Categoria Sem categoria
Incineração vs Reciclagem
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 15 de December de 2009 às 12:24
Este texto no blog do Nassif – sobre a possibilidade de adoção de incineração de lixo no Brasil – me deixou preocupada. Há tempos a China adotou o modelo da queima do lixo. Não foi nem está sendo bom para a China e nem para o resto do mundo.
Estamos falando de grandes queimas de lixo. O cheiro que esses incineradores produzem, diz-se, pode ser sentido por uma milha. Os gases e fuligem produzidos por esses incineradores formam uma nuvem chamada de Nuvem Atmosférica Marrom (ABC, Atmospheric Brown Cloud) que hoje se estende da Península Arábica à Coreia. Na primavera ela se desloca para o leste, podendo chegar à Califórnia.

a foto de satélite mostra a extensão da nuvem
Localmente a ABC vem sendo responsável por um aquecimento atmosférico que pode ser o responsável pela aceleração do derretimento da capa de gelo na região do Himalaia, mas também pode estar ajudando a mascarar os efeitos dos gases estufa por suas características reflexivas. De acordo com relatório de 2008 da UNEP (Programa ambiental das Nações Unidas), de Beijing a Nova Delhi essa nuvem de gases e poeira com mais de 3 Km de altura tem bloqueado parte da luz solar: O dia nas cidades da região tende a ser de 10 a 25% mais escuro (em comparação com a década de 1950). Quem visita cidades como Shanghai acaba aprendendo um vocábulo cunhado na Revolução Industrial inglesa: Smog (mistura de “smoke” e “fog”, em outras palavras, algo que parece neblina mas é fumaça). Hoje em dia a smog é parte constituinte da paisagem nessa região.

Os impactos à saúde humana são de grande monta: estima-se que 340.000 pessoas morrem por ano na China e Índia devido à causas que podem ser diretamente retraçadas a esse tipo de poluição. Em relatório de 2007 o Banco Mundial responsabiliza a poluição por 750.000 mortes só na China. As queimas são um dos principais responsáveis: jogam na atmosfera grande quantidades de poluentes. Não só CO e CO2, mas também sulfatos, mercúrio, dioxina e outras partículas orgânicas que podem causar não só doenças respiratórias e cardiovasculares, mas atacam também o sistema nervoso (efeitos, em especial, da dioxina e do mercúrio).
Ao passo em que na China a população protesta contra a construção de mais incineradores e pelo uso de medidas menos poluentes do ar, os produtores dessa tecnologia buscam novos mercados e o Brasil está na mira dessa indústria. Não é possível que só os catadores achem isso absurdo e que só de causas diretas – como a possibilidade de perdas de empregos – se faça essa discussão. Não é possível que sejamos incapazes de olhar para o exemplo da China e aprender com ele, ao menos, o que não deve ser feito.
Há, sim, novos modelos de incineradores, que realizam uma combustão mais completa e jogam menos partículas tóxicas no ar. Entretanto, os elementos tóxicos se concentram nas cinzas produzidas. Ou seja, viram cinzas altamente tóxicas que contém esses mesmos componentes que estão causando tanto estrago. Está claro que o modelo de redução de tóxicos para por ai e que nem mesmo o destino dessas cinzas está resolvido. Na China eles são jogados no ambiente, podendo contaminar o solo e a água. Ainda acredito que tenhamos mais capacidade que isso e que não será preciso chegarmos à situação em que estão os chineses, para entendermos que não é possível adotarmos esses modelos. O problema do lixo deve ser confrontado, mas será que essa é uma forma sustentável de fazê-lo?
.
Outros links com informações:
UnB detona! Uhúú! … garotada fica pelada pra protestar contra Uniban
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 12 de November de 2009 às 0:49
Protesto em frente à Uniban
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 12 de November de 2009 às 0:28

saiu no mídia independente a série de fotos e crônica feitas por Tchello sobre o protesto do dia 10. Há outra chamada agora para o dia 13.
Isso ai, vamos pelo menos deixar claro que não é por que toda a “facú” apoiou que o resto da sociedade acha eles fofinhos.
A culpa é da minissaia?
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 10 de November de 2009 às 10:46
Concordo, Thiago. Aliás, exatamente. Na mosca. Não tem nada a ver com a minissaia. Esse é o X da questão.
.
Ouvi rádio, vi programas de TV e visitei fóruns de discussão, e as pessoas estão discutindo a minissaia. É como se insistissem em comer a casca e jogar a fruta fora. E isso por si só já é fascinante para uma socióloga. O post sobre minis está ai só pra relativizar a coisa mesmo: o que ocorreu com minissaias, ocorreu com saias curtas, ocorreu com calças, sutiã, etc. Não se trata de minissaia, realmente, nem de quanto esta era curta ou não.
.
Sabe o que eu achei interessante entre os que justificam o ocorrido? (inclusive os que dizem que “não era pra tanto”, pois estes estariam expressando que era para a moça ser punida, apenas discordam da punição “em grau”, digamos). Esses discursos revelam um modo de pensar pelo qual a presença do corpo feminino revelado aos olhares constitui-se numa ofensa – gostaria de enfatizar esta última palavra, note bem: uma ofensa – que mereceria resposta. A vítima é tornada ofensora. Variante desse discurso é o “ela deveria saber” que encontrei tanto nos fóruns de discussão, quanto em pessoas entrevistadas pela TV sobre o assunto. Chamo atenção por exemplo, para uma consultora de moda de um desses programas de TV – nunca vi mais gorda, pois não assisto TV, mas fuçando vi que é figurinha que tem um programinha sobre “moda” – dizendo exatamente isso: “não era para tanto…“mas ela deveria saber.” Ou seja, a culpada é a vítima. Muito interessante…
.
Sabemos que não tem nada a ver com a minissaia, talvez tenha a ver com o corpo feminino como ofensa a todos – hooliganzinhos machos e fêmeas presentes. Se no caso tivéssemos um menino sem camisa, um menino de cuecas, ou mesmo um menino pelado, acho que a reação haveria, mas duvido que seria a mesma (acuado, perseguido e ameaçado grupalmente de estupro? não creio). Então, o fato de ser uma garota, e de que garotas simbolicamente estão sujeitas a um tipo de cossa pública desse tipo, que envolve a ameaça de estupro grupal por meninos e meninas …
.
O estupro (e bem entendido, o estupro grupal) seria, neste vocabulário dos sentidos partilhados por todos os hooligans da uniban, o limite, a forma mais acabada de humilhar uma menina que eles isolaram da multidão.
.
A libido de todos foi “naturalmente” tão instantaneamente canalizada para a revanche que isso só já colocaria várias perguntas:
1. O que explicaria essa canalização de libidos tão instantânea para a violência com uma só vítima?
2. a energia de uma libido que se libera com tal força sugere a repressão de libidos, e talvez a sua não sublimação (a não utilização da energia psíquica reprimida para outras tarefas)
3. (nem eu sei onde estou indo, se alguém mais quiser ajudar, esteja bem vindo). Por outro lado, a identificação arbitrária de uma vítima comum foi muito instantânea. Dizer posteriormente que estava claro que ela seria vítima (o “ela devia saber”), é diferente de haver uma regra de conduta prévia. Essa regra não existe: são os atores do processo (e os que os justificam) que dizem isso após o ocorrido.
4. Claro que estereótipos agiram ai. Foram as ferramentas linguísticas usadas na identificação de uma vítima comum. Mas creio que mais básico que isto, e portanto, mais importante, é o fato de haver a necessidade nesse grupo de jovens (necessidade que pelo jeito se encontrava latente, represada, pronta para estourar na mínima falha) de fazer uma vítima. Então o fato mais básico ao qual assistimos foi a necessidade de um grupo de dar um jeito de identificar – da forma que for – uma vítima, e transformar essa vítima em comum em uma festa.
4. uma festa – isso é o que me lembra Nietzsche, no caso. “o fazer sofrer causava um prazer imenso à parte ofendida: fazer sofrer! Isto era uma verdadeira festa!” são as palavras em Genealogia da Moral que ecoam na minha mente quando vejo aquilo: o gozo daquela multidão. Estava muito claro que a vítima estava mesmo muito apetitosa pela forma como todos, num êxtase, se juntaram ao banquete sem nem perguntar se estavam convidados.
5. E se a verdade que procuramos está na inversão dessa lógica? Não que “o fazer sofrer cause prazer imenso à parte ofendida” (o que seria a origem das nossas idéias mais nobres de justiça e bem). Mas e se o raciocínio inverso é que faz sentido? Ou seja, que o prazer imenso de fazer sofrer impõe que se justifique isso por meio da ofensa que a vítima teria impingido aos seus algozes? Isso não é culpar o sabor da carne da presa pela fome do predador? E o que isto sugeriria, afinal?
.
Não tenho respostas, apenas perguntas e mais perguntas se acumulam, o que acho bom, pois respondê-las de forma fácil e suscinta seria encerrar um assunto, e talvez isolá-lo de nós como uma curiosidade, um quebra-cabeças interessante, mas terminado. Mas todos sabemos que não se trata de um fato isolado. Todos sentimos que o ocorrido tem mais a ver com nossas mazelas sociais.
Em Defesa da Mini – contra o linchamento
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 8 de November de 2009 às 20:26
![]()
Minis já têm certa história. A foto acima, da Liga de Moças Alemãs, é de 1941. Mas antes delas, uma geração de mulheres (flapper girls: mulheres que usavam saias curtas, gostavam de jaz, usavam maquiagem, bebiam e dirigiam automóveis – tudo isso considerado imoral), nos anos 1920.
Louise Brooks, 1927
.
Em 1960 minivestidos e minissaias viraram moda, símbolo de liberação feminina, usados por feministas. Diz que Germaine Greer e Glória Steiner usavam. Mas não deixou de ter feminista contra a minissaia. Designers famosos pela popularização da minissaia nos anos 60: Mary Quant e André Courrèges.

Minissaias são um objeto de cultura, uma construção histórica de mais de 60 anos de aceitação na nossa cultura, particularmente na chamada alta-cultura, no terreno simbólico da contestação do lugar da mulher e na arte.
.
Mulheres já foram hostilizadas por suas vestimentas muitas vezes na história da barbárie/civilização. Exemplos disso devem ser incontáveis, mas para citar um que é famoso, me lembrei do tribunal de inquisição que julgou Joana D’Arc. Sem poder provar que ela fosse herege, e sem conseguir colocá-la em contradição com o dogma católico durante os processos (pelo que entendi, Joana era iletrada, mas era muito inteligente), o tribunal acabou por mandá-la para a fogueira mesmo assim. A acusação: ela usava calças, e isso era imoral.
.
A sociedade permaneceu muito tempo resistente ao uso de calças por mulheres, até que no fim do século 19 e início do 20 essa resistência foi sendo vencida por mulheres que tomaram os postos de trabalho masculinos, e por feministas, contestadoras da posição da mulher na sociedade. Uma das defensoras do uso de calças para mulheres foi Marlene Dietrich. Além dela, aviadoras como Amelia Earhart. Mas antes delas, trabalhadoras, mulheres comuns.
.
Interessante notar que o uso de calças despertava o mesmo tipo de reação, sendo considerada indecente, imoral, reveladora de formas femininas que deveriam ser cuidadosamente escondidas por camadas de saias, hoje é tido como algo normal.
.
Outro exemplo do que foi indecente em outras épocas aparece no conto “Missa de Galo” de Machado de Assis. O conto não faz nenhum sentido se não compreendermos que a mulher que fica em casa com o estudante pensionista (enquanto o marido vai à missa) está mostrando ao estudante, enquanto conversam, partes do corpo que não devem ser mostradas: os tornozelos e os braços. O que seria, naquela época, uma infidelidade conjugal, hoje absolutamente não tem sentido nenhum de imoralidade.
.
Que uma pessoa ache outra imoral, não é de impressionar. O que impressiona é o gozo daqueles alunos da uniban. O que, nesse caso, me lembra Nietzsche.
O “Ficha Limpa”
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 7 de November de 2009 às 9:49
Peço que desconsiderem o último post que só tem mer… porcaria, que quando a gente escreve no ímpeto do estarrecimento com um e-mail que recebemos ao acordar, devíamos botar os miolos no lugar antes de escrever besteira.
O que me frustra com essas petitions do tipo desse ‘ficha limpa’ é que se trata de uma visão tão classe média (burra) da vida pública e não só pelo que a ação isolada represente em si, mas em conjunto com todas as demais atitudes classe-média frente ao mundo (nenhuma), demonstram o que é esfera pública – ou qual o sentido de público – para esses seres humanos que acham que o mundo é algo que eles devem evitar.
Me explico noutra hora. Mas sobre o post anterior: é aberração, daquelas que você mete o pé na jaca e depois na boca. Desconsiderem.
Confecom Paulista
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 30 de July de 2009 às 14:11
Está para começar neste sábado 1o de agosto a etapa estadual da Confecom. Vamu lá, galera, você pode se inscrever, ou passar por lá só pra olhar, no mínimo você aprende um pouco sobre o que está ocorrendo, sobre ONGs, sobre esse tipo de relacionamento politico…
mais detalhes aqui
depois eu dou uma melhoradaa neste post.
Ah, se vc é de outros estados, dá uma googlada, todas as etapas estaduais estão para começar. Se encontrar alguma indique que eu posto, poste também… a nossa democracia tem que mudar.
Só para não ser apócrifa
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 27 de July de 2009 às 17:12
Há tempos venho considerando esta questão da apocripatifaria (é assim que se diz?). Como socióloga acho que devo dar o braço a torcer para qualquer um que diga que tendo a complicar as coisas. Cheguei a um têrmo neste momento e vou “sair do armário” antes que eu mesma mude de idéia (às vezes é melhor agir no impulso, às vezes é pior… como se diz: “o futuro a deus pertence”, repito apesar de ser atéia)
Então tá: só pra não ser apócrifa:
Flavia de Paiva Brites Martins
mãe: brasileira
pai: vindo do Campo de Víboras aos 5
RG: 23.019.957-4
CPF: esse eu não dou
se quizer ler mais bobeira clique abaixo:
Jovens passavam fome e dormiam com ratos nas colheitas de Limão (SP)
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 19 de July de 2009 às 19:03
Nunca é demais eu falar para lerem o blog do Sakamoto. Então, se você ainda não conhece, comece por aqui. Perdi a vontade de tomar suco de limão.
“Combater a fome é bordão citado por políticos em eleição, empresas que querem limpar a barra, entidades não-governamentais e personalidades públicas em busca de redenção social. Desde que fique na superficialidade das ações cosméticas. Mudanças estruturais significam transferência de terra, recursos financeiros, direitos. Significa mudanças de comportamento dos mais ricos, incluindo padrões de consumo e padrões de lucratividade, para saciar a fome dos mais pobres. Ou seja, colocar em prática alguns conceitos de igualdade. Aí a porca torce o rabo. Vem a turma do deixa-disso, não seja radical, o mundo é assim mesmo, uns comem muito outros pouco e vai se levando, olha a legalidade, respeite a propriedade… Traduzindo: mudar sim, desde que tudo fique como está.” Post Você já Comeu Hoje? de Sakamoto
Gutemberg está morto?
Postado por Flavia em Sem categoria no dia 19 de July de 2009 às 18:44
Copio abaixo meu comentário no site da Carta Maior, que não foi recebido por que “ORA-01001: invalid cursor”, seja o que for que isto signifique.
“é preciso assegurar o fim da proibição à leitura de jornal. Também devemos elaborar políticas públicas – já que o mercado exibe sua incapacidade – para que os brasileiros assim como recebem do estado merenda escolar, remédios, camisinhas, dentaduras, bolsa família, também recebam jornais e revistas para a sua informação”
Parece piada, pois o Governo Serra esta dando conta disso. Não é dessa forma que o governo de São Paulo anda gastando verba pública para ajudar a Abril? Enviando Revistas Veja não só para escolas como para professores? Conhece a maldição do Gênio? Quando fazemos um pedido ele nos dá o que queremos de forma a nos fazer um mal maior que se não tivèssemos o que queríamos. A moral da história é sempre: tenha cuidado com o que você deseja.
Será que o público não lê jornal por ser iletrado, ou não lê jornal porque os jornais estão cada vez menos informativos, cada vez mais truculentos e sem-sentido?

