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	<title>Comentários sobre: Em busca da anti-autoria perdida</title>
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		<title>Por: Quase uma década &#171; Imaginação Sociológica</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/comment-page-1/#comment-2200</link>
		<dc:creator>Quase uma década &#171; Imaginação Sociológica</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 04:20:24 +0000</pubDate>
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		<description>[...] que este post seja lido em associação com esse post da Flávia. Não espere conclusão ou coerência. A seguir, apenas algumas idéias [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] que este post seja lido em associação com esse post da Flávia. Não espere conclusão ou coerência. A seguir, apenas algumas idéias [...]</p>
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		<title>Por: Saídas contra um novo Culto da Especialização &#171; Algodão Hidrófilo</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/comment-page-1/#comment-2182</link>
		<dc:creator>Saídas contra um novo Culto da Especialização &#171; Algodão Hidrófilo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 14:08:06 +0000</pubDate>
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		<description>[...] elas. Esse nosso senso de realidade nos mantém ligados de certa forma à grande mídia. Não somos independentes. Não somos capazes de olhar em volta e perceber outras realidades e dar voz ao que não tem voz na [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] elas. Esse nosso senso de realidade nos mantém ligados de certa forma à grande mídia. Não somos independentes. Não somos capazes de olhar em volta e perceber outras realidades e dar voz ao que não tem voz na [...]</p>
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		<title>Por: Flavia</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/comment-page-1/#comment-2181</link>
		<dc:creator>Flavia</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2009 11:05:29 +0000</pubDate>
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		<description>Ah, não te confundo com o Edu quando lembro dos nossos emails, mas quando lembro de nossas discussões a três no Descurvo e no Conversa de Bar, que há muito tmepo atrás, muito antes de imeiarmosnos foram as responsáveis pela formação do complexo que Freud explica</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ah, não te confundo com o Edu quando lembro dos nossos emails, mas quando lembro de nossas discussões a três no Descurvo e no Conversa de Bar, que há muito tmepo atrás, muito antes de imeiarmosnos foram as responsáveis pela formação do complexo que Freud explica</p>
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		<title>Por: Flavia</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/comment-page-1/#comment-2180</link>
		<dc:creator>Flavia</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2009 10:49:21 +0000</pubDate>
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		<description>É de preocupar quando se olha o Brasil mesmo, Hugo. Acho que toda essa coalisão tucanalha e truculenta que se formou no Brasil e que tem o judiciário, e as reitorias, como braços, mas cujo principal braço direito é a grande mídia, só não dá golpe de estado por 2 razões. 1. Eles sabem por experiência que os militares usaram a direita similar a eles feito papel higiênico no golpe de 64 (essa geração que ainda está aí, velha, eram os jovens da época e eles já fizeram essa conta). 2. Os militares e polícias hoje não formam uma corporação unida e podem se prestar ao trabalho tanto de entrar na USP quanto de participar da Confecom - de suas discussões - ver gravações de seminário acho que de brasília - e a própria experiência recente deles os põe em sua maioria contrários a qualquer atitude desta.
Não fosse por isso, as condições estariam dadaas. Mas descanse. Não estão.

Não quiz te deixar preocupado. Pelo contrário. A tucanalha é truculenta justo porque é banguela.

O único dentinho que eles tem é a mídia, por isso mesmo eu dou toda esta importância à Confecom, assim como uma multitude de formiguinhas trabalhando por ela, e mais outras multitudes de formiguinhas trabalhando contra os seus efeitos, como vocês na PUC. Mesmo a mídia já não tem força nenhuma quando o negócio é política grande - eleger presidente. Mas quando se trata de uma série de políticas práticas - de segurança, contra uma política de inclusão, por exemplo, ela continua dando as cartas, o que é bastante grave, quando pensamos em modança social.
A sua geração não é diferente da minha, eu própria já fui assim, acreditei em toda a contra-propaganda que retratava o utopista como um bobinho sonhador, um mártir enganadinho. Eles foram convencidos a abrir mão de sua potencialidade político-participativa, e como eu também me coisifiquei no início da minha existência entendo o que se passa. Estão convencidos, pois foram formados pelos cartoons, propagandas de Mao virou relojinho (lembra?), pelas novelas, e toda uma assimilição perversa da contra-cultura pela mídia, segundo a qual, todos eles se acham geniais por terem chegado a uma conclusão para a qual foram dirijidos: a de que é inocente útil o bobinho que se envolve com política, e ninguém quer ser bobinho, então se coisificar virou grande astúcia e entendimento. (observe que todos eles se acham mais sabidos que você).
É a mídia quem faz esse processo danoso. E somos todos filhotes dela, mesmo os filhotes que como o Abraão de Kierkegaard se rebelam. A propósito, leia, quando puder. O livro é escrito em narrativa. Chega a ser melhor que Saramago (perdoe, meu rei, Saramago, esta herezia). É a mesma história curta de Abraão oferecendo seu próprio filho em holocausto a um deus sacana, e toda a vez que é recontada, ou que recomeça, pois o livro dá mais a impressão de um loop, um bug na matrix, ocorre algo diverso. É aterrorizante e espetacular, não entendo que não seja best seller.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>É de preocupar quando se olha o Brasil mesmo, Hugo. Acho que toda essa coalisão tucanalha e truculenta que se formou no Brasil e que tem o judiciário, e as reitorias, como braços, mas cujo principal braço direito é a grande mídia, só não dá golpe de estado por 2 razões. 1. Eles sabem por experiência que os militares usaram a direita similar a eles feito papel higiênico no golpe de 64 (essa geração que ainda está aí, velha, eram os jovens da época e eles já fizeram essa conta). 2. Os militares e polícias hoje não formam uma corporação unida e podem se prestar ao trabalho tanto de entrar na USP quanto de participar da Confecom &#8211; de suas discussões &#8211; ver gravações de seminário acho que de brasília &#8211; e a própria experiência recente deles os põe em sua maioria contrários a qualquer atitude desta.<br />
Não fosse por isso, as condições estariam dadaas. Mas descanse. Não estão.</p>
<p>Não quiz te deixar preocupado. Pelo contrário. A tucanalha é truculenta justo porque é banguela.</p>
<p>O único dentinho que eles tem é a mídia, por isso mesmo eu dou toda esta importância à Confecom, assim como uma multitude de formiguinhas trabalhando por ela, e mais outras multitudes de formiguinhas trabalhando contra os seus efeitos, como vocês na PUC. Mesmo a mídia já não tem força nenhuma quando o negócio é política grande &#8211; eleger presidente. Mas quando se trata de uma série de políticas práticas &#8211; de segurança, contra uma política de inclusão, por exemplo, ela continua dando as cartas, o que é bastante grave, quando pensamos em modança social.<br />
A sua geração não é diferente da minha, eu própria já fui assim, acreditei em toda a contra-propaganda que retratava o utopista como um bobinho sonhador, um mártir enganadinho. Eles foram convencidos a abrir mão de sua potencialidade político-participativa, e como eu também me coisifiquei no início da minha existência entendo o que se passa. Estão convencidos, pois foram formados pelos cartoons, propagandas de Mao virou relojinho (lembra?), pelas novelas, e toda uma assimilição perversa da contra-cultura pela mídia, segundo a qual, todos eles se acham geniais por terem chegado a uma conclusão para a qual foram dirijidos: a de que é inocente útil o bobinho que se envolve com política, e ninguém quer ser bobinho, então se coisificar virou grande astúcia e entendimento. (observe que todos eles se acham mais sabidos que você).<br />
É a mídia quem faz esse processo danoso. E somos todos filhotes dela, mesmo os filhotes que como o Abraão de Kierkegaard se rebelam. A propósito, leia, quando puder. O livro é escrito em narrativa. Chega a ser melhor que Saramago (perdoe, meu rei, Saramago, esta herezia). É a mesma história curta de Abraão oferecendo seu próprio filho em holocausto a um deus sacana, e toda a vez que é recontada, ou que recomeça, pois o livro dá mais a impressão de um loop, um bug na matrix, ocorre algo diverso. É aterrorizante e espetacular, não entendo que não seja best seller.</p>
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		<title>Por: Hugo Albuquerque</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/comment-page-1/#comment-2178</link>
		<dc:creator>Hugo Albuquerque</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2009 00:02:36 +0000</pubDate>
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		<description>Achei espetacular esse post. Isso é o que se pode chamar de &lt;i&gt;brainstorm&lt;/i&gt;; sobre o porvir, vejo com certa angústia o que há e com muito medo o que haverá. 

Minha geração, esse pessoalzinho que nasceu lá no final dos anos 80 e que hoje está na faculdade, já se ajoelhou na diante da (su)realpolitik e acha que ela é última bolacha do pacote; a aceitação - e até a louvação - da distopia me causam espécie.

Mas ainda há esperança. Como você disse lá em cima. Os moleques na FFLCH, os pirados como eu que na semana passada largaram suas vidas para peitar um Centro Acadêmico de direita - e chapa-branca - da PUC, lutando contra a política anti-pobre que eles promovem. 

No entanto, quando eu olho pra molecadinha mais nova, não acho essas exceções.

Sabe, &lt;b&gt;Flavia&lt;/b&gt;, tem horas que eu fico confuso pra burro sobre o Brasil atual, não há como negar que as coisas melhoraram olhando para trás, mas quando se olha pra frente, o que se vê não é animador.

Fui numa palestra, nessa última sexta, na Escola da AGU em SP. Quem estava lá era o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello, uma jóia rara, caso raro de jurista brasileiro inteligente e digno; democrata até o último fio do cabelo, mas já velhinho, bem velhinho. 

Era impressionante a qualidade e a quantidade de críticas que ele fazia ao Governo FHC, coisa de quem mais do que entender de Direito até dizer chega, também entende de muita coisa mais - coisa rara entre juristas do Brasil moderno, que, em geral, são bons técnicos de legislação, mas entendem tanto de política quanto eu entendo de fisíca quântica e apenas papagaiam o que a mídia porcorativa fala sobre o mundo.

O que me chamou a atenção, eram os elogios que ele fazia sobre a evolução do Brasil nos últimos anos, principalmente agora no Governo Lula, mas eu via que era uma esperança de alguém que precisava ter esperança, a mesma que eu, tantos anos mais novo, me vejo às voltas. Esperança do verbo esperancear. Esperança de ter esperança. Auto-enganação? Talvez.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Achei espetacular esse post. Isso é o que se pode chamar de <i>brainstorm</i>; sobre o porvir, vejo com certa angústia o que há e com muito medo o que haverá. </p>
<p>Minha geração, esse pessoalzinho que nasceu lá no final dos anos 80 e que hoje está na faculdade, já se ajoelhou na diante da (su)realpolitik e acha que ela é última bolacha do pacote; a aceitação &#8211; e até a louvação &#8211; da distopia me causam espécie.</p>
<p>Mas ainda há esperança. Como você disse lá em cima. Os moleques na FFLCH, os pirados como eu que na semana passada largaram suas vidas para peitar um Centro Acadêmico de direita &#8211; e chapa-branca &#8211; da PUC, lutando contra a política anti-pobre que eles promovem. </p>
<p>No entanto, quando eu olho pra molecadinha mais nova, não acho essas exceções.</p>
<p>Sabe, <b>Flavia</b>, tem horas que eu fico confuso pra burro sobre o Brasil atual, não há como negar que as coisas melhoraram olhando para trás, mas quando se olha pra frente, o que se vê não é animador.</p>
<p>Fui numa palestra, nessa última sexta, na Escola da AGU em SP. Quem estava lá era o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello, uma jóia rara, caso raro de jurista brasileiro inteligente e digno; democrata até o último fio do cabelo, mas já velhinho, bem velhinho. </p>
<p>Era impressionante a qualidade e a quantidade de críticas que ele fazia ao Governo FHC, coisa de quem mais do que entender de Direito até dizer chega, também entende de muita coisa mais &#8211; coisa rara entre juristas do Brasil moderno, que, em geral, são bons técnicos de legislação, mas entendem tanto de política quanto eu entendo de fisíca quântica e apenas papagaiam o que a mídia porcorativa fala sobre o mundo.</p>
<p>O que me chamou a atenção, eram os elogios que ele fazia sobre a evolução do Brasil nos últimos anos, principalmente agora no Governo Lula, mas eu via que era uma esperança de alguém que precisava ter esperança, a mesma que eu, tantos anos mais novo, me vejo às voltas. Esperança do verbo esperancear. Esperança de ter esperança. Auto-enganação? Talvez.</p>
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	<item>
		<title>Por: Hugo Albuquerque</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/comment-page-1/#comment-2177</link>
		<dc:creator>Hugo Albuquerque</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2009 22:44:39 +0000</pubDate>
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		<description>Hmmm que legal, nunca antes na minha vida eu havia sido amalgamado com outra pessoa e me tornado uma entidade abstrata, mas eu acho que fui eu que disse isso mesmo hehehe</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Hmmm que legal, nunca antes na minha vida eu havia sido amalgamado com outra pessoa e me tornado uma entidade abstrata, mas eu acho que fui eu que disse isso mesmo hehehe</p>
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	<item>
		<title>Por: Flavia</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/comment-page-1/#comment-2169</link>
		<dc:creator>Flavia</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 11:58:20 +0000</pubDate>
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		<description>brigada (bochechas vermelhas), Carlos, acho o mesmo do Imaginação sociológica. Gosto da forma como você põe em prática o que disse Mills. A imaginação sociológica é uma característica da alma, vai muito além da academia e de um curso de sociologia, é olhar as pequenas coisas e detalhes sob uma nova lente. Eu olho tudo assim: o trânsito, os livros escolares, os meus alunos, eu mesma, como professora...
A nossa vida foi passada assim - fomos desse tipo de adolescente e vemos o comportamento adolecente de hoje como uma coisa natural, talvez sem nos perguntarmos se é de fato natural (biológico) ou uma das muitas camadas que a sociedade e nossa história depositaram sobre a nossa natureza. Colocando em outro foco, os estudos da chamada história das calcinhas (por quem não gosta das histórias da vida privada) são reveladores e demonstram que até mesmo a infância foi inventada socialmente. é assim também com os nossos impulsos primitivos, que um ramo muito potente da ideologia biologista quer que aceitemos como determinada pelos nossos genes (falo de Dawkins, o cão, cujos seguidores enterocéfalos, que são a maioria dos biólogos e ideólogos de direita, usam para provar que homens e mulheres são diferentes e que o capitalismo é natural. conheço bem a área por ter sido uma promissora ex-futura-quase-bióloga e por ter querido estudar social studies of science numa universidade onde estes estudos não seriam aceitos - desisti, por enquanto).
É possível, creio, tirar vantagens de professor por cima dessa ideologia que nos formou e que forma essa galerinha nova. Uma das minhas armas é concordar ironicamente, tirar sarro pesado da cara deles, até que eles não tenhham mais como sustentar nem o argumento, nem o carão (o que pro adolecente é mais grave). É preciso saber tirar vantagem da estereotipia contra ela mesma. Uma das histórias que tenho de derrota do meu próprio preconceito (sim, nós mulheres temos preconceitos contra outras mulheres, como o negro contra o negro, o pobre contra o pobre, o blogueiro contra o blogueiro) é de quando tive aula com a Maria Arminda. Ia iniciar o curso sobre Marx, e eu esperava que surgisse uma mulher de cabelos grisalhos mau cuidados, presos num rabo-de-cavalo desleixado, de macacão de labour class e se possível suja de gracha e de coturno velho. Entra uma perua dourada, cabelos tingidos de loiro, tecidos esvoaçantes, roupa provocante sobre um corpo mais ainda, luís 15. Eu disse: &quot;xi!&quot;. Foi a melhor professora que eu posso imaginar existir na face deste planeta - a gente tinha que gravar as aulas pra entender aos pouquinhos depois. Quando mais tarde uma amiga hiponga disse que achava muito superficial a mulher que se empiriquita demais eu respondi com uma pergunta: &quot;superficial é quem tem a superfície, ou quem enxerga só a superfície?&quot; é uma exemplo, dos muitos que tenho contra mim.
Os adolecentes de hoje foram como nós formados desde criança para serem assim. Na verdade, o vídeo &quot;criança, a alma do negócio&quot; (tá no youtube) mostra que eles estão passando por um processo muito mais perverso. Eles serão os adultos de amanhã. Mas o mundo não estará perdido enquanto pudermos cultivar a astúcia.

Ah, sobre o Orkut, procura no Donizete um texto chamado o Orkut e o Existir, ou algo assim, ele põe as coisas sob um outro ângulo possível - gosto de angulações múltiplas...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>brigada (bochechas vermelhas), Carlos, acho o mesmo do Imaginação sociológica. Gosto da forma como você põe em prática o que disse Mills. A imaginação sociológica é uma característica da alma, vai muito além da academia e de um curso de sociologia, é olhar as pequenas coisas e detalhes sob uma nova lente. Eu olho tudo assim: o trânsito, os livros escolares, os meus alunos, eu mesma, como professora&#8230;<br />
A nossa vida foi passada assim &#8211; fomos desse tipo de adolescente e vemos o comportamento adolecente de hoje como uma coisa natural, talvez sem nos perguntarmos se é de fato natural (biológico) ou uma das muitas camadas que a sociedade e nossa história depositaram sobre a nossa natureza. Colocando em outro foco, os estudos da chamada história das calcinhas (por quem não gosta das histórias da vida privada) são reveladores e demonstram que até mesmo a infância foi inventada socialmente. é assim também com os nossos impulsos primitivos, que um ramo muito potente da ideologia biologista quer que aceitemos como determinada pelos nossos genes (falo de Dawkins, o cão, cujos seguidores enterocéfalos, que são a maioria dos biólogos e ideólogos de direita, usam para provar que homens e mulheres são diferentes e que o capitalismo é natural. conheço bem a área por ter sido uma promissora ex-futura-quase-bióloga e por ter querido estudar social studies of science numa universidade onde estes estudos não seriam aceitos &#8211; desisti, por enquanto).<br />
É possível, creio, tirar vantagens de professor por cima dessa ideologia que nos formou e que forma essa galerinha nova. Uma das minhas armas é concordar ironicamente, tirar sarro pesado da cara deles, até que eles não tenhham mais como sustentar nem o argumento, nem o carão (o que pro adolecente é mais grave). É preciso saber tirar vantagem da estereotipia contra ela mesma. Uma das histórias que tenho de derrota do meu próprio preconceito (sim, nós mulheres temos preconceitos contra outras mulheres, como o negro contra o negro, o pobre contra o pobre, o blogueiro contra o blogueiro) é de quando tive aula com a Maria Arminda. Ia iniciar o curso sobre Marx, e eu esperava que surgisse uma mulher de cabelos grisalhos mau cuidados, presos num rabo-de-cavalo desleixado, de macacão de labour class e se possível suja de gracha e de coturno velho. Entra uma perua dourada, cabelos tingidos de loiro, tecidos esvoaçantes, roupa provocante sobre um corpo mais ainda, luís 15. Eu disse: &#8220;xi!&#8221;. Foi a melhor professora que eu posso imaginar existir na face deste planeta &#8211; a gente tinha que gravar as aulas pra entender aos pouquinhos depois. Quando mais tarde uma amiga hiponga disse que achava muito superficial a mulher que se empiriquita demais eu respondi com uma pergunta: &#8220;superficial é quem tem a superfície, ou quem enxerga só a superfície?&#8221; é uma exemplo, dos muitos que tenho contra mim.<br />
Os adolecentes de hoje foram como nós formados desde criança para serem assim. Na verdade, o vídeo &#8220;criança, a alma do negócio&#8221; (tá no youtube) mostra que eles estão passando por um processo muito mais perverso. Eles serão os adultos de amanhã. Mas o mundo não estará perdido enquanto pudermos cultivar a astúcia.</p>
<p>Ah, sobre o Orkut, procura no Donizete um texto chamado o Orkut e o Existir, ou algo assim, ele põe as coisas sob um outro ângulo possível &#8211; gosto de angulações múltiplas&#8230;</p>
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		<title>Por: Carlos</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/comment-page-1/#comment-2166</link>
		<dc:creator>Carlos</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2009 02:18:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://algodao.algumlugar.net/?p=481#comment-2166</guid>
		<description>Putz, Flávia! Que post legal! Gosto muito de texto jorrados como esse, cheio de idéias a serem pensadas. O gosto pela autoridade, a pronta obediência, a opção pelo não-pensar coisificante me impressionam e despertam meus impulsos iconoclastas mais primitivos. Ontem mesmo estava olhando uma comunidade de alunos no Orkut (a rede social dos pobres) e em um tópico sobre os melhores professores choviam elogios àqueles &quot;disciplinadores&quot;, que se impõem autoritariamente na sala de aula. Eu como convicto professor &quot;laissez-faire&quot; me espanto com essa vontade de ser disciplinado, de ser objeto nas mãos do outro. Sinceramente, meu ceticismo me diz que lutar contra esse estado atual das coisas é entrar em um luta perdida. Mas não é esse detalhe que vai me fazer abandonar a minha trincheira. Morro, mas morro atirando!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Putz, Flávia! Que post legal! Gosto muito de texto jorrados como esse, cheio de idéias a serem pensadas. O gosto pela autoridade, a pronta obediência, a opção pelo não-pensar coisificante me impressionam e despertam meus impulsos iconoclastas mais primitivos. Ontem mesmo estava olhando uma comunidade de alunos no Orkut (a rede social dos pobres) e em um tópico sobre os melhores professores choviam elogios àqueles &#8220;disciplinadores&#8221;, que se impõem autoritariamente na sala de aula. Eu como convicto professor &#8220;laissez-faire&#8221; me espanto com essa vontade de ser disciplinado, de ser objeto nas mãos do outro. Sinceramente, meu ceticismo me diz que lutar contra esse estado atual das coisas é entrar em um luta perdida. Mas não é esse detalhe que vai me fazer abandonar a minha trincheira. Morro, mas morro atirando!</p>
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