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Minis já têm certa história. A foto acima, da Liga de Moças Alemãs, é de 1941. Mas antes delas, uma geração de mulheres (flapper girls: mulheres que usavam saias curtas, gostavam de jaz, usavam maquiagem, bebiam e dirigiam automóveis – tudo isso considerado imoral), nos anos 1920.
Louise Brooks, 1927
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Em 1960 minivestidos e minissaias viraram moda, símbolo de liberação feminina, usados por feministas. Diz que Germaine Greer e Glória Steiner usavam. Mas não deixou de ter feminista contra a minissaia. Designers famosos pela popularização da minissaia nos anos 60: Mary Quant e André Courrèges.

Minissaias são um objeto de cultura, uma construção histórica de mais de 60 anos de aceitação na nossa cultura, particularmente na chamada alta-cultura, no terreno simbólico da contestação do lugar da mulher e na arte.
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Mulheres já foram hostilizadas por suas vestimentas muitas vezes na história da barbárie/civilização. Exemplos disso devem ser incontáveis, mas para citar um que é famoso, me lembrei do tribunal de inquisição que julgou Joana D’Arc. Sem poder provar que ela fosse herege, e sem conseguir colocá-la em contradição com o dogma católico durante os processos (pelo que entendi, Joana era iletrada, mas era muito inteligente), o tribunal acabou por mandá-la para a fogueira mesmo assim. A acusação: ela usava calças, e isso era imoral.
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A sociedade permaneceu muito tempo resistente ao uso de calças por mulheres, até que no fim do século 19 e início do 20 essa resistência foi sendo vencida por mulheres que tomaram os postos de trabalho masculinos, e por feministas, contestadoras da posição da mulher na sociedade. Uma das defensoras do uso de calças para mulheres foi Marlene Dietrich. Além dela, aviadoras como Amelia Earhart. Mas antes delas, trabalhadoras, mulheres comuns.
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Interessante notar que o uso de calças despertava o mesmo tipo de reação, sendo considerada indecente, imoral, reveladora de formas femininas que deveriam ser cuidadosamente escondidas por camadas de saias, hoje é tido como algo normal.
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Outro exemplo do que foi indecente em outras épocas aparece no conto “Missa de Galo” de Machado de Assis. O conto não faz nenhum sentido se não compreendermos que a mulher que fica em casa com o estudante pensionista (enquanto o marido vai à missa) está mostrando ao estudante, enquanto conversam, partes do corpo que não devem ser mostradas: os tornozelos e os braços. O que seria, naquela época, uma infidelidade conjugal, hoje absolutamente não tem sentido nenhum de imoralidade.
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Que uma pessoa ache outra imoral, não é de impressionar. O que impressiona é o gozo daqueles alunos da uniban. O que, nesse caso, me lembra Nietzsche.


#1 por Régis - 1 de janeiro de 2010 às 19:24
O que mais me chocou no caso da uniban foi que nenhum dos responsaveis pela agresão foi punido, sequer houve sindicancia, ao contrário optaram por punir a ofendida e depois diante da pressão de vários setores voltaram atrás. Mesmo assim a moça continuou sendo atacada em diversos portais que noticiavam o caso por comentaristas que achavam que ela havia provocado tudo, tudo muito inquisição.
#2 por ruth iara - 1 de janeiro de 2010 às 19:13
Apoiado. Se a gente que é mulher deixar vão querer que a gente tape as pernas, os braços e a boca também e com esparadrapo.
#3 por Thiago Leite - 10 de novembro de 2009 às 0:21
Se a causa daquela manifestação animalesca fosse só a minissaia…
Ah, esqueci de citar Nietzsche no meu texto sobre esse caso aí. Inclusive lembrei agora daquele vídeo, Dance, monkeys, dance… Acho que vou colocar um post scriptum…
#4 por Flavia - 10 de novembro de 2009 às 10:47
Exatamente, Thiago. Acabei escrevendo outro post http://algodao.algumlugar.net/2009/11/a-culpa-e-da-minissaia/, pois concordo contigo.
#5 por Tarcisio - 9 de novembro de 2009 às 10:17
Viva a mini! bjo