Este texto no blog do Nassif – sobre a possibilidade de adoção de incineração de lixo no Brasil – me deixou preocupada. Há tempos a China adotou o modelo da queima do lixo. Não foi nem está sendo bom para a China e nem para o resto do mundo.
Estamos falando de grandes queimas de lixo. O cheiro que esses incineradores produzem, diz-se, pode ser sentido por uma milha. Os gases e fuligem produzidos por esses incineradores formam uma nuvem chamada de Nuvem Atmosférica Marrom (ABC, Atmospheric Brown Cloud) que hoje se estende da Península Arábica à Coreia. Na primavera ela se desloca para o leste, podendo chegar à Califórnia.

a foto de satélite mostra a extensão da nuvem
Localmente a ABC vem sendo responsável por um aquecimento atmosférico que pode ser o responsável pela aceleração do derretimento da capa de gelo na região do Himalaia, mas também pode estar ajudando a mascarar os efeitos dos gases estufa por suas características reflexivas. De acordo com relatório de 2008 da UNEP (Programa ambiental das Nações Unidas), de Beijing a Nova Delhi essa nuvem de gases e poeira com mais de 3 Km de altura tem bloqueado parte da luz solar: O dia nas cidades da região tende a ser de 10 a 25% mais escuro (em comparação com a década de 1950). Quem visita cidades como Shanghai acaba aprendendo um vocábulo cunhado na Revolução Industrial inglesa: Smog (mistura de “smoke” e “fog”, em outras palavras, algo que parece neblina mas é fumaça). Hoje em dia a smog é parte constituinte da paisagem nessa região.

Os impactos à saúde humana são de grande monta: estima-se que 340.000 pessoas morrem por ano na China e Índia devido à causas que podem ser diretamente retraçadas a esse tipo de poluição. Em relatório de 2007 o Banco Mundial responsabiliza a poluição por 750.000 mortes só na China. As queimas são um dos principais responsáveis: jogam na atmosfera grande quantidades de poluentes. Não só CO e CO2, mas também sulfatos, mercúrio, dioxina e outras partículas orgânicas que podem causar não só doenças respiratórias e cardiovasculares, mas atacam também o sistema nervoso (efeitos, em especial, da dioxina e do mercúrio).
Ao passo em que na China a população protesta contra a construção de mais incineradores e pelo uso de medidas menos poluentes do ar, os produtores dessa tecnologia buscam novos mercados e o Brasil está na mira dessa indústria. Não é possível que só os catadores achem isso absurdo e que só de causas diretas – como a possibilidade de perdas de empregos – se faça essa discussão. Não é possível que sejamos incapazes de olhar para o exemplo da China e aprender com ele, ao menos, o que não deve ser feito.
Há, sim, novos modelos de incineradores, que realizam uma combustão mais completa e jogam menos partículas tóxicas no ar. Entretanto, os elementos tóxicos se concentram nas cinzas produzidas. Ou seja, viram cinzas altamente tóxicas que contém esses mesmos componentes que estão causando tanto estrago. Está claro que o modelo de redução de tóxicos para por ai e que nem mesmo o destino dessas cinzas está resolvido. Na China eles são jogados no ambiente, podendo contaminar o solo e a água. Ainda acredito que tenhamos mais capacidade que isso e que não será preciso chegarmos à situação em que estão os chineses, para entendermos que não é possível adotarmos esses modelos. O problema do lixo deve ser confrontado, mas será que essa é uma forma sustentável de fazê-lo?
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Outros links com informações:


#1 por Thiago Leite - 14 de janeiro de 2010 às 11:39
Talvez a incineração venha a ser útil em algum momento. Mas não o será enquanto a reciclagem não se tornar uma conduta generalizada.
Há muita campanha por aí incentivando a separação do lixo, a coleta seletiva… mas a reciclagem ainda não está instituída como prática padrão.
Queimar tudo e jogar para debaixo do tapete (ou melhor, lançar pelos ares) é muito fácil.
#2 por Flavia - 12 de janeiro de 2010 às 9:08
Xi, Murilo, se for assim sou eu que tenho que pagar penitência. às vezes escrevo posts inteiros sem pensar bem, e quando vejo publiquei absurdos.
mas eu não acho que você escreva absurdos
FELIZ ANO NOVO
inté
#3 por Murilo - 23 de dezembro de 2009 às 22:34
Hohoho …
Venho pedir desculpas por JAMAIS reler meus comentários, o q me faz escrever coisas q vao do hilário ao absurdo, inclusive porq meus teclados nao “falam” portugues (e eu escrevo mal mesmo).
Enfim …
Hohoho …
FELIZ NATAL a todos do cyber boteco aqí, c/ alegrias e harmonia.
Inté,
Murilo
Ps.: e vamo votar na Dilma, senao a merda piora.
#4 por cremilda - 22 de dezembro de 2009 às 20:17
Para ser professor de escola pública em SP, é necessário uma indicação. Pode ser de um deputado ou de uma figuraça da imprensa ou de outro poder. Tem que ser poderoso. Tem que ser um PISTOLÃO de responsa…Uma vez indicado ele só sai da escola aposentado. Nunca será cobrado ou avaliado. Nem punido de acordo com seu crime ou erro. Nunca !!!!
Não precisa ter vocação ou competência. Será elevado a categoria de Santo e Abnegado e aluno que ousar revidar a uma agressão de um professor desse, está desgraçado para todo o sempre.
Dos 88 mil professores temporários que farão prova, nenhum será demitido. Os que estavam trabalhando há tres anos na escola e que não for aprovado, será professor MEDIADOR. Os outros ficarão encostados na escola mesmo.
A função do Mediador é visitar as famílias. Se dentro da escola o professor não tem fiscalização, imagina num suposto trabalho “fora”
Quer dizer que o pai que reclama da escola, ou da professora, vai ter a infelicidade de receber na sua porta a colega e “advogada” da professora da qual ele reclamou.
Uma visita indesejada…
Sabe lá qual autoridade estará revestida essa professora que visitará a familia com a função de nome bonito VAI MEDIAR CONFLITO…
Nâo serve para dar aula, e eles põem para infernizar a familia do aluno que ousar denunciar.
Muito bonito senhor JOSÉ SERRÁ.
Esperamos que o ano que vem o povo DÊ o troco e acabe com essa FARRA estabelecida na Secretaria de Educação . A cada dia o governo de SP.apresenta uma traição e uma covardia contra os pais e alunos. (http://cremilda.blig.ig.com.br)
#5 por Jonatan Martins Costa - 18 de dezembro de 2009 às 17:06
Perdão pelos erros de português!
Abraços!!!
Jonatan
#6 por Jonatan Martins Costa - 18 de dezembro de 2009 às 17:03
Boa Tarde.
Alguns pontos interessantes para comentar.
1º- No Brasil o que deveria ser feito é o incentivo da reciclagem ao máximo possivel.Uma coisa é certa em nosso país a população tem uma capacidade de se auto ajudar, contanto que se mostre os beneficios desses comportamentos e brasileiro é um ser muito inteligente capaz de engendrar soluções inesperadas e inusitadas.
2º Não sou totalmente contra a adoção da inseneração, pois chega em um determinado ponto que esses resíduos sólidos não são mais reciclados, creio que neste ponto deva ser aplicada a insineração, contudo de forma planejada, um exemplo seria utilizar estes residuos sólidos como combustivel para termoelétricas locais onde o lixo que participasse dessa classe fosse consumido,gerando energia e aliviando o estresse em cima das hidroelétricas que acabam por inundar áreas de florestas imensas.
3º- Como falei o brasileiro tem uma capacidade impressionante, o que fazer com estes resíduos? Simples uma pesquisadora da UFSC (se não me engano agora) em sua tese de doutorado descobriu como aproveitar os tóxicos resíduos da queima do lixo, ela percebeu que este resíduo pode ser utilizado como filtro (igual ao de carvão para água) em rejeitos liquidos industrais que ao invés de ir para um rio na forma não tratada ao passar pelo filtro desenvolvido por ela foi capaz de reduzir a toxicidade dos líquidos em 95% (se não me engano também) uma alta eficiência.Parecesse que ao entrar com os resíduos em forma “de carvão” os líquidos industriais reagem e formam substâncias inertes que na natureza podem ser reaproveitadas sem danos ao meio ambiente.
Vi essa tese no google acadêmico.Só não sei se salvei, mas tenho certeza dessa descoberta pela pesquisadora em Santa Catarina, ela mesmo disse que seria economicamente viável esse sistema de filtros.
Então creio que o que precisamos em nosso país são de administradores com uma visão menos fechada e capaz de analisar de forma ampla o contexto “global” (inter-relações das tecnologias) e de profundidade (detalhes dentro do investimento), infelizmente esses individuos não dotados dessa capacidade e os poucos que temos são entravados pela máquina “burrocratica” que nesse país impera.
Abraços!!!
Jonatan