Categoria Para Mudar os rumos da Mídia

Saídas contra um novo Culto da Especialização

Doni,
Me pergunto o quanto realmente temos de senso do real e do imaginário. Agora a tal frase de efeito para chocar (não sei ser de outro jeito, tendo a dar porrada pra tudo quanto é lado e conto com poucos amigos que são aqueles que recebem a porrada e me devolvem o safanão que cada um de nós precisa, inclusive eu, principalmente eu, que vivo de safanões).

A blogosfera é crítica, mas o seu ethos (maneira de agir no mundo) é puramente este: crítico. Não almejo com isto nenhuma tautologia. Apenas uma observação do que isso significa. Muitos de nós não escrevem as histórias que vemos. O que não foi publicado pela mídia criticada, jamais ocorreu. Dado isto a maioria de nós permanece ligado a um sentido de realidade (entendido freudianamente por esta streetdog) que critica, renega o que a mídia cria como acontecimento, mas não somos capazes de criar nossos próprios acontecimentos.

Há raras excessões e conto você entre elas. Esse nosso senso de realidade nos mantém ligados de certa forma à grande mídia. Não somos independentes. Não somos capazes de olhar em volta e perceber outras realidades e dar voz ao que não tem voz na grande mídia. Permanecemos inclausurados na nossa relação de amor apache.
Foi a partir de textos como este que iniciei a me questionar sobre o meu próprio senso de realidade, a começar a tentativa de radicalizá-lo (você não pode reclamar, pois é o culpado, ou então reclame), e de torná-lo independente desta relação perversa que constitui numa certa forma de propaganda. Ao falarmos mal da mídia (deve-se fazê-lo com certeza) permanecemos presos a ela, e realizamos o “falem mal mas falem de mim” uma forma de propaganda desta.
Talvez o autor dessa maravilha de cachorro-morto pronto para ser chutado a vontade que é esse livro do Culto ao Amador esteja sem querer tocando, através um ponto de vista imbecilmente mal-colocado e enviezado, um ponto de ferida. Também a teoria de que o sol e os planetas circulavam a terra no centro do universo estava furada, mas funcionava para que os astrônomos da corte pudessem ter capacidade de prever eclipses e conseguir assim um poder como oráculos reais. Não se pode descartar sem mais a eficácia e o poder de simbologias que funcionem, mesmo que seus pressupostos estejam furados. Assim demonstram historiadores da Ciência, como Tomas Kuhn, ou Fleck, que as novas teorias tem que dar conta do que as teorias antigas conseguiam prever, mesmo que se adote o ponto de vista de que suas bases eram errôneas, para serem capazes de propor um novo campo de ação científica (chamada por Kuhn  de paradígma).

Por isso eu me pergunto: para além da desconstrução deste livro, será que ele nos aponta, identifica, um fenômeno verdadeiro, mesmo que a interpretação deste seja furada? Em que medida este fenômeno trabalha contra nós? Por mais que sem mesmo ter este propósito, o autor tenha jogado pedras enquanto nos observa lutar contra a gravidade estupidamente ao tentarmos o caminho das águas ao invés do das pedras, por mais que ele se divirta com o fato (pois suas reais causas não são problema seu) e continue a nos jogar pedras enquanto tentamos em vão nos apoiarmos em algo que não vai nos dar apoio, que é a tensão superficial dessa àgua, capaz de suportar alguns insetos mas jamais o corpo humano, não estaria ele a nos indicar um problema ao qual devemos dar certa atenção? A ele não interessam as causas, portanto se ele culpa o fenômeno e deixa as causas intocadas, devemos nós também deixar as causas intocadas?
Enquanto enxergamos as ações da igreja sobre a AIDS, permanece invisível que o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, vem destinando os recursos de estado para o financiamento de pesquisas que renegam que a AIDS seja causada por vírus. Além de vendermos o sofá, deixamos de ver que nós mesmos estamos abrindo as portas de casa e convidando os amantes pra entrarem.
Não estaríamos nós mesmos reproduzindo o culto da especialização? Nossos blogues se tornam especializados, com um público próprio que permanece vinculado aos mesmos assuntos e criamos um círculo vicioso ao não propormos outras discussões, ao não alertarmos a outras questões. Como os próprios jornais nos dobramos ao fato de que ninguém quer ler sobre o novo, e por isso não o escrevemos?

Permanecemos confortáveis no nosso ethos crítico. Deixamos que outros acontecimentos nos escorreguem como areia por entre os dedos enquanto nos agarramos à muito mais palpável realidade dos acontecimentos gerados pela grande mídia.Concordo: é grave mesmo a cultura da especialização.
Sou uma observadora privilegiada disso pela posição em que me encontro neste momento. Entre os mundos destas realidades. Falo da Confecom. A posição privilegiada de observação não constitui num privilégio real em termos de poder. Vem ao contrário de uma posição em que observo os acontecimentos enquanto eu mesma sou impotente para fazer algo a respeito. A única dimensão de participação democrática jamais antes criada na nossa história – observo-a ocorrer sem o menor conhecimento da população. Os blogues, que seriam um dos meios mais independentes de divulgá-la e discutir sobre ela, pois pela via do seu ethos crítico eles seriam capazes de fazer com que seus muitos leitores tomassem conhecimento da coisa, de criar um efeito multiplicador dos esforços na sociedade, de evidenciar os meios da modificação de seu próprio ethos (de crítico à pragmático, pois se trata de um assunto pragmático – para além da negação de uma lei, a criação de novas leis das comunicações), de criar uma rede cidadã entre eles – assim como criaram uma rede crítica, de ampliarem a discussão e amarrar as pontas entre a lei Azeredo e o nosso grupo (onde me incluo na categoria de blog que é visitado por 3 caras – ou seja, uma ninguém) e os demais grupos na sociedade que estão tentando com toda a força que eles têm não só defender-nos, como alternativa a uma mídia poderosa, mas também defender as outras alternativas – as rádios comunitárias, as TVs comunitárias, os mecanismos de resposta das pluralidades presentes na sociedade às grandes mídias que nos padronizam.

Vejo com horror essa areia formada por pequenas células combativas na nossa sociedade nos esvair entre os dedos enquanto continuamos a dar o primeiro grau de importância ao que diz a grande mídia. E dessa forma a primeira oportunidade pragmática em nosso grupo se esvai, a primeira oportunidade pragmática de dialogarmos com outros ramos na nossa sociedade se esvai. A primeira experiência de democracia participativa em nível nacional se esvai sem mesmo uma nota de obtuário, pois desta forma será também a última e aguardaremos que as gerações vindouras sejam capazes de re-criá-la num futuro incerto. E eu terei em dezembro a oportunidade sem igual de fazer um único obituário benjaminiano sobre as oportunidades perdidas, sobre a história dos vencidos, o que, sinceramente, não me agrada. Meus 3 leitores dirão: você tem razão, mas será que fico feliz ao tê-la? Nem sempre quando temos a razão temos a verdade. E me apoiarei em Hannah Arend, A Condição Humana, para nesse glorioso post vindouro que será lido por 3 leitores, dizer que a verdade nos escapa. E tristemente terei que remeter ás suas palavras, e pervertê-las ao observar que a informação torna-se livre e a democracia (real, não representativa) sai desse processo enfraquecida.
O achismo é neste aspecto, algo que não está sendo confrontado. Observo isto com estranheza nos blogs que leio. Não entendo o porquê, pois foram os próprios blogs os formadores de um ethos que vai atrás da informação, e a oferece em lincagens. A blogosfera foi capaz de criar um exército de pesquisadores, de formar um ethos “não aceite simplesmente uma opinião, vá atrás dos dados”. Ao que se deve então o fato novo? Esse fato bizarro de que os blogues andam falando de Confecom an-passant, sem problematizá-la, sem oferecer links, sem formar uma rede? Faça uma procura nos blogs mais combativos e você verá com seus próprios olhos o fenômeno. Sinceramente, não o compreendo. Justo os blogs que estão a criar fatos novos – a petrobrás abre um blog e os jornalistas a acusam de romper sigilo de informação enquanto nós blogueiros nos deliciamos com esse novo ethos que criamos, de botar tudo – toda a informação à disposição – ser copiado brilhantemente pela petrobrás (uhú!!!). Ao mesmo tempo, muitos dos blogs que admiro de paixão remetendo o leitor para longe dos acontecimentos, com seus comentários an-passant que por mais que não seja por mal (pois vem de seu próprio vício com o que seja ou não “acontecimento”), estão dizendo aos leitores algo como “não precisam se preocupar, pois temos representantes e eles vão dar conta de nos defender, de defender nosso rincão, que é a blogosfera crítica” (e que diz também que o resto do mundo – rádios e TVs alternativas, que se exploda).

Como disse acima estou entre os mundos: sou um blog sem consequências, mas também sou uma cidadã desvinculada de ONGs e partidos. Do ponto de vista de cada um desses grupos observo um certo conforto que vem do fato de cada um dos partidos, ONGs e grandes blogs estarem a conversar com centenas de pessoas. E há uma grande margem de intersecção entre os grupos, pois os mesmos blogueiros são de partidos, ou amigos de outros em partidos, e esses outros são ao mesmo tempo de partidos e de ONGs, e observo que a percepção dessas pessoas, vinda dessa conversa com centenas que não se multiplicam nem expandem, mas que é no seu conjunto talvez um milhar que se repete nestas centenas com a qual cada qual tem contato. A percepção de cada um parece ser de estar falando com o Brasil inteiro, mas acho que podemos crer que não: estamos falando com os mesmos grupos fechados. Talvez dai venha o conforto do comentário an-passant. Ele não é de forma nenhuma malicioso, é apenas mal-informado.

Nos meus passeios entre esses mundos fui visitar uma reunião Pró-Confecom na Câmara em São Paulo e creio que eles são os mais cientes, as ONGs, de que é preciso divulgar a coisa, mas ao mesmo tempo em que estão envolvidos num processo que já está em curso e lutando com unhas e dentes contra as perdas, e o corte dos recursos, observo que eles não tem muito mais material humano para agarrar esta areia da divulgação que nos escapa a todos – eles tem duas mãos e o mundo, e no momento mais que duas de cada uma destas mãos estão envolvidas nas negociações com o governo e os representantes das empresas de comunicação e correndo o perigo que tudo vá por água abaixo, portanto é de se compreender que é difícil realizar além disso a tarefa da divulgação, por mais que eles já estejam tentando há tempos e com empenho.ver, este, este, este, e este post como exemplos bem singelos da coisa. Impossível ter uma figura ampla desses diversos trabalhos de formiguinha.

Que mais é preciso para que os blogs dêem uma mão? Que essas entidades que estão lutando contra o tempo os procurem em total desespero pedindo sua ajuda? É justo pedir isto delas? Há algo na nossa ética que remeta a isso como nossa obrigação?

Mais um passeio por entre os mundos. Já não sou mais, há tempos, participante do movimento estudantil (fui, há dez mil anos atrás uma independente engajada, representante de um CA e me metia em todas, hoje sou de fora). Fui visitar estes jovens, que além de engajados, são bem informados, leitores de blogs e jornais, alguns destes blogueiros também (veja este, por exemplo). A pauta da reunião continha o pedido de propostas para debates culturais, filmes, para preencher os espaços entre atividades de greve. Me inscrevi, e comecei minha fala perguntando se algum dos presentes tinha conhecimento da Confecom, olhei em volta, uma reunião de umas quarenta pessoas, estudantes de sociologia e filosofia, história, geografia talvez alguns (pois era a reunião do prédio do meio): ninguém. Falei rapidamente sobre o assunto, posso dizer que se interessaram, mas a reunião tinha que decidir ações de greve também, então não me alonguei. Claro que o ausentamento dos blogs não explica que uma amostra razoavelmente engajada e bem informada da população esteja por fora, completamente, de um assunto como esses. Nem devem ser os blogs culpados por tal fato, mas até quando vamos nos ausentar e culpar a grande mídia? Está muito mais que claro que ela não teria o menor interesse em divulgar o assunto. Eu só pergunto: por que nós blogueiros não temos interesse em divulgá-lo.

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Em busca da anti-autoria perdida

(vou deixar as linkagens para amanhã. como sempre, saio pra dar aula. Atualizado, agora 3/jun)

Faz um tempo que li o que escreveu o Maurício, mas, como dizia um amigo: “me quedei paralisada”. “Que nem  cocô gelado”, era outro dos seus ditos. Fiquei sem palavras, mas acho que depois de dias deglutindo (lembro que levei semanas para achar alguma coisa sobre o  filme “Sangre” – no fim achei genial, mas levou muito tempo ruminando – é um filme para nietzscheanos). Eu vou mudar de assunto para botar a  coisa – propor – um outro foco possível.

Agora vem a frase de efeito – pra chocar  (aviso, por que o ministério da saúde adverte . coisa e tal): A blogosfera crítica é, sem redundâncias,  o que acabou-se de dizer: crítica – mas continua presa numa relação amor-ódio (ou  amor apache, se preferir) com a grande mídia. Porque digo isto: Uma história, para acontecer tem que sair em algum lugar. Algum lugar significa a Folha, the Guardian, ou as Editoras. Por melhores que esses meios midiáticos  sejam, passam por um processo de filtro. O livro, na melhor editora, passa por uma  triagem que leva em conta seu potencial como mercadoria. Como disse Marx, no  capítulo o Fetiche da Mercadoria, sobre a mesa (como um exemplo), ao  se tornar mercadoria a mesa já não é mais  mesa. Torna-se, pelo processo de fetiche, em algo que não é seu valor de  uso, mas seu potencial como valor de troca. Adquire, sob esta roupagem o poder de tornar-se (ela – uma simples coisa) em sujeito (chamado pseudo-sujeito, pois na realidade o sujeito são os homens em sociedade) e como mercadoria tem o poder (ilusório) de fazer coisas. Assim é, que o conjunto de mercadorias unidas na entidade abstrata chamada mercado seja capaz de fazer coisas – determinar as ações do sujeito real. Em outras palavras, quando se diz que se faz algo porque o mercado ou quem sabe a (su)realpolitik, né,Hugo? Ou foi o Edu? (desculpem, a gente discutiu tanto os três juntos que acho que ajuda vocês diferenciar pelo fato de eu ser mulher, e eu a confundir pelo fato de vocês serem rapazes, fetichizei vocês por meio do meu fetiche masculino, transformei-os numa entidade abstrata HugedÚ ou EdUdugo) assim quando os sujeitos se despojam do poder e capacidade de sujeitos e se auto-identificam como objetos, pois dizem que fazem ações não por que querem, mas porque uma entidade fora e acima deles assim o determina, está fechado o ciclo do fetiche (palavra que quer dizer tão somente dar vida a um objeto inanimado, como fazemos com o filme, posto que é só projeção de fótons sobre uma tela branca).

Estamos, como dizia no argumento anterior, fechados num ciclo de fetiche – só realmente acontece o que foi publicado. Faz parte desse fenômeno a questão da autoridade, socialmente conferida, não ao bom argumento, ou à questão pertinente, ou à autoridade do contista, que como Benjamim elabora num texto sobre o narrador, é não aquele que vivenciou, mas que ouviu – não leu – ouviu alguém contar. Nenhuma destas autoridades conta muito.

Conta a autoridade socialmente conferida àquele que escreve: um acadêmico que recebeu sua tarja acadêmica dada por um grupo de especialistas acadêmicos que o avalia dentro dos moldes da produção científica, ou um autor de livro, que recebeu sua tarja de bom autor dada por uma autoridade que o avalia como mercadoria, ou pior, a autoridade conferida por um jornal ou revista, à qual apesar de sermos críticos, continuamos a reproduzir e polemizar, conferindo-lhe autoridade, ainda que seja através da crítica (falem mal, mas falem de mim). Noto que esse fenômeno ocorre inclusive com respeito aos blogs mais populares – o que lá sai é o que está ocorrendo de fato, se não sai lá é sem importância, essa autoridade é, como na academia, conferida por pares, ou seja, outros blogs. Mas eu pergunto – de onde sai a história, de onde sai a notícia, se não de uma pessoa, que nada mais é que uma pessoa como as outras pessoas – que sentou para escrevê-la? Não a autoridade, mas o reconhecimento de um bom conto ou um bom argumento, deveria vir da relação de cada leitor com cada autor. Que autoridade tenho eu, por exemplo? Sou uma especialista em Confecom, é assim que doravante deverei ser tratada? Ou como uma simples pessoa, que foi atrás ou presenciou assuntos, e que simplesmente, como qualquer outra pessoa que fora alfabetizada, escreve? Que autoridade é essa que vem na cabeça dos sujeitos, através do fetiche?

Outro dia escrevi sobre um imbróglio que ocorreu na virada cultural, deixei o e-mail da prefeitura, para aqueles que  também vivenciaram a coisa reclamassem, se quisessem, e o que consegui? Fui visitada por outra pessoa que vivenciou a coisa e prontamente ela, em vez de escrever um email também e tomar nas rédeas a sua capacidade de sujeito, prontamente se coisificou (verbo aplicado por Marx àquele que se transforma em objeto – não é transformado: se transforma – como sujeito de uma única ação, ele ainda é sujeito da transformação): ela me elegeu – sem que houvesse nem eleição nenhuma – sua re-pre-sen-tan-te! Agora, estamos com a questão que se junta e faz parte do fetiche, que é a questão da democracia real: ela deveria ser participativa ou representativa?

Devemos nos coisificar e entregar as rédeas do que nos acontecerá a um representante, que elegemos formal ou informalmente, ou devemos enfiar as mãos na terra e praticar a política enfiando as mãos até os cotovelos nessa terra roxa que jamais sairá de nossas mangas?

Sei do assombro que assola o sujeito quando ele decide enfiar a mão na terra. É magnífico e aterrorizante. Como Abraão de Kierkegaard, o sujeito se entrega ao mesmo tempo em que se revolta e luta contra um Deus que é muito mais potente. O que Kierkegaard descreve não é, para mim, uma questão apenas religiosa: ela diz respeito ao drama que vive aquele que se entrega profundamente a uma questão ética na modernidade (e percebe que o conflito não é meramente externo, mas interno e constitutivo de sua própria personalidade). Nessa modernidade em que tudo o que era sólido se desmancha no ar, este sujeito está em profunda luta contra e por algo muito acima e maior que ele, ao mesmo tempo em que está em luta contra si próprio – contra todas as suas células, como disse Marcuse, e se revoltando em cada uma delas, numa negação-afirmação que é a história da procura de sua própria alma. É um movimento que ao mesmo tempo em que te constrói te consome. É portanto, magnífico e aterrorizador. Como em lobo das estepes, de Hesse, ele encontra um teatro mágico, (certo, Guilherme?) onde descobre uma pluralidade, descobre que pode ter umas 1000 almas, que suspeito, são compostas de todas as almas com as quais teve contato: por livros, blogs, nos seus encontros com os demais sujeitos que compartilham com ele de um mesmo problema: viver nesta sociedade.

Mas será um drama ao qual é melhor fugir? É bem mais fácil (e também mais difícil) se entregar de olhos fechados à autoridade autoritária do representante. Elegemos representantes para que sejam sujeitos em nosso lugar sem ao menos nos apercebermos do fato. Todas as nossas células estão por demais educadas para sermos autoritários (autoritário não é, segundo Adorno, apenas o líder carismático weberiano na modernidade das mass media, mas também aquele que se entrega e é o outro lado da moeda, sem a qual não existe o líder – ele se coisifica: passa por uma transmutação e se converte em massa que obedece cegamente). Estamos por demais acostumados a isso e nos entregamos à autoridade constituída pelas instituições. O livro é bom, por que a instituição lhe conferiu a autoridade – o sujeito cego se entrega a esta idéia. O mesmo ocorre com jornais, revistas, nomes de autores famosos, autoridade conferida por um público. E pelo seu filtro passa aquilo que para este público existe, e o que deixa de existir,  por não ser mencionado. Vem daí minha revolta (e todo ódio é também paixão) contra meu próprio nome, e me pergunto se isto tudo ocorreu àquele que se chamava Prince, e como é que ele conseguiu ir mais longe. Flavia é, como todo nome romano feminino, algo que tem suas origens num fenômeno pelo qual a mulher é posse: era Flavia se fosse filha de Flavio e passava a se chamar Júlia caso se casasse com Júlio (li isso nos idos tempos de colegial, posso estar me confundindo). Seria um nome que não é seu. Mas aquele que não tem nome – nem sei se tem ainda voz – conseguiu renegar tudo (me impressiona!).

Então se o líder carismático ao qual conferimos uma autoridade cuja origem está na nossa formação para o autoritarismo diz “não se preocupem com isto, eu que sou seu líder, conversei com outros líderes em off e posso contar para vocês todos que está tudo resolvido” o que acontece? Os sujeitos realizam uma única ação e se coisificam.
Todas as minhas células, as minhas moléculas e partículas subatômicas se horrorizam diante deste Deus. Percebo que este impulso irresistível do qual falou Durkheim está não só nos outros – fora – mas em mim – dentro. Me revolto contra mim.

Esta deve ser a origem da múltipla personalidade que descreve Hesse. O sujeito moderno está dilacerado, Como dizem os pós-modernos. Numa sociedade globalizada ele se encontra sob uma multiplicidade de forças que empurram sua alma para o ser, mas que neste caso é conflitante. Ele não se encontra em si mesmo, nem fora de si.
Por isso acho que é um esforço válido – que se bem que meio vão – catar os pedaços e nomeá-los. Como acontece com aquele conto infantil – como Benjamim disse, os contos infantis ensinam a astúcia contra o perigo de nos perdermos – como acontece com aquele personagem de quem preciso me lembrar o nome, que ao ser nomeado, ele cai em nosso poder, quando antes estávamos sob o poder dele. Ao encontrarmos o preconceito, por exemplo, que está desapercebido em nós mesmos, passamos a ter controle sobre ele, quando antes ele teve controle sobre nós. Para aqueles que gostam de literatura, é esse um dos sentidos possíveis de Orgulho e Preconceito, de Austeen. Quando recebe uma carta e percebe que estava sendo vítima de seu próprio preconceito, e também de seu orgulho, Eliza toma em suas mãos os rumos de sua existência e deixa de ser enganada por outros personagens na história.

Precisamos tomar as rédeas de nossa capacidade de sujeitos e autores. Precisamos contar as histórias não contadas. Histórias que tem o poder de colocar coisas sob outros ângulos até agora desapercebidos – e que, por passarem batidos, nos controlam. Um exemplo é uma história que não me canso de repetir para a criançada que tomou um lugar onde já estive – que é o movimento estudantil. Creio que a falta de memória nos torna burros ingênuos. Ninguém sabe todas as histórias, mas as histórias que se conhece devem ser contadas. Elas ajudam outros sujeitos a olhar o mundo com mais astúcia e a encontrar – como em muitas das versões de chapeuzinho vermelho – saídas onde só há portas fechadas (e a fugir de perigos, como demonstram muitas outras versões da mesma história, para não termos o mesmo fim do personagem que se perdeu – Benjamim está certo, as histórias contém nelas várias possibilidades e ensinam a astúcia).

A história a que me refiro é da invasão da Reitoria na USP em mil novecentos e noventa e poucos (2, 3, ou 4, não me lembro). A história parece até sem nada: sem peripécia (que é quando parece que vai ser tudo tragédia e o herói se salva, ou o contrário). Caminhamos até a Reitoria – a entrada era um largo saguão aberto. Entramos calmamente – não havia transições entre o dentro e o fora, a não ser o teto e as paredes laterais, que não constituíam obstáculo – a Reitoria não era, nessa época uma heterotopie distinta, como diz Foucault em uma palestra (hetero=outro, topos=lugar. As heterotopias distinguem e delimitam o que se torna possível e impossível nos espaços: determinam poderes), pois não havia muita distinção que marcasse esse dentro e esse fora. Chegamos no dentro, que era onde deixávamos de tomar sol. Olho eu pra cara do sujeitão ao lado (era um grandão muito bacana da Educação Física) e digo “…agora…” ele responde  “agente senta”. Foi assim. O que eu acho de interessante nesta história? É que não houve chute que deformasse a porta, pois não havia a porta.

As heterotopias determinam espaços e poderes, mesmo no universo virtual. Quem entra no grupo dos publicados se constitui socialmente como autor e a ele é conferida autoridade. Não estou em buscas das autoridades, pois já quase não existem autoridades que não sejam autoritárias – mesmo sem percebê-lo, mesmo que isso não se faça por mal. Estou em busca da racionalidade – sei que sou filha do iluminismo, mas vá lá – estou em busca da racionalidade, que como Weber disse, só existe de fato nos sujeitos. Estou em busca da anti-autoria, já que como autor se cai mais facilmente nas armadilhas da autoridade. É preciso compreender a história e a formação social dos grandes nomes que como esfinges nos dizem “me decifre ou te devoro”.


sobre apatia política, e a fantasia (que tem a ver com o fetiche), ler Apatia e Absurdamento

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Criança vê, Criança faz

Como professora eu sei bem que as coisas são assim.
Veja este vídeo, depois eu conto uma historinha que ocorreu comigo.

Dei aula numa Skill para um grupo de crianças (entre 10 e 13 anos) e lá havia um japinha que se deleitava com minhas micagens, de se jogar no chão segurando a barriga a soltar gargalhadas hilárias (pena a gente não ter uma filmadora na mão nessas horas).
É… acho que posso dizer que o guri amava aquelas aulas. Adorava as brincadeiras, do tipo jogo de memória, por exemplo. Crianças não são seres humanos imbecilizados como querem fazer entender alguns. São super-espertos, gostam de desafios. A gramática fazia parte das regras do jogo e todos eles queriam ganhar. Dessa forma eles absorviam a gramática da língua com um objetivo específico -- e agora vêm me falar de “task oriented methodology” como se isso fosse uma coisa nova (é só estratégia de marketing pra vender livros), mas deixa isso pra lá.
O japinha estudava no grupo de crianças e a mãe dele estudava no mesmo horário com um grupo de adultos, com outra professora. O problema era que o japinha não fazia lição de casa, e eu, que começava a ficar preocupada, falei diretamente com a mãe dela depois de uma aula. Ela chamou o japinha e deu uma lição de moral, que no discurso estava perfeita: sem autoritarismo, na boa, uma mensagem perfeita sobre a necessidade de fazer lição de casa.
Próxima aula, mandei todo mundo abrir o livro de exercício, como de prache, par ver se a lição fora feita. O livro do japinha (sem preconceitos, apenas não me lembro mais o nome do guri, que era daqueles japinhas super-fofos)… o livro do japinha em branco. Foi ai que me caiu uma ficha. Depois da aula, fui à sala dos professores falar com a professora da mãe dele. “Oi, professora, deixa eu te perguntar uma coisa: a fulana (mãe do japinha) como ela é como aluna? Ela faz lição de casa?”
Ouvi, vendo a cara exasperada da professora dela: “Ah, a fulana é um problema, não faz uma lição…”

Quer dizer, discurso mesmo não adianta nada: criança não é imbecil. Eles vêem quem está falando. Em inglês se diz para o caso: “You talk the talk, but you don’t walk the walk”, que nem serve de similar para “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, pois o provérbio em inglês não é um mandamento, mas uma constatação irônica (pensar em duas línguas às vezes ajuda a pensar melhor, ou talvez com mais astúcia, não sei).
Só pra terminar a história, na aula seguinte, usei de uma didática sacana, cujo inventor deve ter se perdido no início dos tempos do ensino. Começei assim (imagina isso falado em inglês, pois eles já entendiam estes comandos): “Agora vamos jogar aquele jogo de memória…” e todos: “Êbá!!!” (era o jogo favorito do japinha) “… mas tem um porém, antes eu vou verificar quem fez a lição e…” (a cara do japinha mudava pruma espécie de troublesome) “… e vai ser a regra de hoje, quem por ventura não fez a lição, vai ficar no canto da sala completando a tarefa” (grunhidos vinham do japinha).
Bom, ele ficou de castigo, mas só aquele dia. Tive a felicidade de constatar que a idéia funcionou e ele passou a trazer a tarefa sempre feita, pelo menos na minha aula, né?


A questão do controle social da mídia tem a ver com o caso. Agora veja este vídeo -- estou trabalhando num texto para ele que tenha um cunho menos pessoal para o Liberdade de Expressão. A qestão do controle social dos conteúdos televisivos nos atinge a todos, como pais, professores e cidadãos. Dar voz a mais que um Brasil, dar espaço à opiniões divergentes e no caso das crianças, promover a proteção da infância, é uma das metas das ONGs que se organizam em torno da Confecom.

Estou a procura de um documentário a respeito disso, sobre o qual li há dez mil anos atrás, e não lembro o nome (aceita-se ajuda de amigos)

;)

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A Matéria na Folha sobre o Confecom, com meus comentários

*Folha de São Paulo – 17/03
Caderno Brasil
União prevê R$ 8,2 mi para debater comunicação * *ANDREZA MATAIS*
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

“O governo reservou R$ 8,2 milhões para realizar uma conferência nacional que irá discutir a comunicação social no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já determinou a três ministros a realização do evento ainda neste ano para discutir temas como concessão de rádio e TV e convergência tecnológica. O foco do evento, segundo a Folha apurou, estará voltado para as novas mídias, como internet, TV a cabo e celular” (mentira deslavada ou êrro da Folha? Que eu saiba, a Confecom vai discutir todas as mídias – é uma conferência para a criação de novas leis que darão mais espaço a canais de relevância social, e comunitários, no rádio e na TV, as liberdades na internet, o controle de propriedades cruzadas em grandes grupos midiáticos, entre outras coisas)

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“O governo está definindo os detalhes do decreto que irá convocar a conferência, prevista para dezembro.” (na verdade o presidente já assinou o tal decreto, no último Fórum Social, que eu saiba) “O valor do evento foi incluído no Orçamento de 2009 pelo Congresso e, segundo o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), preservado dos cortes do início do ano. O montante supera o valor gasto com o encontro nacional dos prefeitos, que reuniu 15 mil pessoas, e teria custado mais de R$ 2 milhões. O governo ainda não tem o valor exato do custo, nem a definição de quantos serão os
participantes da conferência. Porém, as realizadas pelos ministérios da
Saúde e Cidades, por exemplo, reuniram em média 2.000 pessoas.” (além do fato de ser tudo gasto do governo, o que tem uma coisa a ver com a outra? Será mais um daqueles argumentos Folha do tipo “olha que absurdo, como o governo Lula gasta com um monte de inutilidades?)

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“Auxiliares de Lula dizem que ele decidiu convocar a conferência neste ano
para evitar a discussão em 2010, ano eleitoral. Será a primeira vez que um
governo realiza conferência sobre o assunto. A pressão partiu de movimentos sociais e do PT, mas a realização da conferência também agrada o setor. “(como assim? agrada que setor? Vai se tratar de uma batalha pra ver se as coisas ficam como estão ou se mudam. Vi que há gente do PT envolvido com a coisa, por estarem envolvidos com questões em torno de comunicações e direitos humanos, mas será que dá pra realmente reduzir um movimento que vem se construindo há anos – em 2007 a coisa já estava sendo construída – e que partiu de ONGs de direitos humanos, Ongs de rádios comunitárias, ONGinhas e ONGuetas pelo Brazil a fora e que recebeu o apoio de gente como a Luíza Erundina – acho que faz tempo que ela não é do PT – e gente do PT, mas que não foi um movimento que se iniciou em partido nenhum, mas da garra e da luta dessas ONGinhas que tem uma estrutura muito menor, e movimentos culturais, e movimentos de igrejinhas locais, tudo com um esforço voluntário de formiguinhas pode ser assim qualificado, como a Folha o fez?)

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“Segundo o ministro Franklin Martins (Comunicação Social)” (já que a Folha gosta de falar de partidos, de que partido ele é? isso eu não sei, mas sei que ele trabalhou para a Globo e no passado pertenceu à ALN e MR8 – é isso que está na wikipédia), “concessão de radiodifusão, propriedade cruzada dos meios de comunicação, fortalecimento da imprensa regional e concentração de veículos nas mãos de um mesmo grupo devem ser debatidos. Esses pontos são similares aos defendidos pelo PT, que discutiu o tema em conferência, em 2008.”

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” “O objetivo é que o país debata as questões de comunicação de forma plural. Há muito tempo que não discute o assunto”, disse Franklin. O marco
regulatório da radiodifusão é de 1962, e o das telecomunicações, de 1995. Os ministros Hélio Costa (Comunicações) e Luiz Dulci (Secretaria Geral) também estão envolvidos no debate.” (não foi o próprio Hélio Costa que quase pôs tudo a perder, quando em 2007 quiz que a Conferência se realizasse, quando só os “representantes da sociedade civil empresarial” estavam organizados? Naquela época Erundina disse que era de se considerar estranho que houvesse pressão para que a Conferência fosse realizada naquele momento)
“Para Paulo Tonet, da Associação Nacional de Jornais, discutir monopólio e
propriedade cruzada é um retrocesso. “O tema tem que ser conteúdo nacional e igualdade de tratamento regulatório”, disse.” (Associação Nacional de Jornais… deve ser um desses do setor, que a Folha disse que estão muito agradados)
“O presidente da Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), Daniel
Pimentel Slaviero, também defende que a conferência seja ampla, incluindo
discussões sobre jornais e revistas. Antes do evento nacional, haverá discussões nos Estados.”

(é, então: estou bisbilhotando as páginas de algumas ONGs, fazendo contatos por e-mails, fui inscrita em listas regionais e é claro que não consigo acompanhar tudo, que é muita coisa, mas o que dá pra ver é que a organização dos estados depende da organização voluntária das pessoas, há muita gente perdida sem saber o que fazer – é enorme o número de e-mails com perguntas do tipo, com quem falo, onde vou, o que faço…- o Maranhão tinha começado bem, talvez por que houve apoio do governo, mas após os sucedidos com Jackson Lago e a menina Sarney, sabe-se lá. Estou há tempos sem notícias deles. Aqui em Sampa, não há esperança de conseguir apoio de Kassab e Serra. Os gastos que isso comporta devem ser comparados ao gasto de eleições ou de encontros de prefeitos e ministérios? Que eu saiba, muita gente está dando seu tempo e esforço de graça, e botando a mão no bolso para arcar com custos de transporte e hospedagem dos encontros locais – como percebi pelas mail-list do povo de Santa Catarina, fazendo páginas na net, chamando reuniões nas suas associações de bairro, igrejinhas, etc)

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Spam: Nota Cultural

Spam é o nome de uma maçaroca de porco enlatada. Então como é que “spam” veio a se tornar nome de “junk e-mail”?

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A resposta para isso é que os fãns do Grupo Monthy Pyton estão em todos os lugares: na música (os Beatles eram grandes fãns), em outros grupos de comédia (o grupo do qual fazia parte o agora mundialmente famoso Mr. Bean) e espalhados pela internet (eu incluída). Mas antes mesmo que Monthy Pyton invadisse o mundo, em seu Flying Circus eles expuseram a teoria de que o spam (meleca de porco em lata) teria vindo para a Grã Bretanha devido a uma grande invasão Viking, como você pode ver no vídeo abaixo.

O termo “spam” relacionado a “junk mail” foi uma incorporação da inspiração monthypytoneana no vocabulário 3w. É fácil entender o porquê, vendo o vídeo.
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Nota cultural sobre o Húngaro que aparece no vídeo do Spam -- ou, ferramentas para melhoraar a sua comunicação com falantes de outras línguas.
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Bloguismo e Jornalismo na Café, Letras & Cia. de Porto Alegre

veja no Cloaca e no Dialógico (e links lá) o debate sobre Bloguismo e Jornalismo. Me chamou atenção comentário do Dialógico que apareceram muitas pessoas diferentes (do que se vê sempre). Nada contra os de sempre, é claro, mas isso demonstra uma adesão de um público que costumariamente ficava de fora, o que é sintoma de que as discussões levadas pelos Blogs provavelmente têm mesmo o efeito de incentivar a participação democrática.

É verdade que ninguém vive de Blog, mas o fato que os próprios jornalistas (além do público em geral) gastam uma parte da sua pilha duracel em algo que não traz dinhheiro pro seu bolso nem pão pra sua mesa é sintoma de um nó engasgado na garganta de muitos brasileiros desde que se montou a grande mídia. Essa energia da libido que tem urgência em vazar para o espaço da internet está fazendo a grande mídia pular fininho, pois ela ficou chata, além de pouco informativa.

Na minha opinião é difícil saber quem vai ganhar, e, esperando que não sejam os blogs (pois precisamos que jornalistas sérios tenham de onde tirar seu pão) também espero que não seja a grande mídia (torço para que ela seja forçada a mudar)

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A Democracia e os indenpendentes no país das ONGs e partidos.

Outro dia mesmo recebi uma resposta acerca da possibilidade da participação de internautas no Movimento Pró-Conferência que dizia mais ou menos o seguinte: que é preciso ter cuidado pois há muita partidarização. Há muitos anos ouço as pessoas fazer essa confusão: a tal “despartidarização” por acaso quer dizer que os outros cidadãos, que militam em partidos deveriam ser impedidos de participar para que os independentes participem? É necessário botar uma venda na boca daqueles que gritam “palavras-de-ordem” para que haja tolerância na discussão democrática? Por conta disso resolvi escrever este post contando um pouco da minha participação como independente em movimentos “partidarizados”.

Eu compreendo e compartilho da posição de que o discurso precisa se elevar acima de questões estritamente partidárias e afirmar metas e objetivos democráticos. Por isso mesmo creio que a participação de independentes – ou de cidadãos da sociedade desorganizada – como queiram chamar, é fundamental. No entanto, preciso advertir contra algumas armadilhas da idéia de despartidarização.

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Uma coisa que aprendi com as minhas participações no movimento estudantil: sempre fui independente – o pessoal do PT articulação, PSTU, e até POR (partido operário revolucionário, com um representante no Brasil, pelo que conheço) tentaram que eu fizesse minha carteirinha. Eu consegui permanecer “sempre galadriel” e não peguei o anel. Mas eu não diria que esse era o anel do mal “para a todos dominar”. É preciso ver que todos esses são mais outros atores do processo, e que essa é a forma que eles encontraram de participar.

Me lembro quando em – sei lá, acho que em 1995 ou 96, quem sabe tenha sido em 94, que foi ano de uma grande greve nas universidades – eu participei de um Congresso na USP – que era um congresso de CAs de todos os cantos do Brasil. Foi um frio do cão – dava pena de ver quem veio despreparado. Eu mesma nunca mais precisei das roupas com que me protegi naquele ano…

Bom, no Congresso eu via alguns “independentes perdidos”, que são aqueles independentes ingênuos que o povo dos partidos “ataca” (há várias formas de ataque, incluindo mandar uma menina bonitinha do seu partido – se o seu partido não tem meninas bonitinhas, ta em desvantagem). Esses independentes iam nas reuniões e pediam que a discussão fosse despartidarizada. Mesmo eu, independente firmona no país dos partidos, fiquei com pena daqueles caras do CA de não lembro onde (na época era assim o independente tinha que fazer um esforço tremendo pra continuar a ser independente e ainda participar).

No ano passado (ou retrasado?), quando ocorreu a invasão da reitoria da USP (1) fui lá dar uma olhada e foi agradável perceber que havia um grande contingente de independentes convictos participando das discussões e re-afirmando seu lugar e direito como independentes, um verdadeiro – se assim se possa dizer – movimento dos independentes, que tinha até nome, mas já não me lembro qual, e que era o grupo mais forte do momento e super-engajados.

Como as coisas mudaram… nos idos do ano que se perdeu na minha memória, eu era uma das poucas “peixe de fora dentro d’água”… e os independentes perdidos – a maioria dos independentes – eram “peixe fora d’água” mesmo.

É difícil pro independente encontrar um lugar quando os movimentos são “dominados” por partidos, ou por organizações, como parece o caso do Comitê (se bem que isso eu ainda não sei – talvez eu só ainda não tenha ainda encontrado uma forma de participação que não envolva eu virar associada de uma das organizações). No entanto, não é impossível. A minha continuidade no movimento estudantil nos anos 90 (com alguns grandes e pequenos feitos, tanto pra direção certa quanto pra direção contrária) foi uma prova disso. A formação de um movimento de independentes nos anos 2000 – que não tinha qualquer palavra de ordem e assim mesmo fazia a influência muito coerente e a mais forte no movimento de estudantes que invadiu a reitoria – é o exemplo maior (que eu conheço) dessa possibilidade.

Voltando para os idos de noventaetanto, quem era eu: uma espécie de Tancredo Neves, que circulava entre os grupos, discutia, ruminava o que me era dito, falava com os caras e as minas do PT, POR (não muito: o cara era totalmente pela revolução agora dos operários, veja bem), PSTU, até com aquele povo que achava que Quércia ia organizar a revolução (esqueci também o nome deles – pra articulação do PT eles eram o demônio, pro PSTU eram no máximo, motivo de risada, ah, sim, o MR8).

É verdade que muitos dos partidos me olhavam de soslaio, meio desconfiados, outros me achavam inócua, outros tentavam se utilizar de uma “ingênua útil” (e quando eu concordava que as posições deles iam nas mesmas direções que as minhas eu deixava – quando não eram, não deixava, isso já rendeu críticas de um deles, como se eu fosse uma espécie de traidora, mas tudo bem, admito que não fiz isso sempre sem errar).

Ao mesmo tempo, a minha posição nunca foi tirada em consulta só comigo mesma: na época “eu era o CABIO” (última remanescente da chapa com quem entrei) e via como minha missão falar com os estudantes da Biologia-USP, o que eu fazia por vários meios: chamando reuniões, publicando jornaizinhos, pintando cartazes, parando no tempo livre pra falar com as panelinhas (2).

Da parte dos alunos eu sempre via essa mesma vontade: que a discussão fosse despartidarizada. A minha presença entre eles foi bastante agregadora, pois eles logo perceberam que eu não era de partido, e me deram seus ouvidos, começaram a participar, deram sujestões muito boas (outras nem tanto). Em alguns momentos o apoio que consegui para algumas coisas – como as eleições de RDs para os Conselhos da USP e a participação da Bio na greve em 94 (lembro que perdi um show do Tarancón pra ir a uma assembléia (hmf) – foi maior que qualquer outra antes registrada (para o movimento estudantil a Bio era algo inexistente até então). Houve bolas foras minhas, também da alunada (todos somos apenas humanos, demaziadamente). Assim como houve bolas fora dos vários participantes de partidos (lembre-se que eles também – apesar de parecerem ao independente como se fossem uns etês vindos para dominar a terra – são na verdade outros seres humanos tentando mudar o Brasil como podem e a partir do que sabem).

A questão da despartidarização é uma falsa questão. É falsa por que suas premissas são falsas. Como pode haver democracia sem dar voz às pessoas de partidos (ou das ONGs)? Não é humanamente possível botar uma venda na boca daqueles que gritam palavras de ordem ou barrar a participação dos que vem de agenda montada pelo partido (ou pela ONG).

A questão inversa – que não é possível participar sem partidos (ou ONGs) – que hoje já não tem lugar na USP, mas que era o contexto dos que estavam dentro do movimento estudantil nos anos 90 – é da mesma forma falsa: Como é possível garantir uma participação democrática sem dar voz aos independentes (ou aos sem-ONG)?

Somos todos – pessoas de partido, associados de ONGs e pessoas sem-associação – cidadãos. É necessário cultivarmos a tolerância e a habilidade de sermos capazes de ouvir, avaliar, ruminar e ainda por cima participar de maneira positiva.

Tenho grande fé nos independentes. Se por um lado às vezes ele não encontra meios de participar nos processos (e muitas vezes acaba optando por ficar à margem), e por outro a participação organizada é muito forte (e por isso mesmo necessária) em termos de conseguir as informações mais pertinentes – como onde intervir e por que meios, além de terem acumulado todo um quadro de em que pé as coisas se encontram neste momento, sem o qual qualquer ação é ingênua e sem eficácia, por outro lado a participação dos independentes, quando conseguem se organizar numa “não-organização” é fundamental (como é o exemplo do movimento dos independentes: não veio de uma ONG ou partido e não fundou nenhuma ONG nem partido: se formou naquele momento em torno apenas da questão e conseguiu realizar muito na sua “organização temporária e pontual”).

Por que a “organização temporária e pontual” dos independentes é importante? Por que só os independentes conseguem ter um ponto de vista que vai além das organizações. Não que as ONGs e partidos sejam míopes, mas é de se esperar que as pessoas envolvidas nas organizações acabem compartilhando um ponto de vista próprio desse ciclo de associados e de ações burocráticas em que estão envolvidos até o pescoço e que as vezes não os deixa ver para além disso.

Mas o independente não consegue nada de produtivo se não entra em contato com as organizações (que detêm informações relevantes) e se não se associa temporariamente a outros independentes (pois as ações de cada indivíduo, muito errática e por vezes fora do tom) acaba por se auto-anular, na maré das grandes ações.

Quanto à minha forma de participação nos comitês municipais e estaduais, que são preparatórios para o Comitê Nacional de Comunicação que acontecerá em dezembro deste ano, estou tendo a sensação de que as ONGs estão tendo um maior papel na não aceitação do independente que os partidos tiveram no movimento estudantil dos anos 90. Estou exausta de tanto mandar e-mails pedindo orientações de como participar, onde ir e com quem falar. As respostas ou não vem, ou são lacônicos e-mails com clippings dos textos postados nas páginas dessas ONGs (que no entanto, leio), ou me mandam o formulário de alistamento na ONG, ou o endereço de email que está na página deles – que é o e-mail de um fulano específico – retorna como “Undelivered Mail Returned to Sender”.

Ainda estou à busca de respostas, e se alguém quiser me ajudar, é bem vindo. Talvez eu ainda não tenha encontrado o canal certo, ou talvez ele ainda não exista, mas não vou deixar de procurá-lo ou tentar formá-lo. É possível que eu não consiga, e que minhas ações sejam vãs e se percam na maré dos grandes eventos. É possível que só na década de 2030 os independentes consigam organizar um movimento próprio para uma outra causa nobre qualquer.

Como os blogs participam disso?
Juntando as pessoas e ampliando as discussões. Usando as páginas da ONGs pra rapar informações para tentar degluti-las nos blogs. Mas também os blogs são um pequeno circuito de pessoas que tendem a fazer o que conhecem, da forma que conhecem, e reuniões de assembléia são coisas tão etês para a maioria dos blogueiros quanto as pessoas de partidos. Hoje, fazendo parte deste universo, concordo que é muito desconfortável que tudo não ocorra numa grande discussão do Twiter. Mas o que podemos fazer? Ficar à margem? Obviamente que se este “movimento” cair em ouvidos surdos e por demais acostumados a teclar, e se permanecer um movimento de uma blogueira só, é isso que vai ocorrer e tenho consciência do ridículo que aparentam as minhas últimas palavras. Mas eu me recuso em acreditar que qualquer atitude minha a respeito seja uma atitude vã. Quem sabe se ela não ajudará (mesmo que um pouquinho minúsculo) para que algo diferente aconteça em 2087?

Notas:

(1) É possível que essa história possaa ser desencavada no Blog da Ocupação. Deve haver alguma publicação assinada por um ou mais professores da USP a respeito, imagino, pois na época, professores de antropologia propuseram que a sua forma de participação fosse feita com uma pesquisa de participação observante, ao estilo dos antropólogos mais clássicos, e determinaram que essa fosse a pesquisa dos alunos em greve – dessa forma eles continuaram estudando e participando. No entanto, apesar dos antropólogos da pesquisa de imersão nas culturas serem do século passado, nunca antes houve uma proposta vinda dos professores para que tal pesquisa fosse realizada pelos alunos em greve, o que a meu ver é sinal que os professores pressentiram que havia algo muito diferente acontecendo naquele ano.

(2) (na minha época a Bio era todinha panelinhas, eu mesma perdi o apreço da minha panelinha no processo de sociabilizar com outras panelinhas, mas encontrei as pessoas mais tarde e ainda somos amigos. Nem sempre é possível manter as amizades nos momentos tensos, mas nem sempre é impossível reavê-las: outro ano mesmo encontrei no ônibus um cara com quem quase saí no braço (ou de fato saí no braço?) mais tarde quando fazia sociologia – a felicidade dele de me ver e minha de vê-lo foi instantânea, singela e radiante – houve um lindo sorrizo colgate entre nós. A minha explicação pra isso é de que eu, pra ele – e ele, pra mim – faz parte de um momento da nossa vida que foi importante e que apesar da briga, fomos muito mais relevantes um pro outro que muitos outros alunos que nem se comprometeram com a discussão (ou talvez a explicação é que ficamos retardados por um momento)

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Rovai vai na Mídia Independente :) e nóis na cola dele

Iuhúúú!!! Aê Renato!

Um dos meus e-mails solicitando informações sobre a Conferência foi pro lindo, maravilhoso, tudo de bom, Renato Rovai. Em sua resposta, muito simpática, fiquei avisada par ir esperando um post, que acabei de ver que saiu, e aprendi uma expressão nova, que vou adotar, por ser sua fã (abreijos – um cruzamento de abraços e beijos)

O post não é sobre o Comitê, mas pelo que entendi, o evento da Mídia Independente (será que les tem site?) pode ser considerado como uma boa prévia, e quem sabe, um canal de participação possível para quem está nesta cidade de Sampa (os eventos preparatórios não devem receber apoio do nosso prefeito, nem muito pelo contrário, do nosso governador, pelo que sei). O evento foi custeado pela Agência Carta Maior (brigada, Carta Maior, também sou sua fã).

Valeu, Renato, valeu todos os presentes, Valeu Carta Maior!
(ah, que legal ver o Sakamoto na lista, também gosto muito do Blog dele)

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Uma História de Formação do movimento Pró-Conferência

Com o intuito de rapar um pouco da história que leva à Conferência Nacional de Comunicação que ocorrerá neste ano do senhor de 2009 (em dezembro), fui ao site da ONG Intervozes – financiada pela Ford Foundation, e cujo site é muito interessante e contém inclusive o dowload de dois livros que parecem legais – e dei uma procura que me levou a um conjunto de postagens que vou resumir a seguir.

Como no Romance “Cien Años de Soledad” em que os nomes dos sobrinhos meio que repetem os nomes dos avós e o leitor precisa da arvore genealógica para poder seguir com a leitura, também os nomes envolvidos – Conferência Nacional dos Direitos Humanos, Encontro Nacional de Comunicação, Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, Movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação, Encontro Preparatório da Conferência Nacional de Comunicação e Conferência Nacional de Comunicação, devem ser pacientemente distinguidos pelo leitor. Perdoem os links desajeitados. Essa história mostra que também não foi fácil para os movimentos e ONGs chegar até aqui.

De acordo com a Intervozes, o processo começou a ser construído ainda em 2005, num seminário nacional sobre o direito humano à comunicação, realizado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM). O movimento para realização de uma Conferência ganhou força em março de 2007, quando foi aprovado na Comissão um requerimento pedindo a sua realização.

Dia 13/06/2007 abriram-se as inscrições para o Encontro Nacional de Comunicação, organizado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e vários setores da sociedade civil organizada, movimentos sociais. O Encontro teve como objetivo apresentar ao governo federal uma proposta para a realização da Conferência Nacional de Comunicação.

“É fundamental defender que ela deve acontecer primeiro nos municípios e estados para culminar numa conferência nacional ampla e representativa, cujas deliberações sejam incorporadas às políticas públicas de comunicação. Em resumo, será o momento da sociedade civil organizada e dos movimentos sociais demarcarem a posição de que querem e vão participar da organização da Conferência e do novo marco regulatório das comunicações”

O Encontro contou com 250 participantes de 24 estados.

Do Encontro sai um documento que rejeita a proposta do governo de que a Conferência fosse marcada já para agosto de 2007.

“Pois inviabiliza a construção democrática e a organização de etapas prévias estaduais e regionais preparatórias que garantam a legitimidade da Conferência Nacional de Comunicações”.

Foi criada uma Comissão Pró-Conferência que iria trabalhar no adensamento da discussão junto à sociedade civil e sua organização.

“Os empresários são muito bem articulados. E estão pressionando para que o evento convocado pelo ministro Hélio Costa (PMDB) tenha o respaldo necessário para defender os interesses deles e esvaziar o processo da conferência que nós estamos buscando construir” (Bráulio Ribeiro, da coordenação do Coletivo Intervozes)


No Congresso, Erundina defendeu uma moção contrária à iniciativa do ministro da comunicações, Hélio Costa, junto àquela casa sobre a possibilidade de o encontro ser realizado em agosto .

“Uma iniciativa tomada por um órgão do governo que tem pouca relação com atores da sociedade que militam na área é preocupante e pode atrapalhar muitos os processos democráticos”, afirma Erundina.

Em setembro do mesmo ano, o Ministério das Comunicações, em parceria com as Comissões de Ciência, Tecnologia e Comunicação da Câmara e do Senado, optou pela realização de um seminário internacional, dando ao evento o título de Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, cuja legitimidade foi rejeitada pelo Movimento Pró-Conferência.

A Conferência Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), realizada em dezembro de 2008 com 1,2 mil delegados teve, entre as pautas, a exigência “que o Governo Federal se empenhe na realização da Conferência Nacional de Comunicação”

No Encontro Preparatório da Conferência Nacional de Comunicação, realizado no dia 02 de dezembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília, mais de 66 entidades e movimentos sociais, exigem publicação de decreto de convocação da Conferência pelo Governo Federal para 31 de dezembro. Abaixo assinado entregue ao Ministério das Comunicações reuniu mais de seis mil assinaturas. Ao final do Encontro, foi elaborado e aprovado um documento de resoluções com um calendário com realização das etapas municipais, regionais, estaduais e nacional. Para os internautas interessados, os eventos são abertos a participação e incluem a internet em suas pautas.

No dia 10 de fevereiro a Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação – formada por entidades da sociedade civil, representantes da Câmara dos Deputados e movimentos sociais – reuniu-se com o consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, para apresentar contribuições ao Decreto Presidencial que convocaria oficialmente a conferência e à Portaria que instituiria sua comissão organizadora.

“Entre as propostas, também foi apresentada uma sugestão de composição da Comissão Organizadora da conferência. A comissão defende que ela seja formada por 30 membros. Destes, seriam 10 integrantes do poder público, sendo quatro do Executivo, quatro do Legislativo, um do Conselho Nacional de Justiça representando o Judiciário, além de um procurador do Ministério Público da União. Entre as vagas da sociedade, cinco seriam de associações de operadores comerciais do setor e 15 de organizações da sociedade civil não-empresarial”.

Esta última cota contemplaria usuários dos serviços de comunicação, com direito à 5 vagas; organizações específicas da área (como profissionais, radiodifusores comunitários, associações e ONGs), com 7; entidades do campo público de comunicação, com 2, e a Academia (o que isso quer dizer?), com uma cadeira na comissão.”

No dia 18/02 iniciou-se a mobilização para a realização das etapas estaduais. Clicando aqui você poderá ver alguns dos governos estaduais que estão dando amparo ao movimento e alguns (como o governo de Yeda Crusius) que não estão.

Ainda não sei como as coisas estão aqui em São Paulo.

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Mushaboom (by Feist)

Helping the kids out of their coats
But wait the babies haven’t been born oh
Unpacking the bags and setting up
And planting lilacs and buttercups oh

But in the meantime we’ve got it hard
Second floor living without a yard
It may be years until the day
My dreams will match up with my pay

Old dirt road,
(mushaboom, mushaboom)
knee deep snow
(mushaboom, mushaboom)
Watching the fire as we grow
(mushaboom, mushaboom)
o-o-o-o-old

I got a man to stick it out
And make a home from a rented house oh
And we’ll collect the moments one by one
I guess that’s how the future’s done oh

How many acres, how much light
Tucked in the woods and out of sight
Talk to the neighbours and tip my cap
On a little road barely on the map

Old dirt road,
(mushaboom, mushaboom)
knee deep snow
(mushaboom, mushaboom)
Watching the fire as we grow,
(mushaboom, mushaboom)
o-o-o-o-old
(mushaboom, mushaboom)
Old dirt road

rambling rose
(mushaboom, mushaboom)
Watching the fire as we grow
(mushaboom, mushaboom)
Well I’m Sold…

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