Categoria Coisas da Vida
Menina-Projeto ou Garota Interrompida?
Postado por Flavia em Coisas da Vida no dia 27 de July de 2009 às 20:58
Para mim é sempre assim: Será que gosto mais de dar início às coisas do que tomá-las como projeto de vida? Não sei responder a esta pergunta. Apenas que o que sinto é que há em torno de mim possibilidades inexploradas, e com relação a estas, eu poderia não fazer nada (pois estou confortável na minha profissão e sou razoavelmente bem sucedida). Então por que fazê-lo? (se não espero de meus projetos que revertam em uma alternativa de carreira, nem um lucro, nem fama e fortuna?)
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O coração feminino bate mais devagar
Postado por Flavia em Coisas da Vida, Ideologia no dia 2 de July de 2009 às 17:43
Impressionante o que se descobre a partir de uma simples tosse ingênua.
Não se diz que o diabo está nos detalhes? Há uma lírica nos detalhes…
Então começei da tosse seca de fumante. Passei na farmacinha de bairro e troquei uma idéia com aqueles conhecidos. Tava parecendo o início daquela tosse que vai ser o cão chupando limão. Além das mentas, mel, agrião e chá, resolvi escolher um charope que não fosse natureba.
Indicação: xarope contendo cloridato de clobutinol e succinato de doxilamina.
Parênteses: depois de anos longe do curso de biologia ainda tenho resquícios dessa de-formação que se impôs sobre meu caráter. Bateu a re-caída. O Biólogo é um garoto que chegou ingênuo, por amar a natureza num curso chamado Biologia, que lhe ensina que amor é coisa de boiola e que é coisa de criança ingênua -- o legal, o inteligente, não-emocional, não-ingênuo, ou seja, adulto, é odiá-la. ODEIE A NATUREZA.
Tá bom. Concedo. Parece exagero, então vamos a mais digressões, me afastando da história da tosse.
O ingênuo amante da natureza passa por um processo de socialização -- o que significa dizer, um processo de insercão num grupo, o que inclui tanto passar por certos rituais quanto deixar de lado certos valores prévios e absorver valores do grupo onde está sendo iniciado. Odiar a natureza é um desses valores.
E como se passa do amor ao ódio? Se você já quis deixar de amar alguém, e foi duro consigo mesmo, você decerto submeteu o outro (que já não é mais ser amado desde o momento que você resolve liquida-lo simbolicamente) aos seguintes processos:
- um isolamento simbólico completo (ele nada tem a ver com você)
- sujeição do outro, sua transformação em objeto de experimentos
- sua redução a uma série de equações causa-efeito (passa a pensá-lo como previsível, manipulável, dado estímulo x, você tem o resultado y)
- como você não conhecia estas 3 “verdades” acima, antes, crê que estava sobre o domínio de uma força que desconhecia, agora você tem os olhos bem abertos e será você que dominará sobre estas forças (e se vingará pelo período em que esteve sob o feitiço do outro)
É similar com a forma como o Biólogo passa da admiração, fascinação, ao controle e ódio. “Natureza” passa a ser objeto de ser picada, centrifugada, extirpada de seu contexto e examinada nos seus contituintes mais simples. Se bem socializado, o Biólogo é aquele que não passa nem perto de ter pena do ratinho sacrificado, do inseto rasgado vivo ao meio para extirpar-lhe o intestino médio. Uma vez eu cheguei ao cúmulo da eficiência, que foi, ao invés de arrancar a primeira porção do torso do inseto com o primeiro par de patinhas que jogados no lixo ficava horas se mexendo, e só depois arrancar o abdomem onde estava o intestino, arranquei só o abdomem pra tirar de vez o intestino e criei um monstro que passeava sem abdomem pelo laboratório por mais que uma hora. Ah, sim, o biólogo cronometra o evento. Para ele o inseto não sofre.
Impressiona a maneira como eu, bem treinada em biologia, era capaz de deixar de amar rapidamente outros seres humanos. Me apaixonar, me frustrar, tornar o outro objeto, manipular, jogar fora, era técnica aprendida. Até o momento em que me dei conta: não era essa a pessoa que eu queria ser. Essa era a pessoa que me diziam para ser. Foi o momento em que decidi amar até o fim. Decidi que so assim, qual a sereia de Cristian Andersen, ganharia uma alma.
Acerca do tipo de personalidade que é dura consigo mesma, é totalitária. Hitler se tornou o herói da multidão por ser duro consigo mesmo -- se ele mesmo se sujeitava inteiramente à sua própria autoridade, ao Triunfo da sua Vontade, então a nação devia segui-lo como exemplo do que o ser humano alcança pelo controle.
Os alunos de Bio frequentemente
competem pra ver quem tem mais controle -- seja sobre o nojo, sobre o asco, sobre o metabolismo, a capacidade de matar bichos sem piscar, dar injeções em pintinhos, matar o sapo com punção no cerebelo… se você consegue fazer isso, vira modelo -- isso é status no grupo, pela demonstração de controle sobre a sua própria natureza, assim como sobre a outra natureza, totalmente separada de si.
A tal da Tosse
Mas de repente a recaída. Do controle calculado sobre a minha própria natureza: sobre o meu corpo. O succinato de doxilamina causa sonolência, então não posso tomar e sair de moto. Mas é sexta-feira e estou voltando pra casa pra ficar de molho no fim de semana. Cloridato de clobutinol causa taquicardia. Legal, pensei, se o ritmo cardíaco acelera, ajuda a circulação levar defesas e limpar toxinas.
Isso eu li antes de comprar. Pago 15 pau, vambora pra casa.
Chegando, fiz aquilo que todo gripado deve fazer: caldo quente, banho, pijamão, e cama.
Levo junto as mentas, méus, e o xarope. Começo a ler bula. Bla blá, aquilo que eu já tinha lido no Reference book da farmácia, agora a dúvida: mulheres grávidas não devem… mulheres amamentando não devem… (esquisito), mas não parecia nada que tivesse o efeito de interromper gestação, fiquei curiosa e googlei informações.
Descobri que o componente cloridato de clobutinol havia sido retirado de circulação mundialmente… não é a primeira vez que me deparo com remédios, com essa mercadoria cheia de valor agregado, fruto de investimentos maciços, e quando não se pode realizar o lucro dessa mercadoria nos mercados de primeira linha, onde elas vêm parar? No 3o mundo.
Algo semelhante acontece com o paracetamol -- Chá pra gripe, remédio pra gripe, pra dor de cabeça… tá cheio de produto com isso. Paracetamol pode causar Falência Aguda do Fígado. Tradução: se você for sorteado, … se você tomar isso e for sorteado, diga adeus de vez ao seu fígado, como se ele fosse um bichinho de estimação atropelado por um Scânia a 180 Km/h bem na sua frente.
É claro que isso acontece com uma porcentagem mínima da população.
Zeno só me faz chorar
Postado por Flavia em Coisas da Vida no dia 25 de April de 2009 às 10:54
La Maison en Petites Cubes from dorsumi on Vimeo.
Descoberta que fiz ao visitar o Blog do Hipopótamo Zeno. Pucha, Zeno…
Meu zoológico particulá me faz chorar feito uma zebra na cara do leão
Postado por Flavia em Coisas da Vida no dia 15 de April de 2009 às 11:43
Eu juro que é melhor não ser o normal
Postado por Flavia em Coisas da Vida no dia 14 de April de 2009 às 19:51
O Emir tem razão: Quem está doente: Adriano ou os outros? O engravatado que morre devido a stress junto com cigarro e tem um colapso cardíaco com uma conta polpuda no banco, ou o cara que singelamente admite que o que ele queria era estar junto da família e amigos e ganhar só o bastante pra isso?
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Eu sou do time do Adriano. Pode chamar de louco, mas sou feliz. Em homenagem a Adriano e todos os que optam por viver mais mesmo que isso signifique andar de fusquinha ao invés de ferrari:
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E praqueles que tem “a cabeça no lugar”, trabalham 29 horas por dia, nem sabem direito o nome de suas crianças, aqueles normais que não tem tempo de curtir os amigos, ir jantar na casa da mãe e assistir novela com o vô só pra ver ele comentar injuriado que “aquela menina não presta” e perguntar “por quê vô?” pra ouvir a resposta que já conhece “é que essa está com o outro, mas dá em cima desse ai…”. Pra estes normais eu dedico a seguinte canção
Nós éramos muito diferentes…
Postado por Flavia em Coisas da Vida no dia 4 de April de 2009 às 14:00
Quantas pessoas não põem nestas palavras a razão para o rompimento amoroso?
Claro que não é fácil ter que se explicar quando a ferida da separação ainda dói e um amigo ou amiga tem a infeliz idéia de perguntar o “Porquê”.
É de uma falta de sensibilidade fora do comum, apesar de amplamente adotada para expressar surpresa e preocupação. Eu normalmente prefiro dizer que entendo, e perguntar “E você está bem?” ou “E como você está?” e deixar que a pessoa fale e me conte o que quizer e se quizer. Na verdade acho que o mais importante é conversar sobre outros assuntos, tentar, como amigo, refazer a ponte da pessoa com o mundo, pois uma das coisas que mais dói no fim de um relacionamento é que a maior conexão que temos com o mundo é pela pessoa que amamos.
Mas gostaria de me deter um pouco nessa resposta à infeliz pergunta: “Não podia dar certo… Éramos muito diferentes”. Apesar de ser resposta pronta que põe de lado rapidamente a incômoda pergunta sem-noção, o frequente recurso a ela demonstra que é idéia compartilhada, compreendida e aceita como resposta pertinente. Aponta, portanto, que é uma noção a respeito de relacionamentos que é muito forte na nossa sociedade. Pode até ser mentira, mas as pessoas aceitam.
Você consegue imaginar as pessoas aceitarem sem mais, sem a necessidade de explicações pormenorizadas, a resposta “É que nós éramos iguais demais”? É totalmente contrária à noção de “almas gêmeas”, da “outra metade da maçã” que está no lugar comum do nosso pensamento sobre relacionamentos amorosos.
Ontem li um texto realmente liberador e revelador a respeito dessa noção, de Marcos Donizetti. Sugiro a leitura!
Sobre a noção de Fetiche, e o que isso tem a ver com o amor narcisista
Fetiche é uma noção ligada à psique e à sociologia marxista. É a idéia de que o ser humano é capaz de projetar elementos da sua psique e “dar vida” a um objeto inanimado. Quando temos tesão por roupas e sapatos estamos a dar vida a estes objetos com o sentido que a eles imputamos. Na sociologia marxista, quando dizemos que é o dinheiro que faz o mundo girar estamos também dando vida a um objeto inanimado e incapaz de agir, botando à sombra as relações de dominação entre os homens que realmente fazem o mundo funcionar da maneira que funciona.
Após a leitura do texto de Donizetti é possível que fique mais claro o entendimento da idéia de narcisismo como fetiche: ela sugere que ao procurarmos nós mesmos no outro estamos projetando nossa psiquê no outro, que é tomado não como pessoa, mas como objeto.

