranho ser convidada pra vir ao meu apê depois da meia-noite, e que esteja disposta a repetir qualquer papagaiada que se lhe peça. Bico!

A sério… há alguns sites que vc pode consultar sobre tosse. Um dos mais legais que encontrei foi o do Creasaúde, com contribuições do Brasil e de Portugal, o site tem um selo de informação verificada pelo HON (Health on the Net Foundation) . E o site do Dráusio Varella.

Mas eu diria que eles têm razão quando dizem “beba bastante água”. Isso pode fazer diferença entre a tosse seca (chamada improdutiva) e a tosse produtiva (que é assim catártica, digamos: você põe o problema pra fora). Beba água: não tem contra-indicações (e se não começar a expectorar, procure o médico: pode ser vírus, câncer, problema do estômago…)

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O coração feminino bate mais devagar

Impressionante o que se descobre a partir de uma simples tosse ingênua.

Não se diz que o diabo está nos detalhes? Há uma lírica nos detalhes…

Então começei da tosse seca de fumante. Passei na farmacinha de bairro e troquei uma idéia com aqueles conhecidos. Tava parecendo o início daquela tosse que vai ser o cão chupando limão. Além das mentas, mel, agrião e chá, resolvi escolher um charope que não fosse natureba.
Indicação: xarope contendo cloridato de clobutinol e succinato de doxilamina.

Parênteses: depois de anos longe do curso de biologia ainda tenho resquícios dessa de-formação que se impôs sobre meu caráter. Bateu a re-caída. O Biólogo é um garoto que chegou ingênuo, por amar a natureza num curso chamado Biologia, que lhe ensina que amor é coisa de boiola e que é coisa de criança ingênua -- o legal, o inteligente, não-emocional, não-ingênuo, ou seja, adulto, é odiá-la. ODEIE A NATUREZA.

Tá bom. Concedo. Parece exagero, então vamos a mais digressões, me afastando da história da tosse.

O ingênuo amante da natureza passa por um processo de socialização -- o que significa dizer, um processo de insercão num grupo, o que inclui tanto passar por certos rituais quanto deixar de lado certos valores prévios e absorver valores do grupo onde está sendo iniciado. Odiar a natureza é um desses valores.

E como se passa do amor ao ódio? Se você já quis deixar de amar alguém, e foi duro consigo mesmo, você decerto submeteu o outro (que já não é mais ser amado desde o momento que você resolve liquida-lo simbolicamente) aos seguintes processos:

  • um isolamento simbólico completo (ele nada tem a ver com você)
  • sujeição do outro, sua transformação em objeto de experimentos
  • sua redução a uma série de equações causa-efeito (passa a pensá-lo como previsível, manipulável, dado estímulo x, você tem o resultado y)
  • como você não conhecia estas 3 “verdades” acima, antes, crê que estava sobre o domínio de uma força que desconhecia, agora você tem os olhos bem abertos e será você que dominará sobre estas forças (e se vingará pelo período em que esteve sob o feitiço do outro)

É similar com a forma como o Biólogo passa da admiração, fascinação, ao controle e ódio. “Natureza” passa a ser objeto de ser picada, centrifugada, extirpada de seu contexto e examinada nos seus contituintes mais simples. Se bem socializado, o Biólogo é aquele que não passa nem perto de ter pena do ratinho sacrificado, do inseto rasgado vivo ao meio para extirpar-lhe o intestino médio. Uma vez eu cheguei ao cúmulo da eficiência, que foi, ao invés de arrancar a primeira porção do torso do inseto com o primeiro par de patinhas que jogados no lixo ficava horas se mexendo, e só depois arrancar o abdomem onde estava o intestino, arranquei só o abdomem pra tirar de vez o intestino e criei um monstro que passeava sem abdomem pelo laboratório por mais que uma hora. Ah, sim, o biólogo cronometra o evento. Para ele o inseto não sofre.

Impressiona a maneira como eu, bem treinada em biologia, era capaz de deixar de amar rapidamente outros seres humanos. Me apaixonar, me frustrar, tornar o outro objeto, manipular, jogar fora, era técnica aprendida. Até o momento em que me dei conta: não era essa a pessoa que eu queria ser. Essa era a pessoa que me diziam para ser. Foi o momento em que decidi amar até o fim. Decidi que so assim, qual a sereia de Cristian Andersen, ganharia uma alma.

Acerca do tipo de personalidade que é dura consigo mesma, é totalitária. Hitler se tornou o herói da multidão por ser duro consigo mesmo -- se ele mesmo se sujeitava inteiramente à sua própria autoridade, ao Triunfo da sua Vontade, então a nação devia segui-lo como exemplo do que o ser humano alcança pelo controle.

Os alunos de Bio frequentemente competem pra ver quem tem mais controle -- seja sobre o nojo, sobre o asco, sobre o metabolismo, a capacidade de matar bichos sem piscar, dar injeções em pintinhos, matar o sapo com punção no cerebelo… se você consegue fazer isso, vira modelo -- isso é status no grupo, pela demonstração de controle sobre a sua própria natureza, assim como sobre a outra natureza, totalmente separada de si.

A tal da Tosse

Mas de repente a recaída. Do controle calculado sobre a minha própria natureza: sobre o meu corpo. O succinato de doxilamina causa sonolência, então não posso tomar e sair de moto. Mas é sexta-feira e estou voltando pra casa pra ficar de molho no fim de semana. Cloridato de clobutinol causa taquicardia. Legal, pensei, se o ritmo cardíaco acelera, ajuda a circulação levar defesas e limpar toxinas.

Isso eu li antes de comprar.  Pago 15 pau, vambora pra casa.

Chegando, fiz aquilo que todo gripado deve fazer: caldo quente, banho, pijamão, e cama.

Levo junto as mentas, méus, e o xarope. Começo a ler bula. Bla blá, aquilo que eu já tinha lido no Reference book da farmácia, agora a dúvida: mulheres grávidas não devem… mulheres amamentando não devem… (esquisito), mas não parecia nada que tivesse o efeito de interromper gestação, fiquei curiosa e googlei informações.

Descobri que o componente cloridato de clobutinol havia sido retirado de circulação mundialmente… não é a primeira vez que me deparo com remédios, com essa mercadoria cheia de valor agregado, fruto de investimentos maciços, e quando não se pode realizar o lucro dessa mercadoria nos mercados de primeira linha, onde elas vêm parar? No 3o mundo.

Algo semelhante acontece com o paracetamol -- Chá pra gripe, remédio pra gripe, pra dor de cabeça… tá cheio de produto com isso. Paracetamol pode causar Falência Aguda do Fígado. Tradução: se você for sorteado, … se você tomar isso e for sorteado, diga adeus de vez ao seu fígado, como se ele fosse um bichinho de estimação atropelado por um Scânia a 180 Km/h bem na sua frente.

É claro que isso acontece com uma porcentagem mínima da população.

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