A culpa é da minissaia?

Concordo, Thiago. Aliás, exatamente. Na mosca. Não tem nada a ver com a minissaia. Esse é o X da questão.
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Ouvi rádio, vi programas de TV e visitei fóruns de discussão, e as pessoas estão discutindo a minissaia. É como se insistissem em comer a casca e jogar a fruta fora. E isso por si só já é fascinante para uma socióloga. O post sobre minis está ai só pra relativizar a coisa mesmo: o que ocorreu com minissaias, ocorreu com saias curtas, ocorreu com calças, sutiã, etc. Não se trata de minissaia, realmente, nem de quanto esta era curta ou não.
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Sabe o que eu achei interessante entre os que justificam o ocorrido? (inclusive os que dizem que “não era pra tanto”, pois estes estariam expressando que era para a moça ser punida, apenas discordam da punição “em grau”, digamos). Esses discursos revelam um modo de pensar pelo qual a presença do corpo feminino revelado aos olhares constitui-se numa ofensa – gostaria de enfatizar esta última palavra, note bem: uma ofensa – que mereceria resposta. A vítima é tornada ofensora. Variante desse discurso é o “ela deveria saber” que encontrei tanto nos fóruns de discussão, quanto em pessoas entrevistadas pela TV sobre o assunto. Chamo atenção por exemplo, para uma consultora de moda de um desses programas de TV – nunca vi mais gorda, pois não assisto TV, mas fuçando vi que é figurinha que tem um programinha sobre “moda” – dizendo exatamente isso: “não era para tanto…“mas ela deveria saber.” Ou seja, a culpada é a vítima. Muito interessante…

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Sabemos que não tem nada a ver com a minissaia, talvez tenha a ver com o corpo feminino como ofensa a todos – hooliganzinhos machos e fêmeas presentes. Se no caso tivéssemos um menino sem camisa, um menino de cuecas, ou mesmo um menino pelado, acho que a reação haveria, mas duvido que seria a mesma (acuado, perseguido e ameaçado grupalmente de estupro? não creio). Então, o fato de ser uma garota, e de que garotas simbolicamente estão sujeitas a um tipo de cossa pública desse tipo, que envolve a ameaça de estupro grupal por meninos e meninas …

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O estupro (e bem entendido, o estupro grupal) seria, neste vocabulário dos sentidos partilhados por todos os hooligans da uniban, o limite, a forma mais acabada de humilhar uma menina que eles isolaram da multidão.

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A libido de todos foi “naturalmente” tão instantaneamente canalizada para a revanche que isso só já colocaria várias perguntas:

1. O que explicaria essa canalização de libidos tão instantânea para a violência com uma só vítima?

2. a energia de uma libido que se libera com tal força sugere a repressão de libidos, e talvez a sua não sublimação (a não utilização da energia psíquica reprimida para outras tarefas)

3. (nem eu sei onde estou indo, se alguém mais quiser ajudar, esteja bem vindo). Por outro lado, a identificação arbitrária de uma vítima comum foi muito instantânea. Dizer posteriormente que estava claro que ela seria vítima (o “ela devia saber”), é diferente de haver uma regra de conduta prévia. Essa regra não existe: são os atores do  processo (e os que os justificam) que dizem isso após o ocorrido.

4. Claro que estereótipos agiram ai. Foram as ferramentas linguísticas usadas na identificação de uma vítima comum. Mas creio que mais básico que isto, e portanto, mais importante, é o fato de haver a necessidade nesse grupo de jovens (necessidade que pelo jeito se encontrava latente, represada, pronta para estourar na mínima falha) de fazer uma vítima. Então o fato mais básico ao qual assistimos foi a necessidade de um grupo de dar um jeito de identificar – da forma que for – uma vítima, e transformar essa vítima em comum em uma festa.

4. uma festa – isso é o que me lembra Nietzsche, no caso. “o fazer sofrer causava um prazer imenso à parte ofendida: fazer sofrer! Isto era uma verdadeira festa!” são as palavras em Genealogia da Moral que ecoam na minha mente quando vejo aquilo: o gozo daquela multidão. Estava muito claro que a vítima estava mesmo muito apetitosa pela forma como todos, num êxtase, se juntaram ao banquete sem nem perguntar se estavam convidados.

5. E se a verdade que procuramos está na inversão dessa lógica? Não que “o fazer sofrer cause prazer imenso à parte ofendida” (o que seria a origem das nossas idéias mais nobres de justiça e bem). Mas e se o raciocínio inverso  é que faz sentido? Ou seja, que o prazer imenso de fazer sofrer impõe que se justifique isso por meio da ofensa que a vítima teria impingido aos seus algozes? Isso não é culpar o sabor da carne da presa pela fome do predador? E o que isto sugeriria, afinal?

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Não tenho respostas, apenas perguntas e mais perguntas se acumulam, o que acho bom, pois respondê-las de forma fácil e suscinta seria encerrar um assunto, e talvez isolá-lo de nós como uma curiosidade, um quebra-cabeças interessante, mas terminado. Mas todos sabemos que não se trata de um fato isolado. Todos sentimos que o ocorrido tem mais a ver com nossas mazelas sociais.

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Em Defesa da Mini – contra o linchamento

Minis já têm certa história. A foto acima, da Liga de Moças Alemãs, é de 1941. Mas antes delas, uma geração de mulheres (flapper girls: mulheres que usavam saias curtas, gostavam de jaz, usavam maquiagem, bebiam e dirigiam automóveis – tudo isso considerado imoral), nos anos 1920.

Louise Brooks, 1927

Louise Brooks, 1927

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Em 1960 minivestidos e minissaias viraram moda, símbolo de liberação feminina, usados por feministas. Diz que Germaine Greer e Glória Steiner usavam. Mas não deixou de ter feminista contra a minissaia. Designers famosos pela popularização da minissaia nos anos 60: Mary Quant e André Courrèges.

Minissaias são um objeto de cultura, uma construção histórica de mais de 60 anos de aceitação na nossa cultura, particularmente na chamada alta-cultura, no terreno simbólico da contestação do lugar da mulher e na arte.

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Mulheres já foram hostilizadas por suas vestimentas muitas vezes na história da barbárie/civilização. Exemplos disso devem ser incontáveis, mas para citar um que é famoso, me lembrei do tribunal de inquisição que julgou Joana D’Arc. Sem poder provar que ela fosse herege, e sem conseguir colocá-la em contradição com o dogma católico durante os processos (pelo que entendi, Joana era iletrada, mas era muito inteligente), o tribunal acabou por mandá-la para a fogueira mesmo assim. A acusação: ela usava calças, e isso era imoral.

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A sociedade permaneceu muito tempo resistente ao uso de calças por mulheres, até que no fim do século 19 e início do 20 essa resistência foi sendo vencida por mulheres que tomaram os postos de trabalho masculinos, e por feministas, contestadoras da posição da mulher na sociedade. Uma das defensoras do uso de calças para mulheres foi Marlene Dietrich. Além dela, aviadoras como Amelia Earhart. Mas antes delas, trabalhadoras, mulheres comuns.

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Interessante notar que o uso de calças despertava o mesmo tipo de reação, sendo considerada indecente, imoral, reveladora de formas femininas que deveriam ser cuidadosamente escondidas por camadas de saias, hoje é tido como algo normal.

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Outro exemplo do que foi indecente em outras épocas aparece no conto “Missa de Galo” de Machado de Assis. O conto não faz nenhum sentido se não compreendermos que a mulher que fica em casa com o estudante pensionista (enquanto o marido vai à missa) está mostrando ao estudante, enquanto conversam, partes do corpo que não devem ser mostradas: os tornozelos e os braços. O que seria, naquela época, uma infidelidade conjugal, hoje absolutamente não tem sentido nenhum de imoralidade.

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Que uma pessoa ache outra imoral, não é de impressionar. O que impressiona é o gozo daqueles alunos da uniban. O que, nesse caso, me lembra Nietzsche.

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O “Ficha Limpa”

Peço que desconsiderem o último post que só tem mer… porcaria, que quando a gente escreve no ímpeto do estarrecimento com um e-mail que recebemos ao acordar, devíamos botar os miolos no lugar antes de escrever besteira.

O que me frustra com essas petitions do tipo desse ‘ficha limpa’ é que se trata de uma visão tão classe média (burra) da vida pública e não só pelo que a ação isolada represente em si, mas em conjunto com todas as demais atitudes classe-média frente ao mundo (nenhuma), demonstram o que é esfera pública – ou qual o sentido de público – para esses seres humanos que acham que o mundo é algo que eles devem evitar.

Me explico noutra hora. Mas sobre o post anterior: é aberração, daquelas que você mete o pé na jaca e depois na boca. Desconsiderem.

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Confecom Paulista

Está para começar neste sábado 1o de agosto a etapa estadual da Confecom. Vamu lá, galera, você pode se inscrever, ou passar por lá só pra olhar, no mínimo você aprende um pouco sobre o que está ocorrendo, sobre ONGs, sobre esse tipo de relacionamento politico…

mais detalhes aqui

depois eu dou uma melhoradaa neste post.

Ah, se vc é de outros estados, dá uma googlada, todas as etapas estaduais estão para começar. Se encontrar alguma indique que eu posto, poste também… a nossa democracia tem que mudar.

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Vale Cultura? Para ajudar no tal do debate

Ah, Brazil, Brazil… um retrato de ti que tu desconheces. Leia o post, belíssimo, de Maurício no blog Cinema e Outras Artes

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Menina-Projeto ou Garota Interrompida?

Para mim é sempre assim: Será que gosto mais de dar início às coisas do que tomá-las como projeto de vida? Não sei responder a esta pergunta. Apenas que o que sinto é que há em torno de mim possibilidades inexploradas, e com relação a estas, eu poderia não fazer nada (pois estou confortável na minha profissão e sou razoavelmente bem sucedida). Então por que fazê-lo? (se não espero de meus projetos que revertam em uma alternativa de carreira, nem um lucro, nem fama e fortuna?)
Leia o resto desse post »

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Só para não ser apócrifa

Há tempos venho considerando  esta questão da apocripatifaria (é assim que se diz?). Como socióloga acho que devo dar o braço a torcer para qualquer um que diga que tendo a complicar as coisas. Cheguei a um têrmo neste momento e vou “sair do armário” antes que eu mesma mude de idéia (às vezes é melhor agir no impulso, às vezes é pior… como se diz: “o futuro a deus pertence”, repito apesar de ser atéia)

Então tá: só pra não ser apócrifa:

Flavia de Paiva Brites Martins

mãe: brasileira

pai: vindo do Campo de Víboras aos 5

RG: 23.019.957-4

CPF: esse eu não dou

se quizer ler mais bobeira clique abaixo:

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Notícias de Honduras

do blog Por Honduras Libre.

Compañeros y compañeras:

Unas mil personas se encuentran atrapadas entre los comandos elites del ejercito en Alauca, municipio de El Paraiso, departamento de El Paraiso, a diez kilometros de la frontera con Nicaragua, a quienes en el marco del Estado de Sitio no se les permite circular para comprar alimentos o agua. Tampoco se permite a los habitantes del municipio de El Paraiso movilizarse a hacer compras mucho menos a solidarizarse con los manifestantes, provocando con ello una emergencia humanitaria debido a que despues de dos dias de haberse movilizado estan desfalleciendo de hambre, sed y enfermedades porque beben de quebradas contaminadas, comen cualquier cosa y se encuentran muchas personas enfermas, a quienes los militares impiden ser evacuadas,

ler no próprio site

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Blogos-Fera Critica

Este texto surgiu no espaço de comentários do post “Respostas a Algumas Perguntas Frequentes”, do Biscoito Fino e a Massa, em resposta a Alexandre Nodari,  que comentou eu.

Alexandre,

“Essa história de “formar uma rede” é totalmente equivocada, mesmo se for caso de ativismo. Formar uma rede é o que as empresas e instituições tentam fazer.”


Então me diga como ficam os “cidadãos” atomizados frente a um poder que ele desconhece, de entranhas burocráticas e de conchavos, um sistema muito acima e para além dele. O “cidadão” (coloco o cidadão entre aspas e explico depois) … o “cidadão” moderno me lembra o ser humano pintado por Benjamim na modernidade da guerra: seu frágil corpo nada pode frente à imensidão de uma máquina de guerra.

Assim também é a política. Ao “cidadão” se dá o poder de apertar os botõezinhos de quatro em quatro anos. Sujeito a uma máquina de propaganda, uma máquina de CPIs e de criação de discursos, uma máquina cujos entremeios Kafkanianos ele desconhece, ele vai com fé (?) de quem por fim, sabe das coisas, apertar botões a cada 4 anos.

Quando se pega um assunto de interesse cidadão (sem aspas) – pois
não se está a tentar a fama por meio de uma discussão qualquer acerca da vida de Michael Jackson, mas de um processo que envolve um sem-número de brasileiros e que vai retornar -
na forma de leis à todos os brasileiros como norma, à qual
todos, mesmo que não rousseanamente envolvidos na feitura da lei que obedecemos, mas num momento posterior, no momento de sua
aprovação, atinge a todos como suditos desta república, e é,
portanto de qualidade diversa de qualquer outra discussão de blog, ou post.

Quando se deixa de ver que um post é qualitativamente diverso de outro, estamos num mercado de posts.

“toda manhã, para ganhar meu pão
vou ao mercado, onde se compram mentiras.
cheio de esperança

alinho-me entre os vendedores.”

(Hollywood, Bertold Brecht, tradução de Aroldo de Campos)

E como todo post, e assim, todo blog, é equivalente geral, passa-se a aplicar a ele as regras da troca como se fora um equivalente, uma
mercadoria qualquer. “Michael Jackson”, “Madona” e “disputa entre movimentos sociais e empresariado pela democratização ou manutenção das coisas como estão” passam, no universo de blogs, que me parece um mercado, a estarem sujeitas às mesmas regras de troca, de propaganda indireta (já viu que a propaganda hodierna não é direta? ela não diz: compre isto para fazer X, ao contrario, ela diz “o produto Y é tããããão legaaaalll, e nem diz o porquê).

Por isso se aplica a mesma regra a tudo, assim como no mercado a mesa (primeiro capítulo de O Capital) feita com arte, que leve ao artesão a sua vida para compor, tem um preço e entra na mesma régua monetária que a mesa feita em dois segundos pela indústria. São mercadorias, e isso lhes rouba a qualidade, ou o espírito – têm cada qual apenas um valor de troca, que as torna comparáveis.

Portanto, o pedido de linkagem é todo – cada qual – todo comparavel por que denota cada um, sem diferenças, uma e só uma
coisa, ou (será que?) a cabeça do blogueiro só pensa por meio de uma regra que reduz tudo ao mesmo mercado de trocas? E, dentre as moedas de troca estão as linkagens e dentre os prêmios a fama e os pêmios de melhor blog. A estas regras são submetidos todo e qualquer assunto (?), a partir da chamada “boa maneira blogueira”, como se os assuntos não fossem de qualidades e esferas distintas (tanto Michael Jackson quanto Confecom tem o mesmo valor de
troca, como se do ponto de vista politico eles fossem a mesma coisa?)

Assim, toda a proposta de formação de rede aparece no mercado de posts como se fosse a formação de quadrilha visando a fama, ou o prêmio, pois o “blogueiro” já não vê diferença entre isto e um ativismo “saudável”, uma alternativa do “cidadão” atomizado frente à máquina politica, uma tentativa de invenção de um mecanismo político não tão novo, mas modernizado (todo sujeito político torna-se político não pelo isolamento, mas pela associação. que esta se faça por blogs é só usar o recém-existente para re-criar em novos termos o previamente existente).

Deixa-se escapar as brechas que existem como se fossem coisas “que só empresas e instituições fazem” (?). (a respeito de instituições, me lembro como se fosse ontem o momento em que deixei a minha infância conceitual e passei a entendê-las de outro ponto de vista: foi quando, num banho de água fria, uma professora de sociologia disse que não é porque as instituições tenham um mesmo nome – como “escola”, por exemplo – que elas representam a mesma coisa: passei a tentar enxergar para além do nome, cada instituição em particular – por ex, sabemos que PT e PSDB estão sujeitos às mesmas regras do jogo polítco, mas ao mesmo tempo são instituições diferentes, para além das regras que as moldam grosso-modo).

Mas voltando à essa ideia de que “redes” é o que empresas e instituições fazem: isso quer dizer que o recurso é eficiente, e por isso as esquerdas perdem campo em deixar de fazê-lo, pois abrem um vacuo ocupado pela direita e com isso abrem seu flanco, ou que é um recurso do mal? Não seria ingenuidade pensar dessa segunda
maneira?

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Jovens passavam fome e dormiam com ratos nas colheitas de Limão (SP)

Nunca é demais eu falar para lerem o blog do Sakamoto. Então, se você ainda não conhece, comece por aqui. Perdi a vontade de tomar suco de limão.

“Combater a fome é bordão citado por políticos em eleição, empresas que querem limpar a barra, entidades não-governamentais e personalidades públicas em busca de redenção social. Desde que fique na superficialidade das ações cosméticas. Mudanças estruturais significam transferência de terra, recursos financeiros, direitos. Significa mudanças de comportamento dos mais ricos, incluindo padrões de consumo e padrões de lucratividade, para saciar a fome dos mais pobres. Ou seja, colocar em prática alguns conceitos de igualdade. Aí a porca torce o rabo. Vem a turma do deixa-disso, não seja radical, o mundo é assim mesmo, uns comem muito outros pouco e vai se levando, olha a legalidade, respeite a propriedade… Traduzindo: mudar sim, desde que tudo fique como está.” Post Você já Comeu Hoje? de Sakamoto

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