Mundo Árabe transbordando uma das fronteiras dos Estados Unidos da América


Sério. Faz tempo que eu ando sem tempo de bloguejar, mas hoje tá dificir de se guentar.

Juro: eu queria muito que alguém me resumisse em umas duas linhas o que a nossa imprensa anda dizendo das revoltas no oriente médio. Duas linhas: com a ajuda de um respira fundo e um comando mental tipo “okay, vamulá”, é a conta de toda a paciência que o meu copinho cheio tem com a nossa grande mídia.

É previsível o discurso Folha-Veja-Globo, etc:

Oriente Médio = Árabe

Árabe = Muçulmano

Muçulmano = fundamentalista religioso = uma turba irracional.

Então se eu estiver muuuuito enganada, e não é bem isso que eles estão dizendo, é só avisar, meus queridos.

Como é que eu estou acompanhando a notícia?

  • Pelos artigos na Carta Maior: Sugiro este, em específico, em que um jornalista egípcio fala sobre a rebelião, mas há muitos artigos bons.

O que está acontecendo no Oriente Médio: Egito, Tunísia, Iêmen, Jordão…

Creio que é simples. É uma história que começa com a implantação do estado de Israel e a formação de uma aliança com os EUA que – entra governo, sai governo – continua a mesma. Os spin-offs desse seriado de sucesso são a série de governos ditatoriais implementados com a ajuda dos EUA para garantir a proteção dessa jóia preciosa que é a zona petroleira incrustada, para a infelicidade das populações que ali têm o infortúnio de viver, nessa região que chamamos de Mundo Árabe.

As pessoas estão demonstrando – com a sua coragem inimaginável – que estão fartos dessas ditaduras. Elas querem DEMOCRACIA.

Isso escancara a posição sui generis na qual os EUA há décadas se encontram: Eles, os “defensores da democracia”, há tempos devotam recursos, negociações e pressão política à manutenção dessas várias ditaduras. Eles, defensores da democracia deles, são avessos à democracia dos outros.

E não adianta vir esse sem-espinha americano – o hipócrita dentre hipócritas, que sem ter alianças prévias foi eleito por uma das maiores demonstrações de vontade popular de voto que eu já ví e que então transforma esse momento de verdade – que foi o voto num candidato alternativo às máfias eleitorais constituídas – em uma farsa. Esse cara vai em frente às câmeras pra dizer “Não se pode escolher o líder do Egito por eles” quando há décadas é isso que os EUA fazem… Cara… Obama vai passar para a história como o maior azeda-esperança da história.

é isso.

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