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	<title>Comentários sobre: A isenção fiscal, a privatização do Estado e onde está a cultura.</title>
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		<title>Por: Mauricio</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/04/a-isencao-fiscal-a-privatizacao-do-estado-e-onde-esta-a-cultura/comment-page-1/#comment-107</link>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 01:03:49 +0000</pubDate>
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		<description>Olá, Paulo e Carlos,

Não foi minha intenção, de forma alguma, corroborar a crítica neoliberal antiutopia. Aliás, nada escrevi sobre sonhos, lunáticos, descolamento da realidade e essas coisas essenciais da que são o sal da vida e da criação artística:)  Na verdade, tenho uma posição extremamente crítica em relação ao ideário neoliberal, como fica evidente em meus textos, que os convido a conhecerem. Mas não creio que, nesse caso, seja correto culpar o neoliberalismo - porque, muito antes de sua reencarnação sob Reagan e Tatcher, o cinema já era uma arte industrial e extremamente cara, que demanda vultosos capitais. Os cinemas novos - daqui e de alhures - não podem ser assumidos como regra, pois são uma exceção, e duvido muitíssimo que se os filmes nacionais não se tivessem tornados caros e &quot;caretas&quot;, a classe média perderia seu preconceito em relação ao cinema brasileiro - se é que realmente o perdeu. Um abraço a todos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, Paulo e Carlos,</p>
<p>Não foi minha intenção, de forma alguma, corroborar a crítica neoliberal antiutopia. Aliás, nada escrevi sobre sonhos, lunáticos, descolamento da realidade e essas coisas essenciais da que são o sal da vida e da criação artística:)  Na verdade, tenho uma posição extremamente crítica em relação ao ideário neoliberal, como fica evidente em meus textos, que os convido a conhecerem. Mas não creio que, nesse caso, seja correto culpar o neoliberalismo &#8211; porque, muito antes de sua reencarnação sob Reagan e Tatcher, o cinema já era uma arte industrial e extremamente cara, que demanda vultosos capitais. Os cinemas novos &#8211; daqui e de alhures &#8211; não podem ser assumidos como regra, pois são uma exceção, e duvido muitíssimo que se os filmes nacionais não se tivessem tornados caros e &#8220;caretas&#8221;, a classe média perderia seu preconceito em relação ao cinema brasileiro &#8211; se é que realmente o perdeu. Um abraço a todos.</p>
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		<title>Por: Posts sobre a lei Rouanet &#171; Algodão Hidrófilo</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/04/a-isencao-fiscal-a-privatizacao-do-estado-e-onde-esta-a-cultura/comment-page-1/#comment-104</link>
		<dc:creator>Posts sobre a lei Rouanet &#171; Algodão Hidrófilo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2009 23:47:24 +0000</pubDate>
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		<description>[...] . Outro texto que escrevi, mas que hoje não sei bem se eles vêm ao caso: Lei Rouanet no país do Artesanato Cultural. Hoje creio que a minha argumentação era completamente deslocada, pois é preciso fazer uma escolha (de que lado estamos?). Trata-se de doar incentivos públicos para criar a mega-indústria cultural nacional capaz de competir com Hollywood (e, portanto, com cara de pastel, de Globo, de homogeneização e massificada) ou de dar incentivo às iniciativas pequenas e locais, privilegiando a pluralidade e regionalidade que é a grande riqueza da cultura brasileira? um post mais recente soobre isso é A isenção Fiscal, a Privatização do Estado e onde está a Cultura. [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] . Outro texto que escrevi, mas que hoje não sei bem se eles vêm ao caso: Lei Rouanet no país do Artesanato Cultural. Hoje creio que a minha argumentação era completamente deslocada, pois é preciso fazer uma escolha (de que lado estamos?). Trata-se de doar incentivos públicos para criar a mega-indústria cultural nacional capaz de competir com Hollywood (e, portanto, com cara de pastel, de Globo, de homogeneização e massificada) ou de dar incentivo às iniciativas pequenas e locais, privilegiando a pluralidade e regionalidade que é a grande riqueza da cultura brasileira? um post mais recente soobre isso é A isenção Fiscal, a Privatização do Estado e onde está a Cultura. [...]</p>
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		<title>Por: Paulo Cunha</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/04/a-isencao-fiscal-a-privatizacao-do-estado-e-onde-esta-a-cultura/comment-page-1/#comment-100</link>
		<dc:creator>Paulo Cunha</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2009 21:47:04 +0000</pubDate>
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		<description>Olá Maurício, olá Carlos,

Tambem não vejo onde cinema e música se separam. Mesmo que o volume de dinheiro necessário para um seja maior do que para outro, os critérios para que tenha incentivo do Estado são os mesmos.

A produção de um filme pode exigir um capital adiantando maior do que a produção de um CD. Mesmo as grandes produções brasileiras poderiam não ter condições de competir com as extrangeiras por falta de capital inicial. Porém isso, por si só, justifica incentivos diretos do Estado? Creio que não. Que se abram linhas de financiamento facilitadas para elas, entretanto, se elas buscam o lucro, precisam arcar com os riscos como qualquer emprendimento capitalista. O mesmo vale para qualquer compositor consagrado no qual o retorno do álbum e shows é relativamente seguro. Ou para as produções teatrais centradas em grandes atores. Todos eles são investimentos capitalistas, antes de ser uma expressão cultural. Garantir a capacidade de concorrer com a indústria extrangeira é uma coisa (e as linhas de financiamento, os impostos de importação, etc. servem para corrigir as distorção). Investir diretamente o dinheiro público é tão sem sentido quando investir diretamente em uma empresa privada.

O filme não comercial (por falta de um termo melhor) assim como um projeto de resgate de música regional, um compositor estreante, uma turpe de atores sem acesso a qualquer recurso. Bem, nesses eu consigo ver a relevância de se investir diretamente o dinheiro público. É com eles que se gera diversidade e aumenta a expressão da cultura em geral.

Ah, então quero dizer que os emprendimentos não devem buscar o lucro? Se tiverem sucesso perdem o apoio do Estado? Esse é o argumento do Afif na discussão sobre a &lt;a href=&quot;http://www.culturaemercado.com.br/post/a-lei-rouanet-e-nossa/&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;lei Rouanet no Cultura e Mercado&lt;/a&gt;.  E a Cissa Florence deu uma resposta a isso mais sucinta do que eu conseguiria...

Abraço a todos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Maurício, olá Carlos,</p>
<p>Tambem não vejo onde cinema e música se separam. Mesmo que o volume de dinheiro necessário para um seja maior do que para outro, os critérios para que tenha incentivo do Estado são os mesmos.</p>
<p>A produção de um filme pode exigir um capital adiantando maior do que a produção de um CD. Mesmo as grandes produções brasileiras poderiam não ter condições de competir com as extrangeiras por falta de capital inicial. Porém isso, por si só, justifica incentivos diretos do Estado? Creio que não. Que se abram linhas de financiamento facilitadas para elas, entretanto, se elas buscam o lucro, precisam arcar com os riscos como qualquer emprendimento capitalista. O mesmo vale para qualquer compositor consagrado no qual o retorno do álbum e shows é relativamente seguro. Ou para as produções teatrais centradas em grandes atores. Todos eles são investimentos capitalistas, antes de ser uma expressão cultural. Garantir a capacidade de concorrer com a indústria extrangeira é uma coisa (e as linhas de financiamento, os impostos de importação, etc. servem para corrigir as distorção). Investir diretamente o dinheiro público é tão sem sentido quando investir diretamente em uma empresa privada.</p>
<p>O filme não comercial (por falta de um termo melhor) assim como um projeto de resgate de música regional, um compositor estreante, uma turpe de atores sem acesso a qualquer recurso. Bem, nesses eu consigo ver a relevância de se investir diretamente o dinheiro público. É com eles que se gera diversidade e aumenta a expressão da cultura em geral.</p>
<p>Ah, então quero dizer que os emprendimentos não devem buscar o lucro? Se tiverem sucesso perdem o apoio do Estado? Esse é o argumento do Afif na discussão sobre a <a href="http://www.culturaemercado.com.br/post/a-lei-rouanet-e-nossa/" rel="nofollow">lei Rouanet no Cultura e Mercado</a>.  E a Cissa Florence deu uma resposta a isso mais sucinta do que eu conseguiria&#8230;</p>
<p>Abraço a todos.</p>
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	<item>
		<title>Por: Carlos Henrique Machado</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/04/a-isencao-fiscal-a-privatizacao-do-estado-e-onde-esta-a-cultura/comment-page-1/#comment-96</link>
		<dc:creator>Carlos Henrique Machado</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Apr 2009 17:34:53 +0000</pubDate>
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		<description>Oi Mauricio 
Interessante o que você coloca sobre uma certa idéia de irrealidade a respeito dos sonhos, da poesia e, sobretudo a utopia. Este conceito de parecer meio lunático, na verdade foi uma coisa plantada pela &quot;modernidade industrial na arte&quot;, principalmente de uns 30 anos para cá, com a implantação do ataque pesado do neo-liberalismo. Tomaram as salas de cinema, as rádios, a TV, revistas e jornais e escurraçaram das salas de cinema, principalmente os pobres do país. 

Dia desses vi uma entrevista interessante de Cravo Albin com o cineasta Zelito Viana que, sereno, faz uma avaliação bastante importante sobre o cinema do passado e o de agora. O que ele disse é que antes, o cinema brasileiro era barato e de linguagem bastante lincada com a sociedade e que por isso as salas vivam abarrotas, na época principalmente de Mazarope. A classe média brasileira tinha preconceito com o cinema nacional, agora não tem mais e, em contrapartida, a grande massa não pode pagar a entrada do cinema que hoje chega a custar R$25,00, ou seja, um casal paga o dobro.

Interessante também é a entrevista que vi no Cultura e Mercado com Orlando Sena sobre um outro universo que está nascendo, zerando a conta, com essas novas ferramentas que nos chegam com a revolução tecnológica. Os grandes cinemas, grandes teatros, essa estrutura pesada pública ou privada está com seus dias contados, cineclubes, teatro, música, artes pláticas correrão outros circuitos e com outro modelo de gestão cultural, determinado pela sociedade, pela própria imposição que a democracia do áudiovisual, nisso destaco a internet como ponto de fundamental importância. Tudo mudou, Mauricio, teremos à frente um tempo mais honesto na relação entre arte e sociedade, cultura e arte, pois estes universos andam bem desconetados. Fugiram do ambiente social, crítico para mergulharem no obscurantismo comandado pelo feudo dos &quot;cultos&quot; e ricos. Teremos um tempo de convalescência e, enquanto isso, a reflexão naturalmente virá. A partir de então, numa grande negociação com a sociedade, a cultura encontrará um espaço para ser representada por seus artistas. A sociedade saberá fazer isso, ela faz essa ponte entre a sua construção cultural e o seu representante, o artista. E, se o mesmo, sob qualquer forma de expressão, efetivamente a representar, pode acreditar, ela estará lá aplaudindo alquém que represente seus sentimentos. 

Isso não é uma questão setorizada, é ampla, de difícil compreensão. E nós que andamos neste rítmo alucinado atrás do imediatismo, teremos todos que diminuir a nossa ansiedade e buscar, nem que seja no ócio, um caminho mais prudente e, consequentemente mais produtivo para levarmos este andor.
Grande abraço e vamos seguindo nessa linha de passe.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Mauricio<br />
Interessante o que você coloca sobre uma certa idéia de irrealidade a respeito dos sonhos, da poesia e, sobretudo a utopia. Este conceito de parecer meio lunático, na verdade foi uma coisa plantada pela &#8220;modernidade industrial na arte&#8221;, principalmente de uns 30 anos para cá, com a implantação do ataque pesado do neo-liberalismo. Tomaram as salas de cinema, as rádios, a TV, revistas e jornais e escurraçaram das salas de cinema, principalmente os pobres do país. </p>
<p>Dia desses vi uma entrevista interessante de Cravo Albin com o cineasta Zelito Viana que, sereno, faz uma avaliação bastante importante sobre o cinema do passado e o de agora. O que ele disse é que antes, o cinema brasileiro era barato e de linguagem bastante lincada com a sociedade e que por isso as salas vivam abarrotas, na época principalmente de Mazarope. A classe média brasileira tinha preconceito com o cinema nacional, agora não tem mais e, em contrapartida, a grande massa não pode pagar a entrada do cinema que hoje chega a custar R$25,00, ou seja, um casal paga o dobro.</p>
<p>Interessante também é a entrevista que vi no Cultura e Mercado com Orlando Sena sobre um outro universo que está nascendo, zerando a conta, com essas novas ferramentas que nos chegam com a revolução tecnológica. Os grandes cinemas, grandes teatros, essa estrutura pesada pública ou privada está com seus dias contados, cineclubes, teatro, música, artes pláticas correrão outros circuitos e com outro modelo de gestão cultural, determinado pela sociedade, pela própria imposição que a democracia do áudiovisual, nisso destaco a internet como ponto de fundamental importância. Tudo mudou, Mauricio, teremos à frente um tempo mais honesto na relação entre arte e sociedade, cultura e arte, pois estes universos andam bem desconetados. Fugiram do ambiente social, crítico para mergulharem no obscurantismo comandado pelo feudo dos &#8220;cultos&#8221; e ricos. Teremos um tempo de convalescência e, enquanto isso, a reflexão naturalmente virá. A partir de então, numa grande negociação com a sociedade, a cultura encontrará um espaço para ser representada por seus artistas. A sociedade saberá fazer isso, ela faz essa ponte entre a sua construção cultural e o seu representante, o artista. E, se o mesmo, sob qualquer forma de expressão, efetivamente a representar, pode acreditar, ela estará lá aplaudindo alquém que represente seus sentimentos. </p>
<p>Isso não é uma questão setorizada, é ampla, de difícil compreensão. E nós que andamos neste rítmo alucinado atrás do imediatismo, teremos todos que diminuir a nossa ansiedade e buscar, nem que seja no ócio, um caminho mais prudente e, consequentemente mais produtivo para levarmos este andor.<br />
Grande abraço e vamos seguindo nessa linha de passe.</p>
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		<title>Por: Mauricio</title>
		<link>http://algodao.algumlugar.net/2009/04/a-isencao-fiscal-a-privatizacao-do-estado-e-onde-esta-a-cultura/comment-page-1/#comment-90</link>
		<dc:creator>Mauricio</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2009 19:40:24 +0000</pubDate>
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		<description>Amante do chorinho que sou, acho isso que o  Carlos Henrique Machado disse muito bonito e poético. Apoiado. O problema é que funciona em relação à música brasileira - sendo, portanto, revelador da desnecessidade de se utilizar leis de fomento para financiá-la -, mas é inócuo para uma arte industrial - e, portanto, cara - como o cinema. E, para desgosto de alguns, a cultura brasileira não se restringe à MPB.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Amante do chorinho que sou, acho isso que o  Carlos Henrique Machado disse muito bonito e poético. Apoiado. O problema é que funciona em relação à música brasileira &#8211; sendo, portanto, revelador da desnecessidade de se utilizar leis de fomento para financiá-la -, mas é inócuo para uma arte industrial &#8211; e, portanto, cara &#8211; como o cinema. E, para desgosto de alguns, a cultura brasileira não se restringe à MPB.</p>
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