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Leia na reportagem da revista Época (irck).
Parece tudo muito científico, no entanto, não é nada científico pelas seguintes razões:
1. Qualidades “femininas” são tomadas como “femininas” como pressuposto. Isso se faz com base em puro senso comum (estereotipias comuns na cultura, que são facílimas de reconhecer no questionário)
2. Que os níveis de testosterona causariam estas diferenças é também tomado como pressuposto e não tem prova (pois não é possível saber a posteriori quais os níveis de testosterona ao qual foram submetidos seres hoje adultos quando estavam em gestação)
3. Perguntas do teste: 1.cantar afinado é característica de um só sexo? Não há, porventura, cantores de ambos? Não há machos muito cheios de testosterona e fêmeas pingando progesterona que são bons cantores? 2. Vencer? O que significa vencer? Isso é muito subjetivo e creio que os meus parâmetros de sucesso não tem nada a ver com os parâmetros da maioria dos outros seres humanos. Devo concluir que sou um Etê? 3. Ouço facilmente o que as
pessoas estão dizendo numa sala barulhenta. É piada? É teste auditivo? Eu tenho dificuldade de ouvir crianças, mas ouço cachorros. Quando estou lecionando ouço o que os alunos dizem nos exercícios mais barulhentos e no entanto tenho dificuldade de conseguir ouvir meus amigos num bar com música, o que normalmente me deixa deprimida. 4. Quando era criança gostava de subir o mais alto possível em àrvores (vou verificar se o montanhismo é porventura dominado por algum dos sexos) 5. perdi a pergunta. 6. acho fácil fazer mais que uma tarefa? (sem comentários) 7. acho fácil saber o que os outros estão sentindo só de olhar para o seu rosto? É pra saber se eu tenho bola de cristal ou o “sexo” do meu cérebro?
4. Ri-di-cu-lo: pelo questionário o meu cérebro é masculino com 3 pontos (se eu não fosse afinada seriam 2)
5. A matéria termina com uma pérola da quiromancia: se o seu dedo anular for mais alto que o indicador, o seu cérebro (como assim?) é masculino.
São poucas as vezes na vida que podemos ler tanta enterocefalia condensada numa só matéria. Sugiro a leitura de “A Falsa Medida do Homem” de Jay Gold.


#1 por Flavia - 23 de julho de 2009 às 19:24
Izactamente, Thiago
E mais, toda a sociologia, historia, antropologia e estudos de semiótica da ciência (o campo chamado Social Studies of Science) desde a década de 70 tem inúmeros trabalhos demonstrando que os estudos biológicos…, digamos assim: quanto mais eles se aproximam do objeto “ser humano”, mais ideológicos ficam (isso sem contar os estudos de especialistas do campo da biologia, como Richard Lewontin e Jay Gould) demosntrando o mesmo.
#2 por Thiago Leite - 23 de julho de 2009 às 11:24
O pior é relacionar isso com sexualidade, como se ser feminino signfiicasse gostar de homem e ser masculino quisesse dizer gostar de mulher. É nisso que dá tentar fazer ciência se baseando em noções pré-concebidas do senso comum, como bem alertava Pierre Bourdieu…
#3 por Paulo - 18 de abril de 2009 às 17:23
Descobrimos que esse é um casamento heterosexual, meu cérebro deu 13 de feminilidade.
#4 por Carlos - 18 de abril de 2009 às 17:14
Parabéns pelo post.
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#5 por Flavia - 18 de abril de 2009 às 17:43
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